O Portal Acioni$ta e o IBRI em parceria apresentam aos seus usuários e associados um trabalho conjunto que visa apresentar a visão do profissional de relações com investidores sobre vários temas relacionados a sua atividade, tais como relacionamentos com os acionistas e investidores, novas ferramentas de comunicação, aprimoramento profissional, governança corporativa, responsabilidade social, sustentabilidade e muitos outros assuntos que poderão ser acompanhados aqui. 
A cada semana você conhecerá a opinião dos participantes do debate sobre o tema específico a uma das perguntas. E a cada 60 dias um novo tema será escolhido.

Ínicio:03/09/2009
DEBATE PORTAL ACIONI$TA & IBRI 

TEMA : Destaques do 11º Encontro Nacional de RI e Mercado de Capitais

Participantes:
- Silvio Guerra
- Marco Geovanne
- Bruno Fusaro

RI da Localiza
RI do Banco do Brasil
RI da Usiminas
O 11º Encontro Nacional de Relações com Investidores teve como objetivo discutir o comportamento do investidor no contexto da crise econômica internacional. Considerando os temas abordados e a opinião dos diversos participantes sobre os efeitos da crise no comportamento dos investidores, pergunta-se:

1. Quais alterações mais importantes no relacionamento investidor/companhia devem ser adotadas pelos profissionais de RI para minimizar os efeitos da crise na boa relação acionista/empresa?

2. Que medidas visando reforçar a transparência, hoje tão discutida, são aconselháveis serem tomadas na área de RI para recuperar a confiança dos investidores, abalada por falências de grandes empresas especialmente no mercado internacional?

3. Os modelos estruturados de informações contábeis e financeiras sobre o desempenho da companhia, atualmente utilizados e homologados pela CVM, são suficientes para atender a necessidade dos investidores em tempo de crise?

4. Quais os principais pontos positivos do mercado de capitais brasileiro que se podem destacar e que são preponderantes para a minimização dos efeitos negativos da crise no país?

5. Quais os pontos mais vulneráveis do sistema de gestão e de informações adotados no país que deveriam ser revistos pelas companhias brasileiras visando melhorar a relação investidor/mercado de ações?

1. Quais alterações mais importantes no relacionamento investidor/companhia devem ser adotadas pelos profissionais de RI para minimizar os efeitos da crise na boa relação acionista/empresa?

Silvio Guerra – RI da Localiza S/A

Ampliar a exposição aos investidores, ampliar a transparência mostrando os reais impactos no modelo de negócios, atender aos convites de conferencias, chats, reuniões, entre outros.

Marco Geovanne – Head of IR – Banco do Brasil S/A

Em primeiro lugar, os profissionais de RI não podem adotar a postura do avestruz. Nada de enfiar a cabeça em baixo da terra e esperar a tormenta passar. Durante o período da crise, as demandas aumentaram significativamente e foi fundamental adotarmos uma postura proativa para manter a comunicação fluindo com os diferentes stakeholders. Muitas empresas pensam que fazer RI significa comunicar-se apenas nas épocas de vacas gordas. Muito pelo contrário, a relação de confiança que se constrói com o mercado investidor deve ser fortalecida nos momentos difíceis. São nesses momentos que os investidores perdem a referência, os analistas não conseguem ajustar seus modelos e o profissional de RI deve mostrar os fundamentos da sua empresa e especificar claramente os impactos esperados no negócio devido ao ambiente adverso. Só assim, a área de RI poderá ajudar a empresa a defender seu valor e mostrar a verdade dos fatos.

Bruno Fusaro – Superintendente de RI – Usiminas S/A

Sem dúvida a Companhia deve estar preparada para administrar e contornar os efeitos de uma crise e isso somente será possível através de um trabalho estruturado e revestido de total transparência. Neste processo, os profissionais de RI terão uma participação fundamental na disseminação de informação aos investidores, aprimorando ainda mais o relacionamento e comunicação, a fim de demonstrar aos seus públicos estratégicos as expectativas de equacionamento das dificuldades que a Companhia atravessa no momento de crise, e quais medidas está adotando para minimizar eventuais perdas.

