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A elevação do número de contratos operados e
do volume em 2009 veio quase que se contrapondo à redução em todos os
outros mercados de derivativos, acompanhando à crise mundial. Para o
gerente comercial da Ágora Invest, Hélio Pio, os mini-contratos se
apresentaram como uma alternativa para que o investidor não vendesse sua
carteira de ações no mercado à vista, se protegesse e obtivesse ganhos
diante de uma tendência de queda. Ele observa que as próprias corretoras
foram importantes para a popularização desses instrumentos, promovendo
cursos e palestras.
O superintendente de marketing do Banif Invest, Bruno Giorgio, lembra que
a expansão dos negócios desses contratos também foi uma conseqüência do
desenvolvimento do próprio mercado de renda variável e da queda da taxa de
juros. Desenvolvidos especialmente para o pequeno investidor, as operações
com minis, porém, são alavancadas. Isto significa que para começar a
operar não é preciso pagar pelo valor do contrato inteiro, mas com a
chamada margem de garantia.
O valor inicial para comprar 1 contrato de mini-Ibovespa varia entre R$
2.300 e R$ 2.600, conforme a data de vencimento; e de R$ 2.300 a R$ 1.600
para o mini-dólar. No entanto, a cada dia até a data final, conforme a
queda ou o ganho do Ibovespa, é debitado ou creditado na conta do investir
o valor relativo aos pontos ganhos ou perdidos pelo índice ou a variação
do dólar, o que se chama ajuste diário. No vencimento do contrato, a conta
é zero. Isto significa que, apesar de ter iniciado a operação com um valor
garantia, o investidor deve pagar ou ganhar o equivalente ao mini-contrato
cheio.
Um contrato cheio do Ibovespa custa o equivalente ao seu número de pontos.
No entanto, para operá-los, é necessário o mínimo de 10 contratos,
ressalta o superintendente de alocação de recursos do banco Fator, Marcelo
Figueiredo. Ou seja, cerca de R$ 700 mil com o Ibovespa no patamar de 70
mil pontos. Para ele, a margem inicial é de R$ 140 mil. O contrato mini é
0,20% do grande. Portanto, vale R$ 14 mil. Se o Ibovespa subir 10% em 1
dia, ele alcançará 77 mil pontos. Isso significa que o investidor que tem
1 contrato do mini terá ganho R$ 1.400. O mesmo acontece na queda. Isso
demonstra o quanto o mercado é alavancado, exemplifica Figueiredo, pois o
ganho no exemplo acima equivaleria a 50% do capital empregado no primeiro
dia, através da margem garantia.
Operações
Os mini-contratos foram lançados com o objetivo de que o pequeno
investidor pudesse proteger sua carteira de ações ou suas operações de
venda ou compra de bens físicos com o mercado externo. No caso do
mini-Ibovespa, é possível se o investidor tem uma carteira de ações
semelhante à composição índice, adverte Pio, da Ágora. “Não é necessário
que um portfólio no mercado à vista tenha uma valor mínimo, mas que seja
possível identificar uma semelhança com a formação do Ibovespa”, explica.
Para o responsável pelas operações de bolsa no Banco Indusval, Paulo
Nassutti Filho, é um mercado muito arriscado, e, por isso, não
recomendaria para investidores com carteiras ou operações com moedas com
valores inferiores a R$ 100 mil ou R$ 200 mil. “Os minis normalmente são
usados pelos operadores profissionais para “girar” posições próprias ou
portfólios de clientes no dia a dia”, detalha Nassutti Filho.
O superintendente de operações da Corretora Souza Barros, Ricardo Pinto
Nogueira afirma que com 1 mini-contrato já é possível fazer uma operação
de proteção de carteira ou do valor de dólar em um determinado período.
Para ele, o aumento dos negócios nesses contratos reflete o
desenvolvimento do mercado de capitais e as facilidades tecnologicas
presentes cada vez mais ao longo dos anos. “A volatilidade de 2009
propiciou um grande giro de operações de 1 dia, e isso elevou a liquidez
no mercado e atraiu a pessoa física”, explicou Nogueiro, ressaltando a
utilização dessas operações para o “giro”de carteiras, como afirmou
Nassutti Filho, da Indusval.
Para 2010, essa volatilidade deve continuar presente. Por isso, os
negócios com mini-contratos permanecerão aumentando. No entanto, a
volatilidade deve ser diferente do ano passado, pois será baseada em dados
mais concretos, na opinião de Hélio Pio, da Ágora. “Isso vai exigir que o
investidor acompanhe mais de perto o mercado financeiro e, diante de
momentos de maior incerteza ou mais nervosos, ele poderá aproveitar o
mercado derivativos e operar através de minis para proteger suas
operações”, recomenda.
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Contratos |
Volume 2008/R$ Milhões
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Volume 2009/R$ Milhões
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Variação % |
Contratos 2008 |
Contratos 2009 |
Variação % |
|
Ibovespa Futuro |
51.459,68 |
96.388,09 |
87,31 |
19.129,54 |
15.229,53 |
-20,39 |
|
Mini Ibovespa Futuro |
5.973,35 |
12.734,15 |
113,18 |
9.238,94 |
11.385,42 |
23,23 |
|
Dólar comercial Futuro |
563.575,64 |
453.226,56 |
-19,58 |
83.373,35 |
61.133,00 |
-26,68 |
|
Mini de Dólar Comercial |
129,055 |
745,692 |
477,809461 |
129,104 |
486,622 |
276,922481 |
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Fonte: dados consolidados do período de janeiro a novembro dos
respectivos anos levantados pela BM&Fbovespa |
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