Moedas empilhadas

Fundos de Investimentos podem render menos que a poupança, cuidado!

04 SET, 2017 / Jornalista Responsável: Grazieli Binkowski

                          

As taxas de administração e a segurança da aplicação são os fatores-chave para saber se aquela rentabilidade anunciada pelo Fundo de Investimento de seu banco realmente vale a pena. A taxa é cobrada pela gestão do fundo e remunera todos os profissionais e empresas envolvidos: gestor, administrador, custodiante, distribuidor e auditor, e, quando é muito alta, pode corroer tanto o ganho, que torna a aplicação menos atrativa do que a poupança. Essa cobrança costuma flutuar entre 0,5% e 3%, dependendo da sofisticação, dos valores envolvidos e de quanto "trabalho" o administrador tem para entregar resultado.

Por exemplo: se um fundo aplica em Títulos do Tesouro, não tem cabimento cobrar a mesma taxa de administração de um fundo de gestão ativa, como de Ações ou Multimercados. "A análise dos custos dos fundos de investimentos é de extrema importância. É ela que vai mostrar se as cobranças não estão sendo indevidas ou abusivas", explica o corretor autônomo de investimento Eduardo Salzo. As taxas costumam cair para quem aplica valores mais altos, uma vez que fica mais viável para o gestor negociar melhores aplicações quando alto volume financeiro. O fundo do Banco do Brasil RF LP 100, por exemplo, que aceita aplicações iniciais de R$ 100, cobra uma taxa de administração de 3,80% sobre o patrimônio, considerada alta pela média dos consultores financeiros. O mesmo BB cobra taxa de 0,55% no fundo LP Crédito Privado Estratégia Private, para aplicações iniciais acima de R$ 25 mil.Rendimentos mais baixos: os fundos com taxa de administração acima de 1,5% ao ano, que paguem 100% do CDI, têm rendido menos do que a caderneta de poupança no atual patamar da Selic.

Ao contrário dos CDB, LCI, LCA e dinheiro na conta corrente, os fundos não são cobertos pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Mas isso não significa que se o banco ou gestor quebrar o investidor ficará sem seu capital. Isso por que seu dinheiro estará nos ativos comprados pelo fundo, e não no capital social do banco. Logo, mesmo que essa instituição vá à bancarrota, o patrimônio e os ativos do fundo poderão ser administrados por outro gestor. Por outro lado, se o dinheiro da aplicação estiver na conta corrente do banco, gestor ou corretora após a ordem de compra, e antes que ela invista no fundo, uma falência provavelmente levará junto seu capital. Por isso, escolher a instituição mais segura para fazer sua aplicação pode evitar uma tremenda dor de cabeça.

Na análise de Fernando Marcondes, planejador financeiro e sócio da GGR Planejamento Patrimonial, para escolher o fundo, é importante acompanhar de perto o gestor e sua equipe, avaliando se suas ações estão de acordo com a exposição de risco proposto pelo produto. "Não adianta só acompanhar a cota, a rentabilidade do fundo ou ler a carta do gestor, pois isto pode não mostrar como os gestores estão agindo realmente, como se comportou e como deverá se comportar futuramente, onde ganhou, quem são, onde perdeu e o porquê". O tamanho do fundo também é um importante dado a ser observado, completa. "Sendo pequeno ou grande, não seria necessariamente um motivo de exclusão, pois dependerá da capacidade da "perícia" e gestão do fundo. O tamanho pode impactar na gestão dependendo da estratégia a ser adotada", completa.

Os fundos de Renda Fixa que mais renderam no acumulado deste ano são justamente de instituições grandes, com patrimônio elevado. Por outro lado, as taxas de administração dessas instituições também costumam ser mais altas. Veja abaixo a relação de alguns dos fundos que mais têm se destacado nos últimos meses.


Alguns dos melhores fundos de Renda Fixa no ano (jan-jul 17)

INDEPENDENTES
Sparta Top FICFI RF Créd. Priv. LP
Acum/2017 → 7,40 %
12 meses → 14,05 %
24 meses → 31,10 %
36 meses → 47,85 %
Taxa de administração: 0,71%
Investimento inicial: R$ 5 mil
Patrimônio: R$ 911 milhões


BTG Pactual Capital Markets FI RF Créd. Priv.
Acum/2017 → 6,90 %
12 meses → 13,11 %
24 meses → 29,31 %
36 meses → 45,31 %
Taxa de administração: 0,25%
Investimento inicial: R$ 25 mil
Patrimônio: R$ 608 milhões


Capitania Top FIC FI RF Créd. Priv.
Acum/2017 → 6,74 %
12 meses → 12,97 %
24 meses → 29,31 %
36 meses → 45,54 %
Taxa de administração: 0,32%
Investimento inicial: R$ 25 mil
Patrimônio: R$ 395 milhões


GRANDES BANCOS
Bradesco FICFI RF Títulos do Tesouro
Acum/2017 → 48,60 %
12 meses → 414,37 %
24 meses → 431,98 %
36 meses → 444,43 %
Taxa de administração: 1,5%
Investimento inicial: R$ 5 mil
Patrimônio: R$ 625 milhões


BB RF Pré LP Estilo
Acum/2017 → 10,03 %
12 meses → 16,68 %
24 meses → 34,75 %
36 meses → 46,43 %
Taxa de administração: 1%
Investimento inicial: R$ 20 mil
Patrimônio: R$ 845 milhões


Itaú Person. RF Pré LP
Acum/2017 → 10,10 %
12 meses → 16,72 %
24 meses → 34,71 %
36 meses → 46,35 %
Taxa de administração: 1%
Investimento inicial: R$ 100 mil
Patrimônio: R$ 4 bilhões

Fonte: Portal Minhas Economias consulado em 29/08/2017.