15/09/2010

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A participação na oferta de ações da Petrobras deve ser avaliada diante de suas particularidades, da carteira de ações atual e do potencial do papel

A capitalização da Petrobras tem tirado o sono dos investidores brasileiros e estrangeiros, institucionais, financeiros e individuais há alguns meses. Enquanto as definições sobre a oferta não aconteciam, o Ibovespa “andava de lado” ou caia. No primeiro dia de reserva de ações para investidores já acionistas (13.09), o mercado fechou em alta de 1,8%, e chegou aos 68.033 pontos. No mês de setembro, o índice do qual as ações da Petrobras representam pouco mais de 10%, acumula valorização de 4,4%.

A retomada da bolsa brasileira após a capitalização da Petrobras é um movimento esperado desde o conhecimento de que fazer uma oferta de ações seria o caminho da companhia para explorar o Pré-Sal. A valorização esperada para o papel pode ser uma justificativa para investidor participar da oferta. Conforme lembra o analista e sócio da Sparta Invest, Zulmir Tres, tanto as ações preferenciais como as ordinárias da Petrobras estão defasadas em cerca de 20% em relação ao Ibovespa em 2010.

No entanto, não é só o patamar do preço do papel que deve ser avaliado para decidir sobre participar ou não desta ou de qualquer oferta. Em primeiro lugar, é importante entender porque este processo de capitalização não é igual a outros, conhecer a própria tolerância a risco, e considerar a atual composição do seu portfolio de investimentos, observa o analista da Fundamenta Administração de Recursos, André Trein. Em relação a isso, Zulmir Tres, da Sparta, explica que é preciso que o investidor avalie se tem dinheiro em caixa, se vai precisar se desfazer de algum papel para entrar na oferta e se já tem posição na Petrobras, e se vale a pena aumentar.

A peculiaridade desta oferta primária também ajuda a entender o risco de participar dela, observa o sócio da JM Investimentos, Marco Antonio Martins. O montante financeiro levantado com o lançamento destas novas ações no mercado tem um objetivo definido, diferentemente da maioria, cujo dinheiro vai para o caixa da empresa ou para o bolso do acionista controlador. O volume de R$ 120 bilhões, que é a estimativa de ganho com a oferta, será utilizado para explorar áreas já determinadas da faixa litorânea onde se estima haver óleo na camada geológica chamada de Pré-sal. “O investidor tem que entender que este dinheiro será usado em um projeto, cujos resultados devem vir em longo prazo. Além disso, o Pré-sal tem que dar certo. O Brasil depende deles, e os dividendos dos acionistas da Petrobras também”, pondera Martins.

De qualquer forma, os dividendos dos acionistas da Petrobras vão mudar daqui para frente. Não é o percentual pago do lucro líquido (pay out), de 30%, que vai sofrer alteração, mas o patrimônio da empresa, que vai aumentar. Por outro lado, pelo menos no curto prazo, o lucro líquido não deve crescer na mesma proporção. Trein, da Fundamenta, explica que o montante que a empresa espera captar alcança quase o patrimônio atual dela, que é de R$ 150 bilhões. Ou seja, a companhia vai dobrar de tamanho, e um indicador de rentabilidade importante como o ROE, que é obtido pela divisão do lucro líquido com o Patrimônio Líquido, vai diminuir.

Além disso, o investidor que não quiser participar desta oferta terá naturalmente seu percentual no capital diluído, e portanto o seu ganho com dividendos, já que a quantidade de ações em circulação vai aumentar cerca de 40%. Outra métrica que deve mudar é a avaliação do mercado, acredita o analista da Fundamenta. O Preço da ação sobre Lucro, o múltiplo chamado de P/L, que indica quantos anos o investidor pode demorar para ter o retorno do valor que investiu na empresa, deve aumentar. Dos atuais 7 ou 8, o analista acredita que o P/L deve passar a ser entre 9 e13 após a capitalização.

Mesmo diante destas questões, que podem ser consideradas de curto prazo, o potencial dos negócios com o Pré-sal, a liquidez e a importância que a Petrobras tem para a economia e para a bolsa brasileira não devem ser esquecidas. Pelo contrário, ressalta Martins. “Diante da grande possibilidade da valorização das ações da empresa daqui para frente, é razoável considerar que este é um bom momento para o investidor que ainda não investe no papel ou na bolsa começar”, acredita. Os prazos já esgotaram para os atuais acionistas. E estão terminando para os não acionistas, que tem a sua disposição um percentual de ações passíveis de reserva pequeno, 20% do total. O dia 16.09 é o último para aqueles que vão usar até 30% do valor do seu Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). E no dia 22.09, é o prazo máximo para não acionistas e fundos de investimentos fazerem suas reservas.

Elaborado e editado pela jornalista Grazieli Inticher Binkowski
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