Notas de dólar

Mercado prevê dólar a até R$ 4: Veja como planejar a compra da moeda

22 JAN, 2018 / Jornalista Responsável: Grazieli Binkowski

                                   

O mercado já faz suas projeções para a cotação do dólar ao final de 2018: a maior parte das apostas apontam para R$ 3,35, o que representa uma valorização potencial de 4,6% sobre a cotação atual. Mas há quem projete valor ainda mais alto. A XP revelou que trabalha com uma taxa de câmbio de até R$ 3,40. Em relatório, a XP aponta que o ciclo de alta dos juros nos Estados Unidos, promovido pelo Federal Reserve (FED), poderá seguir interferindo na cotação da moeda no Brasil. Na outra ponta, a XP também avalia que é possível que a cotação fique próxima de R$ 3,10 dependendo das notícias que virão da economia americana.

Algumas consultorias que atuam no mercado cambial veem a margem bem mais elástica. A FB Capital traçou uma perspectiva de variação pouco abaixo de R$ 3, no cenário otimista, e de ficar acima dos R$ 4 dependendo do que acontecer nos campos político e econômico. "Há cinco fatores determinantes para a moeda subir ou cair consideravelmente nos próximos meses", explica o diretor de Câmbio da FB Capital, Fernando Bergallo.

Esses fatores são a reforma da previdência, que era esperada pelo mercado ainda para 2017 e acabou frustrando os investidores nacionais e, principalmente, estrangeiros, que passam a questionar se o governo brasileiro realmente conseguirá aprovar as medidas em 2018; as eleições, uma vez que com a ascensão de Jair Bolsonaro nas pesquisas traz uma verdadeira incógnita para a economia; o "fator" Lula, cujo futuro político será definido nas próximas semanas com o julgamento em segunda instância; o rating, com o risco de mais agências seguirem os passos da Standard & Poor's em razão do rombo fiscal do governo Federal; e por fim, a atividade econômica do país. "Teremos feriados, copa do mundo, eleições e outros fatores que prejudicarão o andamento do PIB. O resultado do primeiro trimestre trará um cenário com expectativas concretas. O dólar acompanhará estes fatos", sugere Bergallo.

O cenário, é claro, deixa aflito quem pretende comprar dólares para viajar, uso mais comum da moeda americana por brasileiros. Mathias Fischer, diretor de estratégia e inovação da plataforma Meu Câmbio, lista algumas dicas para economizar na compra da moeda. Uma das mais valiosas é ir comprando aos poucos, e não tudo de uma só vez. "Adquirir todos os dólares necessários de uma só vez pode ser muito arriscado. Recomenda-se que a compra seja realizada aos poucos. Desta forma, o viajante reduz o risco de ser pego de surpresa por uma alta inesperada".

Outra sugestão é optar por realizar o último "lote" de compra com antecedência de pelo menos três dias úteis antes da data da viagem, para evitar problemas de pagamento como alteração de limite no banco, ou problemas com horário para receber o pedido, sugere Fischer. Ele acrescenta outro "macete": comprar a moeda oficial do país de destino geralmente é a melhor opção. Desta forma, o visitante que chega na viagem com dólar não precisará trocar dinheiro de novo e ficar sujeito a novas taxas de conversão. "Nem sempre o dólar é aceito em qualquer lugar", justifica.

Estar atento a sites e aplicativos que comparam preços é outra boa pedida. Isso possibilitará comparar a cotação entre várias corretoras, e até aumentar o poder de barganha ao negociar valores. Portais como o Melhor Câmbio permitem comparar as moedas em várias corretoras de uma mesma cidade, com as cotações mudando em tempo real. Além disso, dispensam cadastro ou cobrança extra pelo uso da plataforma. No portal, o cliente pode fazer um "leilão" entre as corretoras para verificar se alguma topa o valor que pretende pagar pela moeda. O próprio site apresenta uma "banda" de variação esperada para o câmbio, facilitando a negociação.