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Periodicamente você conhecerá a opinião dos participantes do debate sobre o tema específico.

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DEBATE PORTAL ACIONISTA.COM.BR  & IBRI 

TEMA IBRI 2011: Bovespa em baixa significa companhias em crise?

                                                                                                Início: 18/10/2011

Participantes:

Alessandra Polastrini Membro da Comissão de Desenvolvimento Profissional do IBRI
João Antônio Passos Carvalho Relações com Investidores da MAHLE Metal Leve S.A.
Rodrigo Lopes da Luz Relações com Investidores da Eternit e Membro da Comissão de Desenvolvimento Profissional do IBRI

Bovespa em baixa significa companhias em crise?

Quem olha a economia brasileira pela ótica da Bolsa deve concluir que o país está em crise, suas empresas estão em recessão e o crescimento econômico se transferiu para os EUA. O Ibovespa acumula perda de 15,12% no ano (até dia 30 de julho), pior desempenho entre os países emergentes. A saída de pessoas físicas é notada desde fins do ano passado e ainda continua.

O saldo de investimentos estrangeiros é negativo desde fevereiro último. Aparentemente há uma fuga de investidores movidos pela aversão ao risco considerando a inflação acima da meta, a elevação da taxa de juros, a apreciação do real. Acrescente-se a estes fatores negativos a lenta recuperação da economia americana, a inflação e a redução do ritmo de crescimento da economia chinesa e a crise fiscal da Grécia que ameaça a contaminação de outros países da região e a estabilidade do euro. O cenário parece ficar ainda mais difuso.

A bolsa funciona na base da expectativa e a realidade é que, diante de cenários tão conturbados, a grande maioria das companhias negociadas na Bovespa, dos mais diferentes setores, apresenta queda no preço de suas ações em 2011.

Diante de tal cenário definido por analistas de mercado pergunta-se aos Executivos de RI:

1.Os índices que medem o desempenho das ações nos diversos setores refletem atualmente a realidade das companhias?

2.Qual a razão do descolamento do comportamento das ações com a evolução dos lucros das companhias no primeiro semestre de 2011?

3.Como os executivos de RI podem ajudar os investidores a entender melhor as incoerências atuais do mercado?

     4.Há algo que possa ser feito pelo setor de RI para potencializar a recuperação da bolsa neste segundo semestre de 2011?
     5.Quais os fatores econômicos, entendem os executivos de RI, que podem ajudar na recuperação do desempenho da bolsa este ano?
 
1. Os índices que medem o desempenho das ações nos diversos setores refletem atualmente a realidade das companhias?

Alessandra Polastrini

Apesar de representarem indicador médio do comportamento de uma determinada carteira teórica de ações, os índices nem sempre refletem a realidade das companhias. Isso acontece porque o movimento desses índices está sujeito a diferentes fatores, entre eles, resultados e expectativas de crescimento das companhias que compõem a carteira, cenário econômico, políticas governamentais e eventos extraordinários ou não recorrentes.

João Antônio Passos Carvalho

De modo geral atualmente os índices que medem o desempenho das ações têm se distanciado da realidade das companhias.

Rodrigo Lopes da Luz

Inevitavelmente os reflexos desta nova crise mundial já refletiram no Brasil, mas com um tom menor que 2008. No ano de 2007 a economia brasileira cresceu 4%, depois foi para 6% e em seguida, a economia passou três trimestres negativos, assim como o ano de 2009, que também foi negativo. Depois deste período, a economia brasileira mostrou sua força e recuperou-se fortemente e no segundo trimestre de 2011 apresentava crescimento de 4,7%. Segundo os especialistas, haverá uma diminuição no ritmo, mas não se espera que o PIB caia tanto quanto na crise de 2008, porque a economia está mais forte. 

Outro dado importante que comprova que o Brasil está mais preparado é que em setembro de 2008, antes da crise, o país tinha US$ 205 bilhões de reserva cambial, depois esse número caiu, porque o Banco Central usou parte das reservas, mas em seguida, voltou a crescer. Agora, temos US$ 346 bilhões. O BC tem, portanto, mais musculatura - pelo menos nas reservas cambiais - para enfrentar a crise. Agora se olharmos para as companhias, há empresas com bons fundamentos que não se justifica os atuais preços, frutos de rumores desta nova crise (Europa e EUA) que levou a saída de capital estrangeiro, que por conseqüência levou a saída de clubes de investimentos e pessoas físicas. Estes rumores criam volatilidade nas ações das Companhias e fazem com que suas performances e os índices de seus setores sejam negativos não refletindo assim a realidade das empresas.
 

2. Qual a razão do descolamento do comportamento das ações com a evolução dos lucros das companhias no primeiro semestre de 2011?

