Previsões para o dólar

Veja previsões para o dólar até o final do ano

11 JUL, 2018 / Jornalista Responsável: Grazieli Binkowski

                                   

A pressão sobre o dólar tem levado o mercado a revisar, a cada semana, sua projeção de câmbio para o final do ano. As pressões externas, agravadas com a guerra comercial entre Estados Unidos e China, e as internas, em particular com a crise fiscal e política do país, levaram as projeções para o fim de 2018 a subirem de R$ 3,50, há um mês, para R$ 3,70 na semana passada. Os dados estão no Boletim Focus do Banco Central. Desde janeiro, a cotação saltou de R$ 3,25 para R$ 3,93 – alta de 21,67%. Em um ano, o crescimento foi de 20,7%.

"A disputa comercial entre EUA e China continua no radar dos investidores, especialmente com as tarifas a importações aplicadas por ambos os lados", analisa Roberto Indech, analista-chefe da Rico Investimentos.

Economistas também apontam a fuga de investidores do Brasil e a atuação discreta do Banco Central em swaps cambiais como um elemento a mais para ampliar a pressão sobre o dólar. Além disso, o mercado está atento às decisões do Federal Reserve (FED, o Banco Central americano), que pode decidir por novas elevações nas taxas de juros, o que aumentaria o fluxo de dólares para o mercado americano.

Economistas avaliam que a fase mais intensa de valorização da moeda está se extinguindo, mas isso não significa um recuo na cotação.

"A questão para julho é que boa parte do processo de correção já foi feito, e entre o início de maio e o final de junho o dólar subiu 9%", afirma André Perfeito, economista-chefe da corretora Spinelli.
"Ao longo deste mês irão persistir pressões desfavoráveis ao país, mas não na mesma intensidade de antes", completa.

Para ele, a previsão é que haja uma continuidade na valorização, mas em intensidade mais fraca.

"Mantemos assim nosso call de dólar a R$ 4,00 ao final do ano", reforça Perfeito.

Parte dos analistas financeiros evitam cravar um valor para o dólar até o final do ano, em razão da imprevisibilidade da situação política e econômica – além de eventuais desdobramentos da crise entre Estados Unidos e China.

"Diante desse cenário, qualquer previsão para os próximos meses, até o período das eleições, será uma mera especulação, isso porque atravessamos uma crise financeira e política", reforça Reinaldo Domingos, educador financeiro do Instituto Dsop.
"Essa situação tem impactos diretos em nossas vidas, na nossa rotina, sejam positivos ou negativos."

Domingos cita como parte positiva da alta do dólar os efeitos sobre algumas aplicações financeiras. Ou seja, pessoas que compram o dólar propriamente dito ou que investem em fundos atrelados a ele estão celebrando a valorização. Para as exportadoras a notícia também pode ser interessante, pois ganham vantagem em relação aos produtos concorrentes em outros mercados, uma vez que o preço brasileiro estará bem mais competitivo.

Do lado negativo, com as férias do meio de ano chegando, quem estava pensando em viajar para fora do país e precisaria trocar o real pelo dólar terá que repensar os gastos. O valor da viagem pode aumentar bastante, pois entram na conta a passagem aérea, passeios, IOF do cartão de crédito etc, tudo dolarizado.

"Àqueles que ainda não tinham se programado para uma viagem internacional, não é que devam desistir, muito pelo contrário, mas talvez adiá-la para se planejar melhor e não correr o risco de se endividar seriamente", diz Domingos.

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