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Periodicamente você conhecerá a opinião dos participantes do debate sobre o tema específico.

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DEBATE PORTAL ACIONISTA.COM.BR  & IBRI 

TEMA IBRI 2011: Formulário de Referência

                                                                                                Início: 06/06/2011

Participantes:

Alessandra Polastrini Relações com Investidores OHL Brasil
Diogo Dias Gonçalves Diretor Regional do IBRI-MG e Especialista em RI da Usiminas
Doris Wilhelm Diretora de Relações com Investidores Paranapanema S.A.

Formulário de Referência e a recente orientação do CODIM

O Comitê de Orientação para Divulgação de Informações ao Mercado – divulgou dia 27 de abril último, o Pronunciamento de Orientação do CODIM n° 9 sobre Instruções Preparativas para o Formulário de Referência. Esta orientação conta com o apoio das dez entidades-membro do Comitê, entre elas o IBRI, que são importantes participantes do mercado de capitais, além da recomendação da CVM – Comissão de Valores Mobiliários por meio do OFÍCIO-CIRCULAR CVM/SEP/N°05/2011. A iniciativa objetiva padronizar as melhores práticas de divulgação e, portanto, tem como proposta ajudar no desenvolvimento do Mercado de Capitais brasileiro.

Conforme o CODIM, o Formulário de Referência é o principal informe de comunicação e de prestação de contas da companhia a todos os públicos alvos, uma vez que nele estão reunidas informações relevantes para a compreensão e avaliação da companhia e dos valores mobiliários por ela emitidos, tais como, atividades desenvolvidas, estrutura de controle, fatores de risco, dados econômico-financeiros, comentários dos administradores sobre o desempenho, políticas e práticas de governança corporativa e descrição da composição e da remuneração de sua administração.

Diante desta manifestação do CODIM pergunta-se aos executivos de RI:
 

1.O Formulário de Referência pode ser entendido como um relatório de administração da companhia, permanentemente atualizado e obrigatoriamente divulgado para o mercado?

2. Considerando o envolvimento de uma estrutura técnica- administrativa profissional ou um grande grupo multidisciplinar incluindo auditoria externa, além dos órgãos de administração da companhia, os custos de elaboração e manutenção atualizada dos dados contidos no Formulário de Referencia compensarão o resultado da sua divulgação medido pela resposta do mercado?

3. Informações completas e abrangentes sobre as atividades desenvolvidas, estrutura de controle, fatores de risco, dados econômico-financeiros, comentários dos administradores sobre o desempenho, políticas e práticas de governança corporativa e descrição da composição e da remuneração da administração da companhia podem comprometer o sigilo de dados estratégicos da empresa ou revelar informações vitais para os concorrentes?

     4. Quais os principais benefícios do Formulário de Referência na visão do executivo de RI?
     5. Quais os principais problemas que a adoção do Formulário de Referência podem eventualmente causar para a Companhia?
 
1. O Formulário de Referência pode ser entendido como um relatório de administração da companhia, permanentemente atualizado e obrigatoriamente divulgado para o mercado?

Alessandra Polastrini

Na verdade, o Formulário de Referência engloba uma diversidade maior de informações sobre a Companhia. São dados detalhados acerca da estrutura de controle, das políticas adotadas para o gerenciamento de riscos, das práticas de remuneração dos executivos, dos processos judiciais, dos riscos atrelados ao negócio, da Companhia, entre outros. Sua atualização está condicionada a casos específicos citados na Instr. CVM 480 (artigo 24) e, portanto, não necessariamente contempla atualização permanente de todo o seu conteúdo. A apresentação de ambos os documentos, Formulário de Referência e Relatório da Administração, é obrigatória pela legislação existente (Instr. CVM 480 e Parecer de Orientação CVM 15/87). Porém, apenas a publicação do Relatório da Administração em jornais de grande circulação, juntamente com as demonstrações financeiras de encerramento do exercício social, faz-se necessária. Vale ressaltar que a adoção das novas normas contábeis, em conformidade com o padrão internacional estabelecido pelo International Accounting Standards Board – IASB (conhecido como International Financial Reporting Standards – IFRS), contribuiu para o significativo aumento do volume de informações constantes das notas explicativas (parte integrante das demonstrações financeiras ) com consequente impacto de custos de publicação para as companhias. Talvez, no futuro, a regra possa ser revista.

Diogo Dias Gonçalves

Sim, pois ele retrata a vida financeira/econômica e operacional de toda a empresa, desde a história da companhia, passando por pontos delicados com os riscos de mercado e de suas atividades e vai até remuneração dos administradores bem como as questões relativas à por exemplo Recursos Humanos.
 

