Tesouro Direto

Saiba como escolher os melhores títulos no Tesouro Direto

10 ABR, 2018 / Jornalista Responsável: Grazieli Binkowski

                                   

Taxas de juros e inflação em baixa são cruéis para quem busca rentabilidade na renda fixa. Ainda assim, os Títulos do Tesouro seguem ganhando espaço na preferência de investidores. Em fevereiro, 69,8 mil novos participantes se cadastraram no Tesouro Direto, conforme o relatório mais recente do Tesouro Nacional. O número total de investidores cadastrados atingiu 1,985 milhão, o que representa aumento de 58,9% nos últimos doze meses. O número de investidores ativos chegou a 581,4 mil, alta de 31,6% nos últimos doze meses.

Tal interesse impulsiona o movimento financeiro: em fevereiro, o estoque do Tesouro Direto alcançou um montante de R$ 47,3 bilhões, o que significa aumento de 10,2% sobre fevereiro de 2017 (R$ 42,9 bilhões). "Algumas pessoas que acompanham mais de perto o mercado de ações têm se aventurado na bolsa, em particular para alcançar sonhos distantes, mas na renda fixa, em que transitam a maior parte dos investidores, minha recomendação para proteger o patrimônio no longo prazo é justamente o Tesouro Direto, além da Previdência Privada (que tem abatimento no Imposto de Renda para algumas modalidades)", afirma Reinaldo Domingos, presidente da Associação Brasileira de Educadores Financeiros (Abefin).

A chave para quem quer aplicar em títulos públicos é avaliar quais papéis são mais atraentes – e para isso é importante levar em conta a situação da economia e, principalmente, a tendência para taxa de juros e Selic. Alguns títulos públicos possuem uma taxa prefixada, combinada no momento da compra do papel, como é o caso do Tesouro Prefixado (LTN). Hoje, o título prefixado com vencimento mais curto, para 2021, remunera 8,10% ao ano. Trata-se de um rendimento mais alto do que a atual Selic, que é de 6,50%. "A taxa é revisada diariamente e recebe uma marcação a mercado. Essa marcação indica quanto vale um determinado título naquele dia. Ela usa a conjuntura em que o país vive para precificar o papel", explica o educador Financeiro do Blog de Valor, André Bona.

Como alerta, vale destacar que o título pré-fixado também é considerado mais arriscado: se a Selic subir no futuro, o investidor estará deixando de lucrar mais na renda fixa, ao passo que concordou com uma taxa mais baixa; caso a inflação supere o índice estabelecido, o poder de compra será prejudicado. "Quando não se analisa que existirão melhores oportunidades de investimento em um curto prazo, surge o risco de perder dinheiro no Tesouro", sublinha André Bona.

Aparentemente, os investidores estão atentos – e têm repelido – este risco. Em fevereiro, o título mais demandado pelos investidores foi o indexado à Selic (Tesouro Selic, que é balizado pela Selic futura), cuja participação nas vendas atingiu 46,6%. Os títulos indexados à inflação (Tesouro IPCA+ e Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais) corresponderam a 36% do total, e os prefixados ficaram na última posição, com 17,4% do total.

Nas duas opções mais buscadas, há mais segurança, em particular para taxas atreladas à inflação, e que pagam um bônus semestral adicional. Ou seja, é a garantia que o valor ficará protegido (e terá algum ganho) sobre a variação de preços – desde que não seja sacado antes do vencimento, sob penalização de perder o rendimento extra. Hoje, o título do gênero de mais breve liquidação (2024) paga a variação do IPCA adicionado de 4,51% ao ano. Já o Tesouro Selic, com vencimento para 2023, remunera conforme a Selic futura – que o mercado avalia que poderá voltar a ter um ciclo de altas a partir do final do ano, em razão de uma eventual pressão inflacionária.

Outro ponto relevante para escolher o melhor papel é observar os custos operacionais, lembra André Bona: "Quem fica com uma aplicação por menos de 180 dias (e vende antes do vencimento, por necessidade ou tentativa de especular) precisa pagar uma alíquota de IR de 22,5%. Já quem fica com o título por mais de 720 dias, paga 15% sobre os rendimentos. Se a pessoa vender um papel até 30 dias depois de ter comprado, precisará pagar o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Portanto, quem carrega uma posição por mais tempo pode ganhar mais dinheiro no Tesouro Direto ao reduzir ou eliminar as taxas cobradas nas transações".