Certificados de Depósitos Bancários

Cauteloso com a economia, investidor só pensa em CDBs

20 MAR, 2018 / Jornalista Responsável: Grazieli Binkowski

                                   

A queda na Taxa Básica de Juros (Selic) não tem espantado os investidores brasileiros dos Certificados de Depósitos Bancários - CDBs. Pelo contrário: com a queda da inflação e a perda de atratividade de boa parte dos títulos de tesouro, o investidor menos afeito ao risco de uma Bolsa de Valores tem buscado mais os títulos emitidos por bancos. Como há instituições que oferecem CDBs que pagam mais de 100% do CDI, esses papéis podem oferecer rentabilidade líquida superior à do Tesouro Selic e de fundos de renda fixa.

Em janeiro deste ano, quase uma em cada três pesquisas (precisamente 29,7%) no buscador de investimentos Yubb queria receber mais informações sobre emissões e rendimentos de CDBs. De acordo com o CEO do Yubb, Bernardo Pascowitch, os brasileiros têm optado por segurança na hora de escolher o destino do seu dinheiro, ainda que haja no mercado produtos mais rentáveis – embora também mais arriscados. "Apesar de consultores recomendarem fundos e serviços especializados, a renda fixa privada, como CDBs, LCIs, LCAs e LCs, e o Tesouro Direto continuam muito fortes na cabeça do brasileiro", afirma Pascowitch.

Conforme a Cetip, os CDBs estão entre os ativos com maior valor financeiro em estoque no país: R$ 739,5 bilhões. Muito próximo, portanto, de debêntures (R$ 769 bilhões), bem à frente de fundos fechados (R$ 116 bilhões) e contratos de swap (R$ 443 bilhões), embora atrás dos fundos abertos (R$ 2,144 trilhões).

CEO da Allgoo, empresa especializada na digitalização de instituições financeiras, Luiz Claudio Macedo avalia que boa parte do interesse se deve também ao avanço dos bancos com a oferta de produtos mais rentáveis e apresentados de maneira mais didática. As instituições têm percebido que o cliente quer algo que pague mais do que a poupança, mas menos arriscado do que ações. "Os bancos já perceberam este interesse e estão se organizando para atendê-lo. Para isso, estão trazendo serviços cada vez mais ágeis e, de preferência, com linguajar bem diferente", afirma Macedo.

O Certificado de Depósito Bancário é um dos instrumentos financeiros mais tradicionais do mercado brasileiro e a aplicação de Renda Fixa mais adquirida pelo investidor, atrás só da poupança. Instituído pela Lei Nº 4.728, de 14 de julho de 1965, o papel é também uma importante fonte de captação de recursos para as instituições financeiras. As características dos CDBs são determinadas no momento de sua contratação. Na ocasião, prazo e forma de rendimento são previamente definidos. Sua remuneração, que pode ser prefixada ou pós-fixada, é baseada em diversos indexadores. O mais utilizado é a Taxa-DI.

Para os investidores, os principais atrativos dos CDBs estão na possibilidade de contratação do ativo com liquidez diária e o fato do instrumento ser elegível à cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), de até R$ 250 mil por pessoa e por instituição. O risco está diretamente associado à solidez de seu emissor, uma instituição financeira. Entretanto, em razão da proteção do FGC, as instituições de menor porte, e que oferecem rendimentos mais altos, costumam ser indicadas por consultores financeiros.

Conforme o Yubb, os melhores CDBs estão justamente nos pequenos bancos de investimentos. O site indica por exemplo os produtos da Easynvest (117% de DI) e da Ourinvest (116%), ambos com aplicações iniciais a partir de R$ 5 mil. Os rendimentos líquidos ao final de um ano para a aplicação mínima, nesses casos, ficariam em R$ 5.315 e R$ 5.319, respectivamente. Em um grande banco, as taxas médias de CDB mal e mal chegam a 100% de DI, e a aplicação com o valor hipotético de R$ 5 mil chegaria a R$ 5.266 ao final de 12 meses.


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