Colheitadeira

Conheça as LCAs que pagam mais de 10% ao ano

05 SET, 2018 / Jornalista Responsável: Grazieli Binkowski

                                   

As Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs) têm aproveitado sua condição de isenção do Imposto de Renda para remunerar investidores acima de 10% ao ano – uma oferta rara em um contexto de Taxa Básica de Juros (Selic) em 6,5% ao ano. A remuneração mais encorpada, no entanto, tem sido oferecida para investidores com capacidade de aplicação relativamente alta, ou àqueles que topam manter o dinheiro imobilizado por um período superior a dois anos.

A LCA mais rentável do banco BTG Pactual, por exemplo, promete rendimento de 11,15% ao ano (mais do que o dobro do rendimento anual da Caderneta de Poupança, de 4,55%). O valor mínimo é de R$ 1 mil, e o vencimento ocorre em 1.462 dias — a carência é para setembro de 2022. Isto é, durante o período que antecede a carência, o dinheiro precisa ficar com a instituição financeira emissora. Quem precisar sacar antes, perde o rendimento.

A LCA do Banco Concórdia tem uma carência um pouco menor, de 1.080 dias, e remunera a aplicação em 10,2%. O valor mínimo de aporte, no entanto, é bem mais alto do que o do BTG Pactual, de R$ 100 mil. Quem busca uma LCA com vencimento mais breve e receptiva a uma aplicação inicial menor geralmente precisa concordar com um rendimento mais baixo. É o caso do LCA do Banco Daycoval, que aceita aporte mínimo de R$ 1 mil, com vencimento de 721 dias, mas o rendimento é de 9,1%.

"Em geral, os bancos menores oferecem rentabilidade mais alta e condição de aplicação mais facilitada, como forma de convencer o investidor a trocar uma grande instituição por outra menor", explica Guilherme Ribeiro de Macêdo, professor de Economia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e analista autônomo de investimentos.

Para investidores com menor capacidade de aplicação, os grandes bancos costumam oferecer LCAs que remunerem 85% do CDI (rentabilidade líquida de 5,5%) e tenham prazo de resgate de seis meses a até dois anos, explica.

"Neste caso, é preciso comparar a LCA com aplicações como Títulos do Tesouro e CDBs, que até podem pagar um percentual do CDI mais alto, mas têm o desconto do Imposto de Renda", pondera Macêdo.

O consultor financeiro André Bona afirma que as LCAs podem ser uma opção adequada para quem procura títulos com vencimento de um a até quatro anos, e tenham pouco apetite por risco.

"São títulos de baixa volatilidade, com a opção de se escolher entre pré e pós fixados, conforme os rumos da economia", explica.

Entenda como funcionam as LCAs

Os consultores explicam que, ao comprar uma LCA, se está emprestando dinheiro a instituições financeiras, que o utilizarão para oferecer crédito para agricultores – dinheiro para investir na produção, ampliar o maquinário ou modernizar a lavoura, por exemplo. Esses investimentos contam com cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), que garante o pagamento de determinado valor investido caso a instituição financeira emissora vá à falência. A cobertura atual é de até R$ 250 mil, desde que o ativo esteja devidamente registrado no CPF do investidor. Por segurança, o investidor deve conferir qual a classificação de risco de sua LCA no prospecto da oferta – no item chamado "Rating".

A isenção do Imposto de Renda é importante no cálculo de rendimento, já que em uma aplicação concorrente, como o CDB, é preciso pagar de 22,5% a 15% sobre a valorização do dinheiro, a depender do período de duração. Um título de LCA pós-fixada define a remuneração conforme o CDI, calculado diariamente até o vencimento. Já um título de LCI prefixado tem uma taxa de juros estabelecida na contratação, independente da variação futura da Selic.


Cinco LCAs que pagam remuneração próxima a 10% ao ano

Instituição Rating Investimento
Mínimo
Rendimento Carência
BTG Pactual S&P A+ R$ 1 mil 11,15% 1.432 dias
Concórdia S&P A+ R$ 100 mil 10,2% 1.080 dias
Banco Daycoval Fitch AA R$ 1 mil 9,2% 721 dias
BTG Pactual S&P A+ R$ 1 mil 9,1% 731 dias
Banco Daycoval Fitch AA R$ 1 mil 8,55% 661 dias
Fonte: Serviço de comparação de títulos Renda Fixa.

Classificação de Rating

Fonte: O Globo.