Entenda mais sobre aplicação na poupança

Poupança: má escolha? Saiba quando aplicar

2018 / Jornalista Responsável: Grazieli Binkowski

                                   

A predileção dos brasileiros pela poupança nem sempre pode ser considerada má escolha. A Caderneta mantém certo vigor em relação a opções comuns de renda fixa oferecidas por corretoras e grandes bancos. Isso por que a Taxa Básica de Juros (Selic) na casa dos 6,5% freia a rentabilidade de CBDs, LCIs, LCAs e Fundos Selic. Quando estes produtos não oferecem remuneração próxima ao Juro Básico da economia – ou no caso dos Fundos quando há cobrança elevada da Taxa de Administração –, o rendimento fica diminuto.

Por outro lado, a Caderneta oferece a possibilidade de juro igual para todas faixas de aplicação – ou seja, não precisa se investir valor expressivo para conseguir a melhor taxa. Além disso, é isenta de Imposto de Renda (IR) e está coberta pelo Fundo Garantidor Crédito (FGC). Ou seja, o ganho líquido é de 100% da rentabilidade, e o dinheiro está protegido de perdas para até R$ 250 mil por CPF e por instituição financeira.

Pesquisa divulgada pela Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) mostra por que a poupança é considerada uma aplicação tradicional e a mais conhecida pelas pessoas. Ela resguarda as economias de 88% dos investimentos dos brasileiros, sendo que em segundo lugar fica a previdência privada, com somente 6%. No primeiro semestre deste ano, os depósitos na Caderneta cresceram 2,9%, com R$ 683,2 bilhões alocados.

"Para os clientes do varejo tradicional, a poupança ainda é uma opção muito importante, principalmente pela característica de segurança que ela reflete", analisa José Rocha, presidente do Comitê de Varejo da Anbima.

Além disso, a poupança se caracteriza pela liquidez elevada, pois não há prazo de resgate e nem incidência de taxas de saída.

"Se a intenção é se proteger contra imprevistos, o conveniente é optar por uma reserva com alta liquidez, ainda que isso implique um rendimento menor", avalia a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti.

O rendimento não compensa quando se compara a outras opções de renda fixa com remuneração mais altas, geralmente oferecidas por corretoras menores ou para clientes de bancos que invistam mais de R$ 100 mil (veja simulações com alguns cenários abaixo).

É importante estar atento às regras de remuneração que mudam com a Taxa Selic. A lei prevê que, quando a Selic estiver acima de 8,5%, a poupança renda 0,5% ao mês mais a Taxa Referencial (TR), que é calculada pelo Banco Central. Com o juro básico abaixo de 8,5%, como agora, a rentabilidade anual da poupança é de 70% da Selic mais a TR, que nos últimos meses está em zero.

Confira simulações

Os melhores rendimentos líquidos para aplicação de R$ 10 mil

Ao final de 12 meses, descontado IR e taxas

LCI/LCA com 80% de DI: R$ 10.516 (+5,17%)

CDB com 95% do DI: R$ 10.493 (+4,93%)

Fundo Selic Tx.Adm. 0,5% ao ano: R$ 10.481 (+4,82%)

CDB com 90% do DI: R$ 10.466,64 (+4,67%)

Poupança: R$ 10.455 (+4,55%)

LCI/LCA com 70% do DI: R$ 10.451 (+4,51%)

Fundo Selic Tx.Adm. 1% ao ano: R$ 10.442 (+4,43%)

CDB com 85% de DI: R$ 10.440 (+4,40%)