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Por que os Fundos Imobiliários superam o Ibovespa em 2017?

10 MAI, 2017 / Jornalista Responsável: Grazieli Binkowski /

Depois de anos de marasmo, os Fundos de Investimentos Imobiliários (FIIs) voltam a agitar o mercado. Em março, última estatística divulgada na B3 (BMF&Bovespa junto com a Cetip), o volume negociado de FII foi de R$ 555,13 milhões, superior ao registrado em fevereiro (R$ 470,61 milhões) e em igual período de 2016 (R$ 402 milhões). O número de investidores pessoa física – essenciais para trazer liquidez a este mercado – voltou a subir (1,25%), ao atingir 90.976, ante 89.851 investidores em fevereiro.

"Há uma percepção de que a vacância pode ter atingido seu pico, podendo agora atravessar um momento de estabilização, com os fundos do segmento Comercial alternando entre saídas e entradas de novos locatários", explica Julio Hegedus Netto, economista-chefe Lopes Filho & Associados. "Alguns administradores já demonstraram uma visão de que a procura por espaços começa a dar sinais de maior atividade, mas com a ressalva de que ainda há desequilíbrio entre oferta e demanda".

As valorizações desses fundos na Bolsa também seguem de vento em popa. O IFIX (Índice de Fundos de Investimentos Imobiliários) subiu 9,81% até dia 8 de maio, no acumulado de 2017, e o IMOB (Índice Imobiliário), 23,63%. Ambos superam o Ibovespa, que valorizou 8,84% no período, conforme análise de Netto.

Apesar da euforia, a seletividade na escolha da carteira segue fundamental, com maior participação para os de gestão ativa, diversificação geográfica e observando bons fundamentos (com destaque para menor vacância, boa localização, previsibilidade e diversificação de fontes de receitas e liquidez), recomenda o especialista. "Para selecionar os melhores fundos, deve se ater a três regras: boa localização do imóvel, qualidade dos ativos envolvidos e situação dos locatários", reforça.

Conforme o Clube FII, serviço que reúne informações sobre fundos imobiliários no país, as principais vantagens dessa aplicação estão em obtenção de renda mensal, via pagamento do aluguel, e a possibilidade de obter lucro no momento da venda, caso as cotas se valorizem. Quando o fundo recebe o valor mensal dos inquilinos, 95% do lucro são repassados aos cotistas.

De acordo com o consultor financeiro Juliano Custódio, do Portal EuQueroInvestir.com, os FIIs são uma boa opção para quem sonha em colocar um imóvel para alugar, mas não pode arcar com as altas taxas de uma compra sozinho – e nem o risco de ver seu imóvel "empacar" sem conseguir locador. "Uma vantagem dos FIIs é que são imóveis de grande porte e ótima localização, como shoppings, edifícios empresariais, hotéis, colégios, faculdade, hospitais, indústrias etc", explica.

Os custos de participar de um FII são relativamente baixos, explica o analista. O valor de compra gira em torno de R$ 10 (depende da corretora) e o custo para manter os investimentos (taxa de custódia) é de aproximadamente R$ 12 ao mês. As cotas também são relativamente baixas: já há fundos imobiliários vendidos por menos de R$ 10, e outros, por no mínimo R$ 5 mil. "Mas sempre há de se observar os riscos, que vão além do sobe e desce dos preços e que devem ser avaliados na hora de você investir em Fundos Imobiliários", alerta Custódio.