Renda Fixa

Como ganhar dinheiro na Renda Fixa com a Selic em baixa

03 ABR, 2018 / Jornalista Responsável: Grazieli Binkowski

                                   

Passados os primeiros meses deste ano, os investidores passam a se planejar levando em conta a instabilidade política do país, a imprevisibilidade da agenda de reformas, as eleições presidenciais e, principalmente, o novo cenário de juros em queda livre. No último dia 21, o Banco Central (BC) baixou novamente a Taxa Básica de Juros (Selic), a 6,5% ao ano, a menor taxa histórica. Patamar que não deve subir tão cedo: conforme as projeções de economistas ouvidos pelo Boletim Focus, do BC, esse patamar deve se manter até o final de 2018.

A possibilidade de novos cortes na Selic, por sinal, já têm levado investidores a buscar mais aplicações de curto prazo ou fugir de aplicações ligadas à Selic futura. A Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) reportou, um dia após a última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), elevação de 0,26% nos subíndices do IMA, que expressa as variações das carteiras de títulos públicos. O movimento valorizou as carteiras das LTN/NTN-Fs e das NTN-Bs, sobretudo nos títulos de menor prazo.

O mesmo movimento ocorreu nos títulos indexados ao IPCA, o que sugere que os investidores passaram a olhar o curto prazo com melhor perspectiva do que o longo: enquanto os de prazos mais longos não apresentaram variações diárias surpreendentes (o IMA-B5+, com as NTN-Bs acima de cinco anos, variou 0,45%), o IMA-B-5, que expressa a carteira das NTN-Bs de até cinco anos, subiu 0,43%, o maior retorno diário do período após a reunião do Copom de fevereiro. Algumas estratégias são fundamentais para buscar aplicações mais rentáveis em um cenário de ganhos achatados. É importante fazer uma boa consulta às taxas cobradas por bancos e financeiras nos investimentos, tarefa que pode ser auxiliada por sites e aplicativos que comparam CDBs, fundos, Letras, entre outras aplicações da renda fixa. Outra dica é estar mais atento aos juros efetivos, ou seja, descontadas taxas de administração ou alíquotas de Imposto de Renda, considerar o que de fato afeta o bolso do consumidor.

Por fim, é crucial sempre comparar o rendimento com a inflação no período, para saber se está ganhando ou perdendo dinheiro na aplicação. “Não é interessante seguir apenas a oscilação da taxa de juros nominal, aquela praticada pelo mercado, que não leva em conta a inflação do período”, observa Francis Wagner, CEO do aplicativo Renda Fixa, que reúne investimentos de 22 instituições entre corretoras, bancos e financeiras, além de ferramentas e conteúdo para auxiliar o investidor.

Uma análise das aplicações mais comuns disponíveis no mercado mostra que os fundos de renda fixa que cobram 1,5% de taxa de administração trazem a rentabilidade para 4,12%, após o desconto do Imposto de Renda (menos do que a Poupança, que tem isenção do Imposto de Renda e tem rendido 4,64%). Ou seja, o ideal é que a taxa dos fundos não passe de 1%. Já um CDB com rentabilidade de 90% de DI (taxa comum em grandes bancos) rende pouco mais do que a poupança, em termos líquidos: 4,81%. Como a previsão no Boletim Focus é de inflação de 3,8% em 2018, neste caso o ganho real ficaria em apenas 1%. As Letras de Crédito têm isenção de IR, portanto podem oferecer melhores rendimentos, em especial em bancos pequenos, que pagam até 110% do CDI, o que dá um rendimento de 7,17%.

A recomendação de Wagner para quem busca uma rentabilidade que supere o básico da Selic, mas que ao mesmo tempo traga alguma segurança ao pulverizar a aplicação em várias alternativas, é mesclar opções mais conservadoras com outras arrojadas. Um consumidor com o perfil mais ousado e com objetivos de médio e longo prazos, por exemplo, pode optar por fundos multimercado e ações ou até mesmo fundos de ações em 2018. Já os mais conservadores a moderados podem mesclar entre renda fixa pública e privada e alguns fundos imobiliários ou multimercado, orienta Wagner


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