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ADRs: saiba quais empresas brasileiras estão bombando na bolsa de NY

17 ABR, 2018 / Jornalista Responsável: Grazieli Binkowski

                                   

A prisão do ex-presidente Lula foi mais um combustível para valorizar as ações de empresas brasileiras negociadas na Bolsa de Nova York (NYSE), as ADRs (American Depositary Receipt). Com a sinalização de que o petista está cada vez mais fora da disputa pela presidência no Brasil neste ano, os americanos olharam com mais interesse para papéis de companhias Made in Brazil. No after market à determinação do juiz Sérgio Moro para que Luis Inácio Lula da Silva fosse preso, o Índice Brazil Titans 20, que reúne as principais ADRs brasileiras, fechou com ganhos de 0,75% — na véspera, com a decisão do STF de negar habeas corpus ao ex-presidente condenado, haviam subido 5,78%. Ações como a do Itaú Unibanco subiam 1,12%. A ADR da Petrobras cresceu 1,34%.

Ano passado, o Brazil Titans acumulou com ganhos de 21,05%. Além do cenário político, fatores econômicos pesaram diretamente para a valorização, conforme analistas americanos, em particular a retomada do mercado de crédito no Brasil e a variação de commodities como o petróleo e o minério de ferro no cenário global. Com isso, os titãs brasileiros têm se agigantado: Petrobras subiu 30,2% ao longo de um ano, com ação negociada a US$ 12 no último dia 10 de abril. Itaú Unibanco subiu 16,4% no intervalo, negociada agora a US$ 14,67. A Ambev subiu 26% ao longo de 12 meses, negociada a US$ 7,27. Vale saltou 40%, a US$ 12,50 a ação e Bradesco subiu 26,9%, a US$ 9,67.

A variação do índice de ADRs monitorado pela Standard & Poor's na bolsa de Nova York apresenta variação positiva de 19,5% em 12 meses, encerrados em 10 de abril. Ao longo de 2018, a alta registrada é de 8,5%. Assim como no Índice Ibovespa no Brasil, nos Estados Unidos as empresas que puxam o índice estão principalmente nos setores financeiro (22,5%), commodities (21,3%), energia (15,9%), itens de consumo (14,6%) e utilidades diversas (9,7%).

Para as empresas brasileiras, o ponto-chave de estar no mercado acionário dos Estados Unidos reside em navegar em um ambiente de alta liquidez e que representa uma nova fonte de captação, conforme relatório da Toro Radar, que atua nas análises e recomendações de investimentos. As ADRs são compradas e vendidas nos mercados norte-americanos, assim como os outros títulos regulares emitidos/financiados nos EUA, por um banco ou corretora. A diferença é que eles são lastreados por empresas estrangeiras.

Existem três tipos de ADRs, conforme a Toro Radar. No Nível 1, o mais básico, as empresas estrangeiras não têm qualificações ou não desejam ser listadas em bolsa. São encontrados no mercado de balcão e são fáceis e baratas de avaliar. Elas também têm os requisitos mais flexíveis da Securities and Exchange Commission (SEC).

Já as de Nível 2 são listadas em bolsa ou cotadas na Nasdaq, e têm um pouco mais de exigências da SEC, mas também têm um maior volume de trade. Por fim, as ADRs de Nível 3 são as mais prestigiadas, quando uma empresa lança uma emissão de oferta pública na bolsa. ADRs Nível 3 são capazes de levantar capital e ganhar visibilidade substancial nos mercados financeiros dos EUA.

Conforme a Toro Radar, as ADRs foram criadas em função da complexidade envolvida na compra de ações em países estrangeiros e das dificuldades associadas com o trade a preços e valores de moedas diferentes. Por essas razões, bancos americanos simplesmente compram um lote maior de ações de uma empresa, as agrupam e as emitem tanto na New York Stock Exchange (NYSE), na American Stock Exchange (AMEX) quanto na Nasdaq. Em troca, a empresa estrangeira fornece informações financeiras detalhadas para o banco.