Alessandra Polastrini

Acredito que o descolamento do comportamento das ações frente a evolução dos lucros no primeiro semestre do ano resultou da maior atenção dos investidores ao cenário internacional, impactado pelo fraco desempenho da economia norte-americana, pela redução das expectativas de crescimento da China e pela crise européia. Não podemos esquecer que a participação de investidores estrangeiros no mercado de ações local é significativa. Além disso, as expectativas acerca das taxas de juros e outros indicadores econômicos internos também influenciaram o descolamento.

João Antônio Passos Carvalho

O descolamento do comportamento da variação de preços das ações comparado à evolução de desempenho das companhias brasileiras, não apenas no primeiro semestre de 2011 mas nos últimos anos, reflete em grande parte o aumento gradual de participação dos investidores estrangeiros nas distribuições públicas, em maior número desde 2006, no mercado nacional. As incertezas nos mercados globais de negociação de títulos ocasionam a venda de títulos e ações, bem como o resgate de cotas dos fundos de investimento em renda variável, e por conseqüência, o volume de vendas por parte de todos os investidores em determinado período, entre eles, o investidor estrangeiro que tem participação crescente ao longo dos últimos anos.

Rodrigo Lopes da Luz

Infelizmente tudo o que acontece na Europa e EUA, independentemente do que seja sempre haverá reflexos no Brasil, em menor ou maior proporção. Quando ocorrem eventos como estes, as empresas de commodities, que estão expostas aos fatores cambiais, são as primeiras a sofrerem estes deslocamentos. Os outros setores serão impactados na seqüência.

Agora, este deslocamento deixam empresas com múltiplos interessantíssimos, e algumas delas o valor de mercado estão abaixo do valor de seus ativos. Bom para aqueles investidores que compram neste momento de baixa e ruim para aqueles que vendem, pois a lógica do mercado é: para um ganhar alguém tem que perder.

Portanto, em minha opinião, tal deslocamento não se justifica. Salvo as atuações do governo, não há razões técnicas que explique tal motivo.
 

3. Como os executivos de RI podem ajudar os investidores a entender melhor as incoerências atuais do mercado?

Alessandra Polastrini

Os executivos de RI precisam transmitir os fundamentos da companhia para diferentes perfis de investidores de forma a alinhar as perspectivas internas com a percepção externa do mercado, aproximando o valor das ações do preço justo. Esses executivos devem estar munidos de sólido plano de negócios, além de entender o contexto que provocou tais incoerências para estabelecer abordagem efetiva dos investidores (atuais ou potenciais).

João Antônio Passos Carvalho

Os executivos de RI podem ajudar os investidores a separar o joio do trigo para o melhor entendimento do negócio, e conseqüentemente, da Companhia. A construção de um relacionamento de longo prazo de respeito aos acionistas gera confiança, e a manutenção do fluxo de informações, comunicação e transparência em meio a um ambiente de crise só pode trazer benefícios a longo prazo. O acionista pode até vender sua posição acionária na Companhia em determinado período crítico, mas a Companhia terá grandes chances dele retornar posteriormente em uma situação mais definida de mercado.

Rodrigo Lopes da Luz

O Brasil, que apesar de possuir uma das taxas mais alta de juros, além da constante preocupação com a inflação, o país ainda oferece condições de superar estes rumores e dar a volta por cima, pois temos muito que fazer neste país. Obviamente, alguns setores da economia contribuíram menos e outros mais, mas todos com a sua parcela de colaboração. Agora cabe aos profissionais de RI através dos fundamentos de sua empresa, da visão de futuro, do plano de investimentos, explicar que não há motivo nenhum para tais incoerências.
 

4. Há algo que possa ser feito pelo setor de RI para potencializar a recuperação da bolsa neste segundo semestre de 2011?

Alessandra Polastrini

Os profissionais de RI devem intensificar a aproximação com os investidores e analistas a fim de reduzir as distorções no entendimento sobre os fundamentos da companhia e sobre os impactos causados por situações atípicas. É importante destacar que esses profissionais tem papel fundamental no alinhamento de interesses entre as companhias e os investidores e, portanto, contribuem para o desenvolvimento do mercado de capitais.

João Antônio Passos Carvalho

Os profissionais do setor de RI devem continuar sua missão de construção de relacionamentos duradouros e de democratização da informação, o quê poderia potencializar uma recuperação no setor de investimentos em renda variável, porém a recuperação da bolsa sob o contexto de incertezas e turbulências nos mercados internacionais depende de fatores exógenos.

Rodrigo Lopes da Luz

Além do governo com suas medidas de contenção fiscal, cambial e controle da inflação, as empresas brasileiras não podem parar de investir, o que podemos discutir é a velocidade destes investimentos, mas parar não. Cerca de 80% do PIB nacional é gerado internamente, ou seja, não temos elementos para se preocupar, pois a nossa dependência do mercado externo é pequena, apenas 20%.

O que pode afetar a nossa economia é o desemprego, mas recentemente o país registrou uma das menores taxas nos últimos anos: 6%. É por isso que defendo que as empresas não podem parar de investir para que não haja uma evolução dos níveis de desemprego.

