Fundos de investimento

Fundos agressivos deslancham em 2017 e buscam novos recordes

15 JAN, 2018 / Jornalista Responsável: Grazieli Binkowski

                                   

A queda da Selic e a retomada do otimismo com a economia, casados com a boa performance da Bolsa de Valores de São Paulo (BMF&Bovespa), têm formado o cenário ideal para que pequenos investidores voltem a olhar os fundos com mais ambição. No ano passado, os fundos atingiram patrimônio recorde de R$ 4 trilhões e registraram também a maior captação líquida da história (série iniciada em 2002): foram R$ 259,8 bilhões no total. O resultado de 2017 é o dobro do verificado em 2016, de acordo com os dados da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais).

E são justamente os produtos com propostas mais ousadas que puxaram este crescimento. Entre as categorias em destaque, os holofotes estão nos Multimercados, com R$ 101 bilhões e crescimento de 414% em relação a 2016. Os fundos de Açõesreverteram os regates de R$ 4,8 bilhões de 2016 e captaram R$ 20,6 bilhões no consolidado do ano passado. A classe de Renda Fixa captou R$ 57,6 bilhões (estável em relação ao ano anterior) e a de Previdência, R$ 45,4 bilhões (queda de 5%) — justamente dois perfis conservadores que costumam subir mais quando a Taxa Básica de Juros está nas alturas, situação da economia até 2016.

"Os produtos acessíveis a todos os bolsos e a taxa de juros em queda contribuíram para atrair as atenções e as aplicações das pessoas físicas nos fundos em 2017", avalia Carlos Ambrósio, vice-presidente da Anbima. "Até novembro, o segmento pessoa física, que engloba clientes do varejo e do private banking, foi responsável por 56% dos ingressos líquidos", exemplifica. Alguns dos fundos que mais se valorizaram neste ano abrem aplicação inicial para valores relativamente baixos, parelhas com CDB, LCIs e LCAs, por exemplo, e têm taxas de administração competitivas. O XP Capital protegido Multimercado XV, por exemplo, tem taxa de 1% ao ano e aplicação inicial de R$ 15 mil, e adicional, de R$ 1 mil. Em 12 meses, a rentabilidade foi de 37%. Já o Safra Consumo - Fundo de Ações tem taxa de administração mais alta (3% ao ano), em compensação o aporte inicial é de R$ 10 mil, e o adicional, de R$ 1 mil. A rentabilidade em 12 meses chega a 50%.

Outro fator que tem empurrado investidores aos fundos é o baixo rendimento da Caderneta de Poupança, que ficou ainda menor com a queda da Selic, após mudança no gatilho para a remuneração — passou a pagar 70% da Selic + TR, em vez de 0,5% por mês mais TR. Uma pesquisa realizada pelo Blog de Valor com 1022 participantes verificou que 63% fizeram resgate da poupança nos últimos 12 meses, sendo que sete em cada dez afirmam ter optado por investimentos considerados mais promissores.

Dentre esses investimentos, 70% optaram pelo Tesouro Direto, 60% por Ativos de renda fixa ou fundos de renda fixa, 40% por Ações ou fundo de ações e 25% por fundos multimercados – cada investidor poderia escolher mais do que uma opção, por isso a soma supera 100%. Colocando na ponta do lápis, a mudança costuma valer a pena, diz André Bona, educador financeiro do Blog de Valor. "Quando se fala em fundos, o mais importante é que a taxa de administração não seja maior que 1% ao ano. Com essa condição, ele se torna, sem dúvidas, muito mais rentável", sugere Bona.

Surfando na onda do Ibovespa, os fundos compostos por ações e crédito privado tiveram valorizações expressivas em 2017. Os fundos de Ações lideraram os retornos: a média de rentabilidade dos produtos do tipo Small Caps (que reúne ativos de empresas com menor capitalização na Bolsa) foi de 44,34%. Na sequência, aparecem os tipos Ações Valor/ Crescimento (que engloba papéis de empresas com valores abaixo do preço estimado e/ou daquelas com histórico ou perspectiva de crescimento) e Ações Índice Ativo (cuja gestão tem o objetivo de superar o respectivo benchmark), com rendimentos de 29,85% e 29,17%, respectivamente.

Mas mesmo opções de renda fixa não decepcionaram. A categoria Renda Fixa Duração Alta Crédito Livre (que pode aplicar em papéis de risco maior e de prazos mais longos) teve retorno médio de 14,20% e o Renda Fixa Indexados (que busca seguir as variações de indicadores de referência do mercado) registrou 12,23%. Entre os Multimercados, os tipos Long and Short Direcional (que faz operações de ativos e derivativos ligados à renda variável, montando posições compradas e vendidas) e Macro (que realiza operações com estratégias baseadas em cenários macroeconômicos de médio e longo prazos) registraram rentabilidades média de 15,61% e 14,08%, respectivamente.

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