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LCA mingua com queda da rentabilidade e escassez de projetos

07 FEV, 2017 / Jornalista Responsável: Grazieli Binkowski /

Dois títulos com lastro em projetos do agronegócio têm apresentado demandas bem distintas. Enquanto os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) se firmam como uma aplicação em ascensão, os estoques das Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs) têm se esvaziado nos últimos meses. Em janeiro, os títulos do agronegócio registrados na BM&FBovespa totalizaram R$ 130,20 bilhões, ante R$ 133,67 bilhões em dezembro. A queda foi puxada pela LCAs, cujos estoques caíram de R$ 126,95 bilhões para R$ 123,31 bilhões em um mês.

Por outro lado, o estoque de CRA cresceu 38% em dezembro, conforme a Cetip. No acumulado de 2016, o CRA quase triplicou, passando de R$ 6,4 bilhões para R$ 17,5 bilhões, puxado por captações de gigantes do setor de alimentação e celulose, em busca de recursos a custo mais baixo. Conforme a Cetip, o CRA foi o instrumento de renda fixa privada que mais inflou no ano passado. “O crescimento do CRA (em dezembro) deveu-se às 21 operações realizadas no mês, cujo volume emitido soma R$ 4,8 bilhões. Destacam-se as operações com lastro BRF (R$ 1,5 bilhão), Fibria (R$ 1,25 bilhão) e GPA (R$ 1 bilhão)” detalha a Cetip em comunicado.

O CRA é emitido por companhias securitizadoras baseado em direitos creditórios do agronegócio, e tem como principal característica a isenção do Imposto de Renda (IR) para o investidor pessoa física. A principal diferença entre CRA e LCA é que o primeiro é um título corporativo, e o segundo, bancário. No ano passado, as empresas Octante, Syngenta e Bunge lançaram a primeira emissão de CRA para investidores pessoa física, pagando até 109% do CDI. A aplicação ainda está longe do alcance da maioria das pessoas, já que é necessário ser investidor qualificado*. Outra característica é que o vencimento costuma ser de prazo superior a três anos.

Diferente dos CRAs, as LCAs caminham na direção da popularização, encurtando prazos de vencimento para até um ano e aceitando aplicações iniciais na casa de R$ 5 mil. “Geralmente, a rentabilidade da LCA é pós-fixada, recebida ao final da aplicação. Possibilita pagamento de juros acima da maioria das aplicações e possui a vantagem de ter isenção total de IR para pessoas físicas”, enumera Reinaldo Domingos, presidente da Associação Brasileira de Educadores Financeiros (Abefin).

Outra vantagem é que a aplicação é garantida pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC) até o limite de R$ 250 mil. Por outro lado, a LCA normalmente só pode ser resgatada no vencimento do título, trazendo menor liquidez. Atualmente, há no mercado opções que chegam a pagar 90% e 91,5% de CDI – oferecidas pelos bancos Original e ABN, respectivamente.

A recente redução no estoque das LCAs se deve à queda gradativa das emissões nos últimos meses, avalia Lenon Borges, estrategista da Ativa Investimentos. “Embora os bancos continuem com interesse em fazer emissões, não encontram operações em quantidade suficiente por parte das empresas elegíveis”, explica ele, explicando que muitas das companhias passaram a buscar captação para o longo prazo via debêntures incentivadas.

Na análise de Lenon, a remuneração oferecida nas LCAs já tem caído em razão do menor risco na economia brasileira e à gradativa redução na Taxa Básica de Juros. “A LCA acaba sofrendo tanto pela queda da Selic quanto pela redução do DI oferecido pelas instituições financeiras, e esse movimento deve permanecer ao longo do ano, reduzindo a atratividade desses títulos”, aponta.

*Conforme a Instrução CVM nº 554/2014, Art. 9º-B São considerados investidores qualificados: I – investidores profissionais;
II – pessoas naturais ou jurídicas que possuam investimentos financeiros em valor superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais) e que, adicionalmente, atestem por escrito sua condição de investidor qualificado mediante termo próprio, de acordo com o Anexo 9-B;
III – as pessoas naturais que tenham sido aprovadas em exames de qualificação técnica ou possuam certificações aprovadas pela CVM como requisitos para o registro de agentes autônomos de investimento, administradores de carteira, analistas e consultores de valores mobiliários, em relação a seus recursos próprios; e
IV – clubes de investimento, desde que tenham a carteira gerida por um ou mais cotistas, que sejam investidores qualificados.” (NR)