dinheiro protegido

Como proteger o dinheiro no desmoronamento dos mercados?

19 MAI, 2017 / Jornalista Responsável: Grazieli Binkowski /

Os mercados de ações e cambial foram jogados em um caldeirão, em fervura intensa com as denúncias de diretores da JBS quanto a supostos casos de corrupção envolvendo políticos - entre os quais, o próprio presidente da república, Michel Temer. A reação dos investidores foi imediata: na quinta-feira (18), a bolsa desabou e o dólar foi às alturas. Embora a sexta-feira tenha arrefecido o pânico, com recuperação da parte das perdas do dia anterior, analistas de mercado alertam que os próximos dias podem ser de montanha-russa.

"É preciso ter serenidade nesse momento, o desespero sempre leva ao erro. E em relação ao dinheiro, essa máxima vale ainda mais", resume o educador financeiro Reinaldo Domingos, que afirma que o primeiro critério a ser levado em conta neste momento é a segurança de uma aplicação, acima da tentativa de buscar uma oportunidade de encontrar um ganho extra com a crise.

"Tirar o dinheiro de uma aplicação segura para colocar em outra mais rentável pode parecer interessante, mas, na maioria dos casos, poderá ocasionar perdas já no momento do saque, pois muitas aplicações cobram taxas salgadas de quem não respeita os prazos estipulados", lembra. Um caminho para pequenos investidores se blindarem neste momento é evitar deixar todo o dinheiro em uma única aplicação, argumenta, variando inclusive a instituição financeira.

"Quem está com o dinheiro em aplicações convencionais com tesouro direto, CDB, RDB e previdência privada, é importante continuar atento ao mercado. Para quem está com dinheiro em ações, muito cuidado em quais empresas se investe, acompanhando a solidez dessas companhias. E quem tem ou quer comprar dólar, é preciso ter cautela por que a tendência é que a moeda suba neste primeiro momento", afirma Domingos.

Autor do Blog de Valor e educador financeiro, André Bona concorda: a renda fixa é a opção menos exposta no momento, embora seja fundamental se manter atento às tendências de juros e inflação para monitorar a rentabilidade futura. "Os investimentos como fundos DI, CDBs e Tesouro Selic não sofrerão grandes impactos, pois são investimentos mais conservadores. Por outro lado, que tem investimentos prefixados e ativos de longo prazo, como Tesouro IPCA e instrumentos de renda variável, como as ações, a volatilidade faz com que os preços se movimentem de maneira mais brusca, exigindo controle emocional", argumenta.

Reinaldo Domingos aproveita para acalmar os ânimos de quem tem algum dinheiro guardado, pois vive-se tempos em que a boataria sobre política e economia tende a crescer. "Se surgirem rumores de ações ameaçadoras como confiscos, não levem a sério. Se por um lado nossa política ainda está engatinhando, nossa economia já se mostra mais madura, não havendo espaços para ações como essas".