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Cenário de juros e da bolsa contribuirá para a definição do instrumento de capitalização

08 de março  de 2010


A demanda por ativos brasileiros está em alta. A perspectiva de continuidade é baseada em indicadores que revelam a retomada da economia nacional. Neste ano, o volume levantado pelas empresas através de diferentes operações no mercado de capitais totalizou R$ 9,7 bilhões até o início de março. Duas das operações que mais têm sido utilizadas nos últimos anos são a oferta de ações e a emissão de debêntures. A escolha das empresas por uma das opções depende muito dos objetivos da utilização dos recursos e das condições de mercado. Em 2010 também vai depender da retomada dos projetos de investimentos, observa o responsável pela área de renda fixa do Banco Santander, Ricardo Leoni


A oferta de ações (underwriting) - primária ou secundária - é um dos instrumentos de capitalização que mais têm crescido na última década. Neste ano, quatro empresas abriram capital. Algumas dessas já fizeram diretamente emissão secundária. O volume financeiro total que as sete ofertas de ações renderam às empresas foi de mais de R$ 4,3 bilhões em 2010.

As debêntures são operações de renda fixa, semelhantes a financiamentos, só que realizadas no mercado de balcão da Bovespa. Nos primeiros dois meses do ano, houve 20 dessas emissões de dívidas, que resultaram num volume financeiro de R$ 3,6 bilhões. Em 2009, o montante foi de R$ 11 bilhões, e o segmento foi atrativo diante do cenário de crise. Ao investidor, as debêntures foram atraentes com taxas de juros maiores, frente à redução da Selic. Para as empresas, representaram uma diversificação do risco.

Neste ano, tanto as debêntures, como as ofertas de ações deverão fazer parte das opções de capitalização das companhias brasileiras, na visão do conselheiro do Ação Jovem do Mercado Financeiro e de Capitais, Carlos Alberto Botelho Souza Barros. De acordo com o especialista, a preferência por debêntures deve sobressair, caso o Ibovespa caia abaixo dos 50 mil pontos. Mas o responsável pela área de renda fixa do Banco Santander, Ricardo Leoni, observa que o aumento da taxa de juros pode adiar operações com debêntures.

Os recursos obtidos através das debêntures são utilizados, na maioria das vezes, para o alongamento da dívida ou capital de giro. Elas são vistas como operações de risco reduzido. Na maioria das vezes, o cronograma de pagamento dessa dívida, o indexador e a sua variação sob a qual ela vai ser paga está definido no prospecto da operação. Com isso, a empresa tem uma programação do débito, e o investidor, uma rentabilidade garantida ao mês, ressalta Leoni. O prazo de duração do título é, normalmente, de três a cinco anos.

O conselheiro da Ação Jovem lembra que ao definir as características da emissão, as empresas podem incluir cláusulas que tornem as debêntures mais atrativas para os compradores, como, por exemplo, participação nos lucros e conversibilidade. Desta forma, ampliam a demanda pelo título e reduzem seus custos de captação, que também são menores por ser um título de longo prazo, especialmente em relação a empréstimos bancários de curto prazo, destaca Barros. “Outro benefício para as empresas é que os pagamentos de juros são deduzidos como despesas financeiras, ao contrário dos dividendos, que não são dedutíveis na apuração do resultado anual da empresa”, acrescenta. Além disso, com a emissão de debêntures, a empresa não precisa alterar o controle acionário, a menos que haja cláusula de conversão em ações.

As ofertas de ações têm um risco maior. Para as empresas, o capital recebido da operação não é um volume completamente definido, como em uma emissão de debêntures, pois o preço da ação – apesar de estabelecido pelo banco responsável pela oferta -, pode variar e por isso, pode ficar abaixo do que a empresa considera justo. O compromisso da empresa com o acionista reúne uma série de determinações, definidas no estatuto da companhia, aprovado em assembléia de acionistas logo depois da emissão primária. Um desses compromissos da empresa com o acionista é com o pagamento de dividendos. O percentual do lucro líquido pago está no estatuto da empresa, no entanto, esse acerto só vai acontecer mediante resultados finais positivos. Diferentemente do que um investidor de debênture, que recebe uma taxa fixa, o acionista de uma companhia tem uma renda variável, que, por isso, também pode ser maior.

Custos das operações

Os custos de uma emissão de debêntures são os relativos à operação de underwriting. Eles incluem custo do registro na Comissão de Valores Mobiliários e no SND (Sistema Nacional de Debêntures), taxa de intermediação, contratações legais, road shows (apresentações das empresas em diferentes lugares, com o objetivo de atrair futuros investidores), classificação do risco da operação, anúncios de distribuição dos títulos e elaboração dos prospectos.

Uma das taxas é de fiscalização da CVM, relativa ao pedido de registro da emissão. Ela é equivalente a 0,3% do volume da emissão, limitada a 100.000 UFIR (Unidade Fiscal de Referência), deve ser paga antes da entrada do pedido de solicitação de registro da emissão. Outra taxa é para a manutenção do registro de companhia aberta. Ela é trimestral e calculada de acordo com o patrimônio líquido da emissora.

Outro gasto é para o registro na Anbid (Associação Nacional dos Bancos de Investimentos), agora com operações em par com a Andima (Associação Nacional das Instituições do Mercado Financeiro), formando a Anbima (Associação Nacional das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais). Ela é de 0,001% do valor da operação. Estipulados os valores de R$ 2.000,00 para o limite mínimo e de R$ 30.000,00 para o limite máximo. A taxa de colocação da operação pelos agentes financeiros (corretora, distribuidoras, bancos de investimentos, bancos múltiplos com carteiras de investimentos) varia entre 0,61% e 4,22%.

Elaborado e editado pela jornalista Grazieli Inticher Binkowski
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