2. Que medidas visando reforçar a transparência, hoje tão discutida, são aconselháveis serem tomadas na área de RI para recuperar a confiança dos investidores, abalada por falências de grandes empresas especialmente no mercado internacional?

Silvio Guerra – RI da Localiza S/A

Focar na resiliência do seu modelo de negócio para suportar crises, atuar de forma conservadora com foco na preservação do caixa e na redução da dívida, cortar custos, postergar investimentos de baixo retorno e manter o cronograma de divulgações e reuniões públicas.

Marco Geovanne – Head of IR – Banco do Brasil S/A

No Banco do Brasil adotamos a prática de "abrir as portas" da empresa. Convide os investidores para uma "due diligence" na empresa. Essa prática já adotamos há algum tempo e tem sido elogiada por muitos investidores. O profissional de RI deve incentivar também a aproximação dos investidores com outros executivos da empresa. Traga os investidores para dentro da empresa para ouvirem o responsável por vendas, pela área de controle, pela inovação, lançamento de novos produtos, estratégia, etc. O profissional de RI, embora altamente qualificado, deve cooptar os demais executivos para essa cruzada de defender o negócio, a empresa, principalmente em momentos difíceis. Acreditamos que essa aproximação será importante para aumentar a confiança dos investidores nos executivos da empresa. Eles passaram a olhar a empresa além dos números e de um pedaço de papel chamado balanço e sentir melhor o lado humano do negócio.

Bruno Fusaro – Superintendente de RI – Usiminas S/A

O princípio básico de transparência na relação com os investidores é indispensável, pois constrói um clima de confiança mútua no mercado de capitais. O primeiro passo é ter um bem estruturado programa de RI pois criará a cultura de transparência a que nos referimos. A inserção do profissional de RI nas discussões da estratégia da Companhia também é fundamental para que o investidor tenha um real entendimento da empresa e faça sua avaliação bem fundamentada.

3. Os modelos estruturados de informações contábeis e financeiras sobre o desempenho da companhia, atualmente utilizados e homologados pela CVM, são suficientes para atender a necessidade dos investidores em tempo de crise?

Silvio Guerra – RI da Localiza S/A

Atingir a totalidade do padrão IFRS é o ideal: padroniza, elimina o trabalho de ter BRGAAP e USGAAP, e facilita todas as comparações entre setores.

Marco Geovanne – Head of IR – Banco do Brasil S/A

No Banco do Brasil buscamos ir além das informações publicadas de acordo com os padrões brasileiros homologados pela CVM. Muitas informações que ilustram a temperatura do negócio não aparecem nas peças contábeis. É por isso que a área de RI do BB desenvolve um produto que chamamos de Análise do Desempenho. Essa peça, complementar às informações oficiais, tem por objetivo explicar os negócios além daquilo que aparece no balanço e nas outras demonstrações oficiais.

Bruno Fusaro – Superintendente de RI – Usiminas S/A

O modelo regulatório brasileiro disponibiliza importantes instrumentos de avaliação para os investidores e estão disponíveis com velocidade (internet) e de forma simultânea para todos. Independentemente do momento, devem conter informações de qualidade, a fim de permitir aos investidores e potenciais investidores uma acurada avaliação e validação das decisões de compra, venda ou manutenção de posições. Todavia, em tempos de crise, haverá a necessidade maior, de ambos os lados, de um contato mais próximo, a fim de esclarecer perfeitamente a situação daquele momento circunstancial e permitir que os investidores sintam da parte dos administradores as estratégias da Companhia para sobrepujar as dificuldades.

4. Quais os principais pontos positivos do mercado de capitais brasileiro que se podem destacar e que são preponderantes para a minimização dos efeitos negativos da crise no país?

