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Mercado de ações: hora de manter sangue frio
11 de maio de 2004

As perdas registradas no mercado de ações assustam, mas a hora é de manter as posições diante da forte volatilidade dos papéis. O Ibovespa registrou quedas fortes demais e quem não saiu deve permanecer para acabar não realizando prejuízos maiores. No longo prazo, o preço dos papéis tende a se recuperar, pois já estão sendo vistos como baratos pelos analistas. Em apenas 40 dias (de 01 de abril a 10 de maio), o valor de mercado das 224 maiores empresas com ações negociadas na bolsa caiu US$ 54,08 bilhões. O Ibovespa despencou 20,49%. O valor de mercado das empresas era de US$ 216,17 bilhões no final de março.

Mesmo assim, os estrangeiros compraram na bolsa. O mês de abril registrou saldo positivo de investimentos estrangeiros de R$ 294.815 milhões, sendo que R$ 6.847 bilhões foram destinados a compra de ações e R$ 6.552 a vendas. No acumulado do ano, o saldo é de R$ 2.462 bilhões. O volume financeiro movimentado no quarto mês do ano foi de R$ 23,54 bilhões, ante os R$ 25,11 bilhões em março. Nos quatro primeiros meses de 2004, a Bovespa apresentou um número total de negócios na ordem de 4,545 bilhões, o que equivale a uma movimentação financeira de R$ 100 bilhões no período. Destes, R$ 90,904 bilhões foram negócios à vista em 2,552 bilhões de operações. Concernente aos investidores, o perfil vem se modificando.

As pessoas físicas que aplicam em bolsa têm aumentado consideravelmente. Em janeiro de 2003 o grupo representava 24% dos investidores. No final de março, a quantidade de pessoas físicas na Bovespa saltou para 29%, sinalizando que os projetos desenvolvidos junto à sociedade para a popularização do mercado de capitais está surtindo efeito. Contudo, as oscilações do Ibovespa no mês de abril, geradas pela insegurança interna e externa, provocou uma redução de 29,2% para 26,9% da participação de pessoas físicas. No período, os principais índices que compõem a Bolsa registraram desempenho negativo. Nos três primeiros meses de 2004, o Ibovespa obteve uma variação no vermelho de 11,8%. No mesmo período o Itel caiu 9,5%. O IEE recuou 16,2%, o IGC reduziu 11,9%, o IbrX-50 apresentou queda de 9,7%, enquanto que o IbrX-100 retraiu 8,9% e o IVBX caiu 8,1%.

Os acionistas que entraram no mundo da economia há pouco tempo, aproveitando os resultados da bolsa paulista em 2003, quando o Ibovespa acumulou alta de 97,3%, estão apreensivos. Os analistas têm sido procurados para auxiliá-los com freqüência cada vez maior e a recomendação é sempre a mesma: "paciência". "O momento é de manter a calma. Se o investimento foi bem feito, não haverá prejuízo ao acionista", assegura o presidente nacional da Associação de Analistas e Profissionais do Mercado de Capitais (Apimec), Humberto Casagrande Neto. Um investimento em bolsa é bem feito, classifica, quando o aplicador presta atenção em três aspectos. O primeiro diz respeito a utilização de recurso que não seja necessário para outros quesitos mais importantes como pagar contas fixas (aluguel, rancho familiar, pagamento de estudos e etc.). O segundo é procurar empresas com fundamentos solidificados para compor a carteira de ações e o terceiro fator é investir com visão de longo prazo.

"Quem está em apuros agora são somente os que fizeram a aposta mal feita, sem pensar nesses quesitos", comenta Casagrande. A analista de investimento da corretora CoinValores, Tatiane Pereira, concorda. "O risco aumentou e o momento é de incertezas, mas há muitas empresas que se mantêm fortes. Quem tem o perfil de investidor de longo prazo não precisa se preocupar, mas precisa de paciência", afirma a analista. Conforme Tatiane, o momento é de esperar a situação melhorar, pois a volatilidade da mesma é uma característica de investimento que possui uma certa dose de risco. Ela cita como fatores de interferência negativa na Bovespa a iminente alta das taxas no país do Tio Sam, a possível guinada no crescimento econômico chinês, a alta do petróleo e as crises políticas do governo Lula.

O presidente da Apimec-Sul, Lúcio Flávio, acrescenta que é necessário desvencilhar a Bolsa de Valores com os títulos das empresas. "É errado dizer que aplicamos em Bolsa. Na verdade a Bovespa é um local em que profissionais atuam e dão liquidez às ações das empresas. Os investidores compram as ações destas empresas. Nesse caso, a Bolsa pode até estar volátil, mas existem companhias que são estáveis e têm bons fundamentos", assinala o presidente da regional. Ele também parte da mesma opinião de que as aplicações devem ser efetuadas com visão de longo prazo e explica que os receios existem pois todas as pessoas são avessas ao risco. Contudo, ele questiona o prisma pelo qual os brasileiros de forma geral encaram o mercado acionário. "Será que é mais seguro investir em uma empresa ou no governo", questiona.

Enquanto o Ibovespa apresenta quedas consecutivas e furou o suporte de 18 mil pontos, preocupando os indivíduos que adquiriram ações quando estava em alta, a recomendação de quem está no mercado há mais tempo, (além da calma) é a de fazer remanejo de papéis. "Há ações de boas empresas que caíram até 25% e que têm perspectivas positivas de se recuperarem. Agora é hora de adquirir papéis de empresas com bons fundamentos", sinaliza Casagrande. Mas assumir essa postura quando se está perdendo não é tarefa fácil. A pessoa que se aventurou no mercado acionário pela primeira vez tem receio de apostar de novo. Casagrande admite que o brasileiro, em geral, não tem perfil de investidor. "É uma parcela irrisória da população que aposta em Bolsa. O brasileiro não tem cultura, como os norte-americanos por exemplo, de investir em renda variável. É por isso que a Bovespa está fazendo o trabalho de incentivo às pessoas físicas", ressalta. Lúcio Flávio acrescenta que o processo educativo sobre a Bolsa de Valores é necessário para que mais pessoas possam ser atingidas e contribuam com o desenvolvimento do mercado de capitais. "A pessoa física precisa entender o funcionamento do mercado e estar ciente de que as empresas não quebram repentinamente, apesar da volatilidade da Bolsa."

Se considerarmos o desempenho da Bovespa na última década, percebemos que alguns números evoluíram e outros quase não apresentaram relevância. Em 1994 o giro financeiro negociado foi de R$ 60,584 bilhões. Em 2003 o desempenho alcançou a marca de R$ 204,583 bilhões. Em dólares o valor se aproxima, pois houve desvalorização do real frente a moeda norte-americana. Para comparar, a média diária negociada passou de US$ 360 milhões há dez anos atrás para US$ 271,9 milhões em 2003. Até 30 de março de 2004, o principal índice da bolsa paulista se encontrava a 7.884 pontos, inferior aos 9.554 pontos ostentados em 1999. Abril de 2004 já não foi muito agradável ao mercado financeiro e maio tem desenhado perspectivas de piora. Resta saber até quando a pessoa física conseguirá assistir a esse show mal sintonizado com a frieza peculiar de investidores profissionais.

 

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