Dólares caindo

Alta do dólar deve perder fôlego, diz especialista

14 SET, 2018 / Jornalista Responsável: Grazieli Binkowski

                                   

O salto do dólar na quinta-feira (13) assustou os mercados – encerrou o dia a R$ 4,19, maior valor de fechamento já registrado desde a criação do real, considerando ajustes de inflação. Na máxima do dia, a moeda chegou a bater em R$ 4,20. Já a moeda para turismo fechou o pregão negociado a R$ 4,36, sem considerar a cobrança do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras). Se a variação acenou um alerta para alguns analistas de mercado, parte dos especialistas amenizam a pressão.

Diretor da NGO Corretora, Sidney Nehme afirma que o movimento recente é especulativo, e não há motivos para acreditar que a moeda permanecerá situada acima dos R$ 4 – e tampouco rompa a barreira dos R$ 5, como profetizam alguns.

"O Brasil de fato tem um quadro econômico ruim, mas possui uma política cambial sólida e reservas internacionais acima de US$ 380 bilhões", explica Nehme.
"Não há risco de crise cambial e não vemos nenhum movimento de fuga de capital que justifique esta alta, apenas um movimento especulativo que tenta inflar o câmbio. Não há sentido em temer uma contaminação com a situação cambial da Turquia e da Argentina, que possuem déficit em conta corrente bem maiores que o brasileiro e não dispõem das mesmas reservas", avalia.

O temor de contágio se acentuou em razão de o Banco Central da Turquia elevar a taxa de juros de 17,75% para 24%, acima das expectativas do mercado (22%). A medida visa conter, entre outros motivos, a forte saída de dólares do país. A lira turca deu um salto acentuado com a notícia, se valorizando 3% acima do dólar americano a partir do fechamento de quarta-feira, conforme relatório da Rico Investimentos.

Nehme sustenta que o Banco Central brasileiro tem evitado fazer intervenção por swaps cambial para não lançar combustível sobre a especulação e nem emitir sinais de crise. Além disso, o Boletim Focus, que reúne projeções de analistas de mercado, tem previsto o câmbio a R$ 3,80 ao final do ano, mesmo com as recentes oscilações.

"Os analistas que acompanham mais de perto o câmbio sabem que, mesmo que haja vitória nas eleições presidenciais de um candidato menos afeito às reformas, a solidez cambial brasileira não mudará", analisa.