Petrobras

Volta por cima: Petrobras escapa do caos e volta a reluzir na bolsa

16 MAI, 2018 / Jornalista Responsável: Grazieli Binkowski

                                   

Da assombrosa posição de estatal à beira do caos financeiro e vitimada pela corrupção, a Petrobras tem conseguido gradativamente dar a volta por cima. Conforme levantamento da Economática, o valor de mercado da companhia no dia 10 de maio atingia R$ 358,8 bilhões, o que a colocava como a maior empresa do Brasil. Em dezembro de 2017, valia R$ 216 bilhões, o que significa crescimento de R$ 142,8 bilhões no período. A última vez em que a Petrobras havia sido a corporação mais valorizada no Brasil acontecera no dia 15 de outubro de 2014, quando registrara R$ 254,4 bilhões, contra R$ 247,7 bilhões da Ambev.

Os números refletem a alta do petróleo no mercado internacional e do dólar, que abre espaço para a petroleira ampliar ganhos com a venda de combustíveis. Além disso, o mercado gostou dos últimos resultados da companhia, que voltaram a ser positivos.

"A valorização está atrelada à melhora apresentada pela companhia no primeiro trimestre deste ano, quando além do resultado operacional mais sólido, também houve gradual redução de sua alavancagem financeira", avalia Sabrina Stefani Cassiano, analista de Investimento da Coinvalores. "Além disso, as expectativas relacionadas ao desfecho da cessão onerosa também tem dado ímpeto para suas ações", indica Sabrina.

A recente venda de ativos subutilizados ou pouco rentáveis se reflete diretamente na recuperação das margens, complementa Sandra Peres, analista-chefe da Coinvalores:

"O programa de desinvestimentos rendeu R$ 3,2 bilhões nesse ano, reduzindo a dívida líquida da companhia e alavancando o lucro líquido do período, que atingiu R$ 6,9 bilhões no trimestre, alta de 56% em doze meses", assinala.

Quando os ventos sopram a favor, uma boa notícia parece puxar outra: nesta semana, a empresa informou que a [B]³ autorizou sua adesão ao segmento especial de listagem Nível 2 de governança corporativa, em um movimento que pode atrair novos investidores para a companhia. Desta forma, a Petrobras passa a contar com novas regras para oferta pública de aquisição de ações e a garantir concessão de 100% de tag along (extensão do prêmio de controle em caso de venda) para ações preferenciais nas mesmas condições concedidas às ações ordinárias, além de prever procedimento arbitral para questões provenientes do regulamento do Nível 2. Em comunicado, a Petrobras destacou, além da adesão ao Nível 2, a atribuição à empresa da nota 10 em um índice de governança das estatais criado pelo governo federal, o IG-Sest, conforme divulgado na sexta-feira.

Movimentos como esses fazem a empresa se valorizar acima da média do mercado brasileiro. As ações ordinárias da Petrobras em 2018 até o dia 10 de maio haviam apresentado valorização de 70,55% e as preferências de 59,94%; no mesmo período, o Ibovespa valorizava 12,38%. Considerando o dia 11 de fevereiro de 2016 (menor valor de mercado desde 2008) a valorização das ações ordinárias foi de 387,99% e das preferenciais de 508,75%; no mesmo período o Ibovespa valorizou 118,38%, conforme levantamento elaborado pela Economática. Com isso, a Petrobras se tornou a única empresa de capital aberto da América Latina com valor de mercado acima dos US$ 100 bilhões. A segunda da lista é a Ambev com US$ 96,3 bilhões.

Conforme analistas, a empresa tem surfado na onda de outras petroleiras ao redor do mundo que têm se beneficiado da alta do dólar e do preço do petróleo. A Petrobras é a empresa do setor que registra o maior crescimento de valor de mercado no ano de 2018 com US$ 35,59 bilhões, seguida de perto pela China Petroleum & Chemical Corp, com crescimento de US$ 34,9 bilhões.