Economia americana

A economia americana voltou a crescer — E você pode ganhar muito dinheiro com isso

11 DEZ, 2017 / Jornalista Responsável: Grazieli Binkowski

                          

A retomada do crescimento da economia americana, alimentada por políticas de estímulo pelo governo Donald Trump, pode chegar — quem diria — ao bolso do investidor brasileiro. Com boas perspectivas de elevação do consumo nos Estados Unidos, empresas daquele país tendem a aumentar seu faturamento, margens de lucro e, é claro, a cotação das ações. Em novembro, um dos principais indicadores da bolsa de Nova York, o Dow Jones, voltou a bater recorde histórico, acima dos 23 mil pontos. E a boa notícia é que o caminho para os brasileiros surfarem nesta onda é relativamente simples.

Mais de 120 empresas estrangeiras, boa parte delas americanas, disponibilizam suas ações na Bolsa de Valores brasileira, sob a alcunha de BDRs (Brazilian Depositary Receipts). Do próspero território americano, há na bolsa brasileira papéis de algumas das maiores companhias do planeta como Amazon, Walmart, Apple, Google, General Motors e McDonald's. São empresas que tem motivos para festejar o crescimento em "casa": conforme o Fundo Monetário Internacional (FMI), a economia americana deve crescer 2,3% em 2018, número levemente superior aos 2,2% previstos para este ano.

Quem ainda não aplica em BDRs, mas tem interesse, deve se apressar: o ciclo de alta dessas ações já começou. Nos últimos 12 meses encerrados em 1o de dezembro, o índice de BDRs, o BDRX, subiu 16%, aos 4.717 pontos. É a maior cotação em cinco anos — período no qual há dados disponíveis no portal da BM&FBovespa. Apenas em 2017, a valorização é de 19,2% - desempenho similar ao do Ibovespa, que subiu 19,9% no período.

Além da questão econômica, compor a carteira com BDRs traz a vantagem de acessar valores mobiliários de companhias estrangeiras sem ter que pagar os custos relacionados à remessa de recursos para o Exterior, além de possibilidade de diversificação de investimentos com ativos locais e estrangeiros. As operações são realizadas no Brasil e a liquidação é feita em reais, o que simplifica o processo. "A negociação dos BDR's ocorre de forma equivalente aos demais valores mobiliários brasileiros, como Ações e Fundos Imobiliários, podendo ser transacionados em bolsas de valores ou no mercado de balcão organizado, inclusive através de Homer Broker das corretoras", explica Tiago Reis, fundador da Suno Research.

A aplicação pode ser feita por meio de fundos de instituições financeiras ou via home broker, diretamente por investidores pessoa física com aplicações superiores a R$ 1 milhão (investidor qualificado). Tiago Lacerda, gestor da empresa Aprenda Investimentos, alerta para quem não é investidor qualificado, que neste caso há apenas a opção de investir pelos fundos bancários, sem flexibilidade de escolher quais ações serão compradas.

Neste caso, os custos são semelhantes aos de outros fundos, com taxas de administração que costumam variar de 1% a 3% ao ano. Incide o imposto de renda na fonte sobre os rendimentos auferidos pelo fundo, à alíquota de 15%. No fundo Caixa FI Ações BDR Nível I, que busca acompanhar o índice BDRX, por exemplo, a taxa de administração é de 1,5%, e a rentabilidade acumulada em 12 meses até final de outubro chegava a 22,8% (neste período, o BDRX variou 25,1%). A aplicação inicial é de R$ 10 mil, e os aportes adicionais ficam em R$ 500. Em outro exemplo, o fundo Alaska Black de Ações BDR Nível I, exige investimento inicial de R$ 5 mil, mas a taxa de administração sobe para 2% ao ano. Há, ainda, uma taxa de performance de 20%. Com patrimônio de R$ 507 milhões, rendeu 64% em 12 meses.

A regulamentação dos BDRs – Instrução CVM nº 332, de 04 de abril de 2000 – os classifica em diferentes níveis, conforme as características de divulgação de informações, distribuição e negociação e a existência ou não de patrocínio das empresas emissoras.

A instrução prevê a existência do BDR não-patrocinado, que é o programa instituído por uma ou mais instituições depositárias emissoras de certificado, sem um acordo com a companhia emissora, somente admitindo negociação nos moldes do BDR Patrocinado Nível I. Já os BDRs patrocinados nível II e III se caracterizam por exigir registro da companhia emissora na CVM e serem admitidos à negociação em mercados de balcão organizado ou bolsa de valores. A diferença entre eles é que o BDR patrocinado nível III é registrado na hipótese de distribuição pública simultânea no exterior e no Brasil.