Cenário internacional não permitirá que real desvalorize

 

O termo "guerra cambial" ou "tsunami de dólares" utilizado pelo Governo Federal para nomear a forte entrada de recursos internacionais em mercados como o brasileiro nada mais é, segundo especialistas, que o resultado de uma combinação de fatores que tem como efeito final a formação da taxa de câmbio. No Brasil, ela está depreciada em 4,5% em 2012, mas o enfraquecimento do real frente ao dólar não deve ter força por muito tempo, considerando o cenário traçado pelos economistas entrevistados. Essa é a expectativa especialmente porque o quadro esperado para este ano mantém sinais ou eventos semelhantes e que foram determinantes para que o real terminasse o ano de 2011 apreciado em relação ao dólar em 12,3%.


 

Apesar do economista da Fundação de Economia e Estatística do Rio Grande do Sul (FEE-RS) Augusto Pinho De Bem não trabalhar com perspectivas exatas para a taxa de câmbio brasileira, ele destaca que o dólar tem apresentando um enfraquecimento contínuo, acompanhando a perda de poder da própria economia americana, e que essa trajetória não deve acabar por enquanto. Na visão de De Bem, a política monetária dos Estados Unidos nos últimos anos, com forte injeção de recursos na economia doméstica para compor balanços patrimoniais de instituições financeiras e conter uma nova crise sistêmica, ainda é um dos drivers mais importantes para a formação da taxa de câmbio no Brasil.


"Neste ano é muito provável que não estoure uma crise e que os Estados Unidos continue apresentando uma cerca recuperação. No entanto, não há ímpeto para que haja retomada nos empréstimos e que os investimentos no mercado interno e no setor exportador se recupere, mesmo diante do desemprego baixo e de uma expectativa de que haja retomada do PIB nos níveis anteriores à crise de 2008 no próximo ano", argumenta o economista da FEE-RS. Por isso, mesmo com uma relativa calmaria na economia mais importante do mundo, o fato de sempre haver possibilidade de novo estouro da crise, especialmente devido à crise europeia não estar resolvida, na opinião de De Bem, não dá para afirmar que 2012 terá uma volatilidade menor, inclusive, na taxa de câmbio.


A conclusão que se chega com a análise do economista-chefe da TOV Corretora Pedro Paulo Silveira é que também no mercado financeiro não dá para esperar um ano menos volátil. "O efeito do forte fluxo de capital estrangeiro na bolsa deveria ser de valolrização das ações e continuidade da queda dos juros no Brasil. O problema é que o cenário de turbulência internacional está atuando para que o contrário aconteça", esclarece o economista da TOV. Combinado com isso existe o fato de que a Europa ainda está vivendo uma recessão e que uma das estratégias para combatê-la é o esforço por liberar recursos através dos Bancos Centrais. Isso mantém a liquidez internacional nestes níveis e dificulta uma resposta diferente do cenário cambial brasileiro.


Outros fatos que contribuem para continuidade da entrada de recursos no país e a consequente valorização da moeda brasileira frente à moeda americana é a característica exportadora da nossa economia e o nível da nossa taxa de juros. Nem a queda ou a continuidade dessa tendência para a Selic, nem a entrada do Banco Central brasileiro no mercado de cambial, comprando dólares para diminuir o volume de recursos ou impondo medidas restritiva ao capital de curto prazo, como o aumento do IOF, impedem que o valor da moeda ameriana caia em relação ao real. Ou seja, o cenário internacional vai prevalecer frente ao interno.


Na visão de Pedro Paulo Silveira, da TOV, esse é um quadro de no mínimo três anos. "É difícil estabelecer um prazo ou definir perspectivas exatas para taxa de câmbio, mas o cenário que poderia mudar o atual rumo está piorando", define . As consequencias disso são vistas na economia global. Isso singnifica que a demanda por bens brasileiros diminui, devido à valorização da moeda nacional frente ao dólar, e por isso aumenta a pressão de bens importados no mercado interno. Isso afeta a balança comercial brasileira. Por isso, mesmo diante da recuperação da economia americana, a visão do economista da TOV é que a crise da Europa, neste momento, influencia mais o cenário global, o brasileiro e a formação da taxa de câmbio do que qualquer outra medida interna.

 

 

*Editado e Publicado em 12/03/2012

Elaborado e editado pela jornalista Grazieli Inticher Binkowski
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