É nesta hora que o profissional de RI deve ser mais proativo, precisa ir ao mercado, fazer reuniões públicas, chamar seus investidores e potencias investidores para explicar o atual momento, a visão de futuro da sua Companhia, o seu plano de investimentos e etc., pois é em momentos de dificuldades que as oportunidades aparecem.

O resultado desta pro atividade será a redução da assimetria da informação sobre a sua companhia.
 

5. Quais os fatores econômicos, entendem os executivos de RI, que podem ajudar na recuperação do desempenho da bolsa este ano?

Alessandra Polastrini

A volatilidade irá permanecer enquanto o cenário internacional se mantiver negativo. Diante disso, o foco no fatores econômicos internos cuja relevância é capaz de influenciar as perspectivas dos investidores pode ajudar na recuperação. Cabe lembrar que para as companhias a captação de recursos por emissão de dívida ou de ações só faz sentido se houver necessidade de investimento, adequação da estrutura de capital ou aumento da liquidez. Já para os investidores o mercado de capitais só tem significado se os retornos forem atrativos e os riscos toleráveis. A adoção de política econômica condizente ao desenvolvimento do país deve contribuir para o aumento nos investimentos, controle de taxas de juros, retenção de investidores estrangeiros e outros aspectos essenciais ao desempenho da bolsa.

João Antônio Passos Carvalho

Apesar de características positivas específicas do mercado brasileiro, como por exemplo demanda aquecida e aumento do poder de compra das classes populares, a sustentabilidade do desempenho da economia brasileira está atrelada ao grau de estabilidade dos mercados internacionais. Tais mercados ou países, quando analisados em conjunto, possuem uma vasta gama de problemas econômicos muitas vezes complexos e de grande magnitude que foram sendo potencializados ao longo dos anos, e cujas soluções requerem planejamento, tempo, e acordos entre blocos econômicos e países. A recuperação do desempenho da bolsa este ano pode ocorrer, embora não seja sustentável, pois o que temos visto no mercado externo constitui-se mais em medidas paliativas isoladas para evitar-se contágio de crise entre países, pois os problemas em conjunto são numerosos e mais complexos, além de outra questão fundamental que precisa ser verificada: as causas da última crise global sequer foram efetivamente mitigadas. O resultado é o aumento da volatilidade nos mercados de capitais em todo o mundo para os próximos anos, o quê não impede de propiciar ótimas oportunidades de investimento com um grande número de ações a preços atrativos.

Rodrigo Lopes da Luz

A estimativa de crescimento do PIB, para 2011 divulgada no final do ano passado, não se concretizou, e o mesmo sofreu revisões para baixo mais algumas vezes. Mas mesmo assim, temos uma expectativa de crescimento sustentável a meu ver, na ordem de 4%, pois crescer entre 6% e 7%, como divulgado anteriormente, não faz sentido, além do país não estar preparado para tal crescimento.

Infelizmente a nossa bolsa tem uma dependência externa muito forte, ou seja, por mais que tenhamos fundamentos e uma economia sólida à bolsa sempre sofrerá impactos em função de rumores que esteja ligado a alguma catástrofe nos países do primeiro mundo.

No mercado interno o principal fator é a alta dos juros para segurar a inflação, pois temos uma demanda aquecida. Agora a situação fiscal também preocupa, pois o governo gasta muito e investe pouco.

Independentemente do fortalecimento de nossa economia e do que ainda temos pela frente, como por exemplo, Copa do Mundo e Jogos Olímpicos que sem dúvida nenhuma impulsionará a economia brasileira para os próximos anos, a bolsa brasileira só demonstrará sinais de recuperação quando houver uma definição de como ficará a situação da Europa e EUA.
 

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Acesse abaixo os debates anteriores:
1. Acionista mais participativo
2. Votos nas Assembléias
3. Governança Corporativa
4. Profissionais de RI
5. 9º Encontro Nacional de RI: Atualização, mudanças, globalização
6. Segmentação da base de acionistas
7. A importância do site de RI e da Internet na ação dos Profissionais de RI
8. O papel da Imprensa no relacionamento do Investidor com a Companhia
9. A Crescente Complexidade das funções de R.I. e os Desafios dos Executivos da Área
10. Assembléias on-line, entraves e benefícios
11. A Implantação das IFRS no Brasil
12. Relações com Investidores em momentos de crise
13. Perspectivas em RI para 2009
14. IFRS na Prática
15. A Auto-Regulação e o CODIM
16. Destaques do 11º Encontro Nacional de RI e Mercado de Capitais
17.Sustentabilidade
18. Atendimento ao Investidor Individual
19. Apresentação de Resultados para Investidores e Analistas
20. O Desafio da Educação Financeira
21.Formulário de Referência
Última atualização: 14/11/11
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