Ações da Bolsa de Valores

A bolsa vai continuar subindo em 2018?

02 JAN, 2018 / Jornalista Responsável: Grazieli Binkowski

                                   

Os últimos dois anos foram de festa para quem investe no mercado de capitais. O Índice Bovespa teve altas expressivas, fixando-se como um dos principais investimentos no país. Em 2016, a alta foi de 37%, e, em 2017, se encaminha para quase 30%. Agora, os radares apontam para 2018: o que esperar para a bolsa brasileira para o ano que inicia?

Analistas de mercado apontam a política como o componente mais determinante para os rumos da bolsa. A recuperação da economia depende da continuação de reformas, principalmente da Previdência, bem como redução dos gastos públicos e compromisso com um superavit fiscal. O mercado prevê que a Bolsa possa chegar a 90 mil ou 100 mil pontos ao final de 2018, uma valorização superior a 25% sobre os resultados de 2017, caso as reformas avancem; caso contrário, poderá recuar para 50 mil ou 60 mil pontos, recuo de pelo menos 19%. "Até o momento, os dados econômicos brasileiros não demonstraram crescimento considerável. Porém, há um cenário de juros mais baixos, expectativa de crescimento menor da inflação e os primeiros sinais de criação de empregos. A situação ainda não melhorou, mas pode melhorar", afirma o economista Pedro Coelho Afonso, da Gradual Investimentos.

Alguns analistas preveem, inclusive, que a Bovespa possa repetir o ciclo pré-crise financeira internacional de 2008, quando o mercado de capitais atraiu milhares de investidores individuais e gerou dezenas de novas ofertas de ações (IPOs). Por outro lado, um cenário de sepultamento das reformas e elasticidade dos gastos em ano eleitoral poderá deixar os investidores ressabiados e espantar os grandes fundos de pensão internacionais, freando o fluxo de capitais que tem beneficiado a BM&FBovespa. "Qualquer insegurança desse gênero gera incerteza na hora de investir, repercutindo principalmente no investidor estrangeiro, que representa 50% do volume da Bolsa", aponta Afonso.

A definição de quais serão as equipes econômicas dos candidatos à presidência poderá sinalizar aos investidores as chances de as reformas e o ajuste fiscal seguirem em frente. Além disso, o mercado olha com atenção para as taxas de juros, que, se voltarem a subir, poderão sugar para a renda fixa investidores que hoje estão na bolsa. O risco de alta da Selic não é nulo: o economista Marcelo Portugal, da UFRGS, afirma que a alta nos preços dos alimentos e o avanço de nomes populistas no cenário eleitoral poderá levar a uma pressão inflacionária, forçando o Banco Central a reverter a tendência de queda no juro básico.

Em condições favoráveis no campo político e econômico, entretanto, analistas veem espaço para que a Bolsa de São Paulo continue subindo em 2018, quebrando recordes de pontuação. "Não estamos ignorando riscos ou incertezas, mas no momento, pelos indicadores da conjuntura macroeconômica, pode-se dizer que o cenário está mais positivo, e o futuro projetado também é melhor do que tínhamos nos últimos anos", avalia o analista-chefe da Geral Investimento, Carlos Müller. Ele cita a retomada do emprego e da confiança da indústria como sinais de que o PIB poderá subir mais nos próximos anos.

Müller argumenta que o retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) de um grupo de empresas listadas no IBovespa, que indica o quanto elas entregam de resultado em relação ao seu patrimônio, que veio caindo nos últimos anos, apresentou recuperação e deve seguir essa tendência em 2018. "Ou seja, podemos esperar resultados melhores das empresas, e melhor remuneração aos acionistas", conclui.