nota de dolar

Dólar: Reversão de expectativas e câmbio a R$ 3 no fim do ano

10 JAN, 2017 / Jornalista Responsável: Grazieli Binkowski /

Após certo pavor do mercado com a eleição de Donald Trump e o acirramento das relações políticas em Brasília, que jogavam as estimativas do dólar para a casa dos R$ 3,80, o mercado se tornou mais contido nas projeções para 2017. O último relatório Focus, do Banco Central, derrubou a previsão da taxa de câmbio de R$ 3,39 para R$ 3,30 ao final de 2017 - uma pequena variação em relação à cotação atual de R$ 3,19.

"Houve aumento da desconfiança por parte dos analistas em novembro e dezembro, com o cenário do juro americano e a surpresa da eleição de Trump, além da frustração com o PIB brasileiro e escândalos da equipe de Michel Temer, como o episódio de Geddel Vieira Lima (ex-ministro da Secretaria de Governo)", relembra Valter Bianchi Filho, sócio da Fundamenta Investimentos. "Mas aos poucos o mercado passou a enxergar o outro lado da moeda: tem havido grande ingresso de capital estrangeiro no Brasil, por meio de investimento direto e resultado da balança comercial, o que tem ajudado a equilibrar o câmbio", completa o analista, que prevê um dólar entre R$ 3,10 e R$ 3,30 ao final de 2017.

Economistas avaliam que as variações da divisa estarão atreladas às questões econômicas do Brasil (em particular as reformas e a trajetória da Taxa de Juros), medidas mais sólidas do governo Trump e suas consequências para o comércio internacional e eventuais oscilações nos preços das commodities minerais e agrícolas, que mexem diretamente no fluxo de capital no país. A outrora temível alta no juro americano, promovida pelo Federal Reserve (Fed, o BC dos EUA), ficou em segundo plano e não deve reverter a tendência de baixa da moeda no Brasil, avalia Paulo Figueiredo, Diretor de operações da FN Capital.

"A situação é de certa pressão para aumentar os juros ao passo que a economia americana vá se recuperando, mas acredito que isto não será decisivo no valor da moeda frente ao Brasil", afirma Figueiredo, que prevê que a moeda continue em tendência de baixa, podendo chegar à casa dos R$ 3,00 ou R$ 3,10 com um cenário de melhora caso as reformas propostas pelo governo Temer sejam aprovadas no Congresso. "Este valor esperado é ótimo tanto para o importador quanto para o exportador, e o Banco Central buscará por esse equilíbrio em 2017", aponta.

Fernando Bergallo, diretor de Câmbio da FB Capital, avalia que a movimentação do câmbio tenderá a se aproximar mais dos fundamentos econômicos, passado um período de intensa especulação. O cenário se tornou mais claro ao mercado: no front externo, deu-se em dezembro a decisão do Fed em definir a nova taxa de juros e sua projeção até 2019. Já no âmbito doméstico, passados os principais capítulos da Lava Jato e da crise politica, a especulação também tenderá a se dissipar e o câmbio passar a responder em função das reformas de ajuste econômico e demais fundamentos econômico-sociais, avalia. "O cenário de câmbio a R$ 3,30 para o final de 2016, previsto pela maioria do mercado desde novembro, confirmou-se. E é com esse patamar que o mercado continuará trabalhando no primeiro semestre de 2017", prevê Bergallo.