Índice para outras matérias sobre Investimentos

Volatilidade esperada para 2010 deve ser operada com os mini-contratos


A mudança de cenário financeiro mundial e o aumento da volatilidade entre os anos de 2007, 2008 e 2009 não impediram que o investidor pessoa física continuasse aumentando suas operações. O incremento da participação no mercado brasileiro, que de 2007 para 2008 foi de 17,5% e de 2008 para 2009 foi de 3,03%, atingiu 552.750 investidores e exigiu um conhecimento maior de opções diversas de investimento. Um dos efeitos desse movimento foi o aumento da negociação dos mini-contratos de Ibovespa e de dólar no ambiente eletrônico da BM&F. Esses derivativos de tamanho reduzido em relação aos contratos padrões são operados na plataforma online – a webtrading, e foram lançados há poucos anos, com o objetivo de que investidores com valores menores pudessem operar no mercado futuro.


A elevação do número de contratos operados e do volume em 2009 veio quase que se contrapondo à redução em todos os outros mercados de derivativos, acompanhando à crise mundial. Para o gerente comercial da Ágora Invest, Hélio Pio, os mini-contratos se apresentaram como uma alternativa para que o investidor não vendesse sua carteira de ações no mercado à vista, se protegesse e obtivesse ganhos diante de uma tendência de queda. Ele observa que as próprias corretoras foram importantes para a popularização desses instrumentos, promovendo cursos e palestras.

O superintendente de marketing do Banif Invest, Bruno Giorgio, lembra que a expansão dos negócios desses contratos também foi uma conseqüência do desenvolvimento do próprio mercado de renda variável e da queda da taxa de juros. Desenvolvidos especialmente para o pequeno investidor, as operações com minis, porém, são alavancadas. Isto significa que para começar a operar não é preciso pagar pelo valor do contrato inteiro, mas com a chamada margem de garantia.

O valor inicial para comprar 1 contrato de mini-Ibovespa varia entre R$ 2.300 e R$ 2.600, conforme a data de vencimento; e de R$ 2.300 a R$ 1.600 para o mini-dólar. No entanto, a cada dia até a data final, conforme a queda ou o ganho do Ibovespa, é debitado ou creditado na conta do investir o valor relativo aos pontos ganhos ou perdidos pelo índice ou a variação do dólar, o que se chama ajuste diário. No vencimento do contrato, a conta é zero. Isto significa que, apesar de ter iniciado a operação com um valor garantia, o investidor deve pagar ou ganhar o equivalente ao mini-contrato cheio.

Um contrato cheio do Ibovespa custa o equivalente ao seu número de pontos. No entanto, para operá-los, é necessário o mínimo de 10 contratos, ressalta o superintendente de alocação de recursos do banco Fator, Marcelo Figueiredo. Ou seja, cerca de R$ 700 mil com o Ibovespa no patamar de 70 mil pontos. Para ele, a margem inicial é de R$ 140 mil. O contrato mini é 0,20% do grande. Portanto, vale R$ 14 mil. Se o Ibovespa subir 10% em 1 dia, ele alcançará 77 mil pontos. Isso significa que o investidor que tem 1 contrato do mini terá ganho R$ 1.400. O mesmo acontece na queda. Isso demonstra o quanto o mercado é alavancado, exemplifica Figueiredo, pois o ganho no exemplo acima equivaleria a 50% do capital empregado no primeiro dia, através da margem garantia.

Operações

Os mini-contratos foram lançados com o objetivo de que o pequeno investidor pudesse proteger sua carteira de ações ou suas operações de venda ou compra de bens físicos com o mercado externo. No caso do mini-Ibovespa, é possível se o investidor tem uma carteira de ações semelhante à composição índice, adverte Pio, da Ágora. “Não é necessário que um portfólio no mercado à vista tenha uma valor mínimo, mas que seja possível identificar uma semelhança com a formação do Ibovespa”, explica.

Para o responsável pelas operações de bolsa no Banco Indusval, Paulo Nassutti Filho, é um mercado muito arriscado, e, por isso, não recomendaria para investidores com carteiras ou operações com moedas com valores inferiores a R$ 100 mil ou R$ 200 mil. “Os minis normalmente são usados pelos operadores profissionais para “girar” posições próprias ou portfólios de clientes no dia a dia”, detalha Nassutti Filho.

O superintendente de operações da Corretora Souza Barros, Ricardo Pinto Nogueira afirma que com 1 mini-contrato já é possível fazer uma operação de proteção de carteira ou do valor de dólar em um determinado período. Para ele, o aumento dos negócios nesses contratos reflete o desenvolvimento do mercado de capitais e as facilidades tecnologicas presentes cada vez mais ao longo dos anos. “A volatilidade de 2009 propiciou um grande giro de operações de 1 dia, e isso elevou a liquidez no mercado e atraiu a pessoa física”, explicou Nogueiro, ressaltando a utilização dessas operações para o “giro”de carteiras, como afirmou Nassutti Filho, da Indusval.

Para 2010, essa volatilidade deve continuar presente. Por isso, os negócios com mini-contratos permanecerão aumentando. No entanto, a volatilidade deve ser diferente do ano passado, pois será baseada em dados mais concretos, na opinião de Hélio Pio, da Ágora. “Isso vai exigir que o investidor acompanhe mais de perto o mercado financeiro e, diante de momentos de maior incerteza ou mais nervosos, ele poderá aproveitar o mercado derivativos e operar através de minis para proteger suas operações”, recomenda.


 

Contratos

Volume 2008/R$ Milhões

Volume 2009/R$ Milhões

Variação %

Contratos 2008

Contratos  2009

Variação %

Ibovespa Futuro

51.459,68

96.388,09

87,31

19.129,54

15.229,53

-20,39

Mini Ibovespa Futuro

5.973,35

12.734,15

113,18

9.238,94

11.385,42

23,23

Dólar comercial Futuro

563.575,64

453.226,56

-19,58

83.373,35

61.133,00

-26,68

Mini de Dólar Comercial

129,055

745,692

477,809461

129,104

486,622

276,922481

Fonte: dados consolidados do período de janeiro a novembro dos respectivos anos levantados pela BM&Fbovespa

 

 


Elaborado e editado pela jornalista Grazieli Inticher Binkowski

redacao@acionista.com.br 


Advertência: As informações econômico financeiras apresentadas no Acionista.com.br são extraídas de fontes de domínio público, consideradas confiáveis. Entretanto, estas informações estão sujeitas a imprecisões e erros pelos quais não nos responsabilizamos.

As opiniões de analistas, assim como os dados e informações de empresas aqui publicadas são de responsabilidade única de seus autores e suas fontes.

O objetivo deste portal é suprir o mercado e seus clientes de dados e informações bem como conteúdos sobre mercado financeiro, acionário e de empresas. As decisões sobre investimentos são pessoais, não podendo ser imputado ao acionista.com.br nenhuma responsabilização por prejuízos que eventualmente investidores ou internautas, venham a sofrer.

O acionista.com.br procura identificar e divulgar endereços na Internet voltados ao mercado de informação, visando manter informado seus usuários mais exigentes com uma seleção criteriosa de endereços eletrônicos. Essa divulgação é de forma única, e os domínios divulgados são direcionados a todos os internautas por serem de domínio público. Contudo, enfatizamos que não oferecemos nenhuma garantia a sua integralidade e exatidão, não gerando portanto qualquer feito legal.