Doris Wilhelm

Eu diria que o FRE passou a ser uma importantíssima peça de comunicação com o mercado, porém com uma linguagem diferente, pois o RA tem sua preocupação com a prestação de contas anual da administração da Companhia sobre a sua gestão e perspectivas, enquanto que o FRE tem uma visão mais sistêmica da Companhia, pois aborda todos os aspectos que a envolvem, em especial sobre Fatores de risco, Gestão, Desempenho Econômico-Financeiro, além de inúmeros outros temas e permanentemente atualizada.

O grande objetivo da CVM era instituir um documento que melhorasse a transparência e criasse um mínimo de padronização e que representasse uma espécie de pré-registro de prateleira, e quando a Companhia quisesse ir a mercado, bastaria uma espécie de aditivo do FRE falando especificamente da operação de mercado de capitais. Ou seja, as Companhias estariam sempre prontas para utilizar o mercado de capitais e as transações ficam muito mais ágeis, pois a obtenção de registro pode ser muito rápida. É um conceito de fast line para se obter registro na CVM.

2. Considerando o envolvimento de uma estrutura técnica- administrativa profissional ou um grande grupo multidisciplinar incluindo auditoria externa, além dos órgãos de administração da companhia, os custos de elaboração e manutenção atualizada dos dados contidos no Formulário de Referencia compensarão o resultado da sua divulgação medido pela resposta do mercado?

Alessandra Polastrini

O Formulário de Referência não só contribui com a análise da companhia pelo público externo, mas também possibilita a avaliação contínua de questões relevantes. Nesse sentido, a elaboração do documento pode servir de ferramenta de apoio a melhoria da gestão.
 

Diogo Dias Gonçalves

Acreditamos que no longo prazo sim, mas é difícil mensurar qual será este resultado, na prática. Mas entendemos como positivo.

Doris Wilhelm

Naturalmente que os custos aumentaram, pois apesar de não ser compulsória a revisão dos auditores independentes, o CODIM em seu PO No 9/11, art. 8º, sugerem que dentre os revisores do FRE, que além do grupo multidisciplinar da Companhia emissora, que o FRE “deve” contar com os Comitês de Apoio do Conselho de Administração, do Conselho Fiscal e particularmente de seu auditor independente, que deve seguir as normas nacionais e internacionais de auditoria em vigor. A própria CVM, em seu Ofício-Circular No 07/11, não obriga, mas remete ao PO do CODIM. O IBRACON emitiu também suas normas internas, que praticamente obrigam os auditores independentes a revisarem todos os documentos que utilizem informações das demonstrações financeiras auditadas. Logo, não há como fugir destes custos e considero que a relação custo-benefício ainda é benéfica para a Companhia, pois melhora a percepção de risco do mercado, pelo aumento da Governança Corporativa, reduzindo o custo de capital.

3. Informações completas e abrangentes sobre as atividades desenvolvidas, estrutura de controle, fatores de risco, dados econômico-financeiros, comentários dos administradores sobre o desempenho, políticas e práticas de governança corporativa e descrição da composição e da remuneração da administração da companhia podem comprometer o sigilo de dados estratégicos da empresa ou revelar informações vitais para os concorrentes?

Alessandra Polastrini

Informações completas e abrangentes sobre as atividades desenvolvidas, estrutura de controle, fatores de risco, dados econômico-financeiros, comentários dos administradores sobre o desempenho, políticas e práticas de governança corporativa e descrição da composição e da remuneração da administração da companhia podem comprometer o sigilo de dados estratégicos da empresa ou revelar informações vitais para os concorrentes?

Depende do disclosure de informações que a companhia está disposta a fornecer. A transparência aumenta a confiança dos investidores e não deve ser encarada como ameaça.

Nestes casos, cabe análise da administração, no melhor interesse da companhia, sobre a divulgação ou não de determinada matéria.

 

Diogo Dias Gonçalves

Não entendemos assim. Claro, que quanto mais transparentes formos, mais informações os concorrentes terão a nosso respeito. Mas entendemos que junto à área de estratégia e também a área comercial, podemos ser transparentes sem que prejudique nossas ações estratégicas e àquelas tidas como confidenciais. Olhando por outro lado, as informações disponíveis pelas empresas, podem gerar efeitos benéficos como a busca pela melhora contínua, já que temos a informação do que a outra empresa, por exemplo, está fazendo e nós ainda não.

