Bitcoin

Bitcoin: Entenda a valorização meteórica da moeda virtual

18 DEZ, 2017 / Jornalista Responsável: Grazieli Binkowski

                          

O mundo dos investimentos já tem uma nova estrela para onde direcionar os holofotes no próximo ano: o Bitcoin – seja pelo bem, seja pelo mal. A moeda virtual, controversa para parte dos investidores, criticada por autoridades monetárias e idolatrada por quem busca lucro rápido, chegou à incrível cotação de US$ 18 mil na semana passada — um salto em relação a um ano antes, quando valia US$ 780. Nenhuma aplicação relevante passou perto de valorizar tanto no período.

O interesse de investidores chegou a tal ponto que a bolsa de Chicago, a Chicago Board Options Exchange (CBOE), passou a negociar contratos futuros de Bitcoins no último dia 8. Na estreia, foi o contrato mais negociado na CBOE: abriu em US$ 15,4 mil no domingo à noite, antes de avançar para o máximo de US$ 18,7 mil – ganho de 21%. No ano que vem, a moeda deverá começar a ser negociada na Bolsa de Nova York pelo índice Nasdaq e também na brasileira B3.

Quem imaginaria tal valorização quando a moeda desabou de US$ 17,50 para poucos centavos, em junho de 2011, quando uma corretora virtual japonesa foi atacada por hackers zerando as contas de bitcoins de milhões de investidores? Os investidores parecem mais confiantes na criptografia e na idoneidade deste mercado, que não é regulado. Segundo levantamento realizado pela SEMrush, empresa de marketing digital e fornecedora de ferramentas de monitoramento online, entre as mais de 3,488 milhões de pesquisas sobre investimentos realizadas de janeiro a início de dezembro, 544 mil foram para o Bitcoin, colocando-o em terceiro lugar como a aplicação mais buscada no país (atrás de Títulos de Tesouro e CDB).

Com isso, o Bitcoin se tornou a "moeda" mais buscada pelos brasileiros — embora mesmo o termo "moeda" seja contestável. "Hoje, o Bitcoin não é uma moeda. Pode ser que um dia ele se torne uma, mas não hoje em dia. Logo, já que não se utiliza como meio de pagamento ou como unidade para as contas, utiliza-se para especular", analisa Pedro Paulo Silveira, Economista-chefe da Nova Futura Investimentos, para quem o Bitcoin é, sim, uma bolha que fatalmente terá o valor desinflado conforme as emissões cresçam e não se encontre uso prático para o ativo. "Apesar de todo o discurso libertário de seus promotores (sites, vendedores, gurus e alguns especuladores profissionais), o Bitcoin é uma roda de especulação acerca da promessa de um meio de pagamento se tornar uma moeda".

Mas o que tem determinado a ascensão meteórica do Bitcoin? A principal característica que gera valor é sua escassez, explica Rodrigo Batista, CEO do MercadoBitcoin.com.br. Existiam no início de 2017 cerca de 16 milhões de moedas em circulação no mercado, e elas chegarão a um total emitido de 21 milhões em 2033. "Assim, a vontade das pessoas de comprar ou vender bitcoins é o que determina seu preço, dado que não é possível alterar a quantidade, produzindo mais, por exemplo". Ele cita um exemplo de movimento que ajuda a aumentar a busca pela moeda e pressiona seu valor. "Em novembro de 2016 a Índia proibiu e retirou do mercado as suas cédulas de valores mais altos, e a China vem impondo nos últimos anos regras mais rígidas de controles de capitais, e a Venezuela despedaçou sua economia. Nos três casos houve uma corrida intensa por bitcoins, intensificadas em 2017".

Se, apesar das incertezas em torno da moeda, você ainda tem interesse em surfar nesta onda, aqui vai o caminho para o investimento. As aplicações passam por "bancos virtuais", em que é preciso se cadastrar e criar uma carteira virtual. Alguns exemplos são os sites Coinbase.com e Blockchain.info. Para vender, é preciso se registrar em um mercado de bitcoins, onde, depois de encontrar um comprador, o website intermediará a negociação. Um alerta é que encontrar um comprador pode não ser tão rápido, o que compromete a liquidez, conforme analistas.