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Procura por Planos de Previdência Privada disparam: mas valem mesmo a pena?

07 MAR, 2018 / Jornalista Responsável: Grazieli Binkowski

                                   

A iminência de uma reforma da previdência _ que, mesmo que não saia no governo Temer, há certo consenso de que muito em breve terá de ser realizada _ tem empurrado muitos brasileiros receosos quanto ao futuro de sua pensão pelo INSS para a previdência privada. Maior empresa do Brasil, os resultados da Brasilprev mostram bem como este mercado tem andado. O balanço divulgado no final de fevereiro mostrou que a empresa encerrou o ano com R$ 236,4 bilhões em ativos sob gestão, valor 18,7% superior ao fechamento de 2016 (R$ 199 bilhões).

Um dos públicos que tem puxado as aplicações em planos de previdência são os investidores qualificados, com mobilidade para direcionar fatias maiores de seu orçamento para investimentos de longo prazo. Conforme a Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), a previdência foi um dos instrumentos que mais cresceu em 2017 dentro do escopo do private banking (que engloba os investidores com, no mínimo, R$ 1 milhão em ativos financeiros): cresceu 27,6% no ano passado, destaque na categoria private ao lado de fundos multimercados (24,4%) e ativos de renda variável (38,8%). "A previdência foi destaque nos últimos anos e continuará sendo um dos carros-chefes do private, especialmente por conta das mudanças regulatórias que flexibilizaram os investimentos nestes produtos", analisa João Albino, presidente do Comitê de Private Banking da Anbima.

Mas é necessário que se faça alertas quanto ao funcionamento e os custos dos planos de previdência no Brasil. Eles trazem taxas de administração (que incide anualmente sobre os fundos nos quais o dinheiro é aplicado) e, por vezes, de carregamento (cobrado uma só vez sobre o valor aplicado), que podem corroer demasiadamente os ganhos. Em média, as taxas de administração variam de 2% a 3,5% ao ano, valor que muda conforme o perfil dos fundos. Os que têm fundos com investimentos em ações, por serem mais complexos, normalmente têm taxas um pouco maiores do que aqueles que investem apenas em renda fixa. Já as taxas de carregamento, embora tenham se tornado mais raras nos últimos anos, ficam em torno de 1%.

Como a Selic desabou e esses planos investem boa parte do patrimônio dos clientes em renda fixa, o rendimento vem caindo nos últimos anos. Com isso, o rendimento líquido dos investidores pode ser baixo, ficando inferior à inflação ou outras aplicações. As taxas podem representar cerca de 4% de custo sobre o valor investido a cada ano. Ou seja, um plano de previdência privada que persiga o resultado da Selic e tenha uma taxa de administração de 2% e uma cobrança de carregamento de 1%, terá uma rentabilidade líquida de apenas 3,75%. No Tesouro Selic, por exemplo, essa rentabilidade fica na casa de 6,25%.

Não é por menos que muitos consultores financeiros passaram a sugerir que investidores guardem dinheiro por conta própria no Tesouro Direto, com ínfimas taxas de custódia e negociação, ou outras aplicações de longo prazo, como Letras de Crédito (LCI e LCA). “Há diversas modalidades de investimentos adequadas para a aposentadoria, como Previdência Privada e Tesouro Direto. Vale a pena conhecer um pouco mais a respeito de cada um e calcular qual é mais vantajosa”, orienta o consultor financeiro Reinaldo Domingos, presidente da Associação Brasileira de Educadores Financeiros (Abefin).

Um ponto crucial a ser considerado é se haverá vantagem tributária, um dos principais diferenciais dos planos de previdência. Existem dois tipos de planos no mercado: Plano Gerador de Benefício Livre (PGBL) e Vida Gerador de Benefício Livre (VGBL). A diferença entre eles é a tributação. O primeiro é indicado para quem faz a declaração completa do Imposto de Renda e o optante pode deduzir até 12% da renda na sua declaração. Já no outro, os recursos estão isentos de tributação sobre os rendimentos durante o período em que é feita a aplicação. O IR incide somente sobre os rendimentos no momento do recebimento da renda ou do resgate.

Apesar das taxas administrativas, a previdência tem rendimento superior ao da poupança e algumas vantagens em relação a outras aplicações financeiras. Uma delas é a portabilidade, ou seja, é possível transferir o dinheiro para outros fundos, sem a necessidade de resgatar o dinheiro. A aplicação também permite que, em caso de falecimento do proprietário do plano, o valor acumulado seja repassado para a pessoa indicada no contrato. Conforme o CEO da Touareg Seguros, Wanderson Nascimento, quanto mais cedo se começar a aplicação, melhor: "Se o investimento começar já no nascimento, terá mais tempo de acumulação em relação ao plano que se inicia na adolescência, no qual patrimônio acumulado será muito menor e precisará de aportes maiores", compara.