Doris Wilhelm

Com certeza! Por mais que a Companhia possa preservar seus dados estratégicos, muita informação é solicitada de forma compulsória. Infelizmente, o número de Companhias abertas no Brasil, ainda é muito incipiente, se compararmos com o universo de empresas existentes no mercado, inclusive de grande porte. Há setores, onde há apenas uma Companhia aberta e o restante são de capital fechado, publicando balanço uma vez por ano somente, como fonte oficial de informação. A nova legislação também obrigada empresas de grande porte a publicar em IFRS, mesmo que não listadas, mas somente em base anual, e não vejo que entidade está ou irá fiscalizar se está sendo cumprida a lei ou não. Mas faz parte da regar do jogo e as Companhias que querem abrir o capital, tem que ter consciência destes riscos.

4. Quais os principais benefícios do Formulário de Referência na visão do executivo de RI?

Alessandra Polastrini

O formulário reuni informações importantes para o entendimento da companhia, dos negócios, dos riscos envolvidos, da administração, práticas de governança adotadas, entre outras. Além de permitir a análise comparativa entre empresas do setor, o processo de elaboração do documento contribui para a avaliação de questões relevantes e a identificação de pontos de atenção
 

Diogo Dias Gonçalves

O FR passou a ser nosso manual de consulta e um manual da empresa para os analistas e investidores em geral. Facilita o nosso trabalho e muito, porque enquanto RI, quanto mais informações forem públicas melhor é o nosso trabalho. Mais difícil também por termos que explicar mais, mas como em tudo tem seu lado positivo e negativo, entendemos que o FR tem mais pontos positivos que negativos.

Doris Wilhelm

Considero que o FRE é o que mais atende aos quatro grandes princípios de conduta ética adotados pelo IBRI que são:
     Transparêrncia
Equidade
Franqueza e Independência
Integridade e Responsabilidade
 
Portanto, o principal benefício, é dar aos investidores, tomadores de decisão, ou stakeholders, em um único documento, um Raio-X da Companhia, com informações, que se claras, objetivas, consistentes, tempestivas, viabilizarão uma melhora na imagem institucional, na credibilidade, na percepção de risco, e por conseqüência, proporcionará uma redução no custo de capital.

5. Quais os principais problemas que a adoção do Formulário de Referência podem eventualmente causar para a Companhia?

Alessandra Polastrini

Não acredito que a adoção propriamente dita seja um problema. Na verdade, as maiores dificuldades estão relacionadas ao processo de elaboração e validação das informações. Atualmente, a maioria da companhias conta com uma estrutura enxuta para lidar com o crescente volume de normas e regras, prazos apertados e acúmulo de tarefas. Somado a isso, ainda existe a dificuldade em encontrar e reter profissionais qualificados.
 

Diogo Dias Gonçalves

Adaptação das pessoas à cultura de maior transparência, possível aumento de custos em função de aumento de pessoal (já que gera muito trabalho) e a abertura de dados que possibilitem a comparação com o concorrente.

Doris Wilhelm

Na pior das hipóteses, é o uso das informações mais detalhadas pela concorrência, fazendo com que os competidores mudem ou façam adequações em suas estratégias, com possível impacto negativo no desempenho da Companhia, gerando perda de fatia de mercado, ou passar a ser alvo de tentativa hostil de aquisição, dentre os principais. Há ainda um fator de segurança a ser levado em conta, pois em um país como o nosso, com problemas sérios de distribuição de renda, informações sobre remuneração da administração de forma tão explícita e detalhada, contemplando a maior remuneração, que via de regra é a do Diretor –Presidente, a menor e a média, podem trazer riscos pessoais aos gestores de Companhias abertas. Mas, teremos que conviver com o fato, de que o padrão de informações do FRE, dificilmente sofrerá retrocesso. Só esperamos, que as autoridades subam a régua de exigência de informações das demais Companhias não listadas na bolsa de valores.
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Acesse abaixo os debates anteriores:
1. Acionista mais participativo
2. Votos nas Assembléias
3. Governança Corporativa
4. Profissionais de RI
5. 9º Encontro Nacional de RI: Atualização, mudanças, globalização
6. Segmentação da base de acionistas
7. A importância do site de RI e da Internet na ação dos Profissionais de RI
8. O papel da Imprensa no relacionamento do Investidor com a Companhia
9. A Crescente Complexidade das funções de R.I. e os Desafios dos Executivos da Área
10. Assembléias on-line, entraves e benefícios
11. A Implantação das IFRS no Brasil
12. Relações com Investidores em momentos de crise
13. Perspectivas em RI para 2009
14. IFRS na Prática
15. A Auto-Regulação e o CODIM
16. Destaques do 11º Encontro Nacional de RI e Mercado de Capitais
17.Sustentabilidade
18. Atendimento ao Investidor Individual
19. Apresentação de Resultados para Investidores e Analistas
20. O Desafio da Educação Financeira
Última atualização:04/07/11
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