Silvio Guerra – RI da Localiza S/A

Nível de dívidas das empresas e alavancagem dos bancos é baixa; mercado imobiliário sem crise, montadoras de autos batendo recordes, setor público sob controle via lei de responsabilidade fiscal, câmbio flutuante, juro, inflação e ratio dívida publica/PIB idem, número pequeno de empresas (445) na bolsa para receber os grandes fluxos de capital, demanda reprimida em tudo que é setor, bom nível de governança corporativa, bom nível risco/retorno para os investimentos. O Brasil é a bola da vez e Lula é o cara!

Marco Geovanne – Head of IR – Banco do Brasil S/A

Sem dúvida alguma, a regulação no Brasil mostrou ser um ponto de destaque nesses tempos de crise. Embora precisemos fazer aprimoramentos, o arcabouço legal e regulamentar que temos no mercado financeiro e de capitais do País nos diferenciou e minimizou os efeitos negativos advindos da crise mundial. A atuação da CVM e do Banco Central são dignos de destaque.

Bruno Fusaro – Superintendente de RI – Usiminas S/A

Podemos citar o processo regulatório brasileiro, de relevante importância ao sistema de divulgação e disseminação de informação pelos emissores de valores mobiliários bem como a atuação dos profissionais de RI junto ao mercado de capitais, não só pelo seu reconhecido preparo, atuando sempre baseado nos princípios de transparência e independência, mas também pela forma pró-ativa, sobretudo nos momentos de crise.

5. Quais os pontos mais vulneráveis do sistema de gestão e de informações adotados no país que deveriam ser revistos pelas companhias brasileiras visando melhorar a relação investidor/mercado de ações?

Silvio Guerra – RI da Localiza S/A

Falta transparência e centralização da custódia e exposição de derivativos tomados no mercado de balcão e/ou intercompanies - a maior transparência seria via total transparência na divulgação do perfil de riscos - coso - das companhias.

Marco Geovanne – Head of IR – Banco do Brasil S/A

Quando estamos num processo de oferta fica nítida a necessidade de aprimorar os controles e a informatização dos processos que geram todas as informações que são utilizadas pela área de Relações com Investidores. O excesso de planilhas e sistemas isolados pode colocar em risco a adequabilidade e confiabilidade das informações. A implementação da SOX pelas empresas brasileiras está auxiliando nesse processo de modernização. A necessidade de se manter backups das informações e trilhas para auditoria oferece segurança ao profissional de RI quando divulga as informações sobre a empresa. Quanto mais ágil e seguro esse processo, melhor será a qualidade dos produtos desenvolvidos pela área de RI.

Bruno Fusaro – Superintendente de RI – Usiminas S/A

Alguns pontos estão em processo de discussão, tais como a aplicação das novas normas de demonstração contábeis de acordo com as regras IFRS e a edição das novas exigências de divulgação de informações mais completas por parte dos emissores (nova 202). Estas medidas trarão melhorias na gestão e divulgação dessas informações ao mercado e que certamente serão percebidas pelos investidores. É fato também que a aderência das Companhias aos níveis de governança corporativa, segmentos especiais que se diferenciam pela necessidade de observância de regras de listagem baseadas em boas práticas de governança corporativa, adicionais à legislação, contribui sobremaneira para o aumento da confiança dos investidores e, as discussões com vistas a um mercado de capitais, cada vez mais sólido, também estão em andamento, o que certamente melhorará esta relação investidor/mercado de capitais.

Acesse abaixo os debates anteriores:
1. Acionista mais participativo
2. Votos nas Assembléias
3. Governança Corporativa
4. Profissionais de RI
5. 9º Encontro Nacional de RI: Atualização, mudanças, globalização
6. Segmentação da base de acionistas
7. A importância do site de RI e da Internet na ação dos Profissionais de RI
8. O papel da Imprensa no relacionamento do Investidor com a Companhia
9. A Crescente Complexidade das funções de R.I. e os Desafios dos Executivos da Área
10. Assembléias on-line, entraves e benefícios
11. A Implantação das IFRS no Brasil
12. Relações com Investidores em momentos de crise
13. Perspectivas em RI para 2009
14. IFRS na Prática
15. A Auto-Regulação e o CODIM

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