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Investimento$

Operações de crédito crescem mesmo com juros altos
31 de agosto de 2004

O volume de operações de crédito deve crescer em torno de 20% até o final do ano. Esta é a expectativa do economista da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), Roberto Troster. "Minha projeção é baseada no crescimento de 16% das ofertas de crédito apenas no mês de junho de 2004 em relação ao mesmo período do ano passado", afirma o economista. O crescimento não se estagnou. O mês de julho apresentou novo aumento de 0,9% em relação a junho no que concerne ao volume de operações de crédito. O volume de crédito totalizou R$ 446,954 bilhões, equivalente a 26,2% do PIB brasileiro. A explicação para Troster é simples: "Na medida em que há aumento de escala, com o crescimento econômico brasileiro, as taxas de juros caem também. E em razão disso, o prazo de financiamento das operações de crédito se prolonga". Em outras palavras, "a relação entre os bancos e os clientes está uma verdadeira lula de mel", resume, valendo-se de metáfora. O chefe do departamento do Banco Central, Altamir Lopes está de acordo e afirma que a trajetória de crescimento está associada a evolução da atividade econômica.

Os bancos privados são responsáveis por cerca de 60,5% dos empréstimos, o que significa R$ 270,2 bilhões. No acumulado do ano, a carteira de crédito das instituições financeiras privadas obteve uma evolução de 11,1%, ao passo que o crescimento da carteira de crédito dos bancos públicos no mesmo período foi de 6%. O crédito às pessoas físicas avançou 1,8%, acompanhado de uma leve queda nas taxas de juros. As taxas para pessoas físicas caíram de 140,3% para 140,1% no cheque especial; de 71,9% para 71,7% no crédito pessoal; de 36,3% para 36,1% na aquisição de veículos; e de 39,4% para 39,1% na compra de outros bens. As reduções para empresas foram de 49,3% para 47,5% no desconto de promissórias, e de 66,8% para 66,3% na conta garantida, contra aumentos para desconto de duplicatas (40% para 40,1%) e capital de giro (34,5% para 34,8%).

O economista e presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Miguel Ribeiro de Oliveira, se mantém mais cauteloso em relação aos rumos econômicos brasileiro. Admite que tem havido uma melhora na oferta de crédito à pessoa física e jurídica, além de uma redução nas taxas de juros bancárias. Porém, alerta para o fato dos juros ainda não terem atingido um patamar considerado baixo para o cliente. "A taxa média mensal de juros para o consumidor está em 7,71%, o que equivale a 143,82% a.a. Ainda está muito alto", observa.

Para Oliveira o melhor que o consumidor tem a fazer, no momento, é comprar à vista ou financiar um produto com prazo reduzido. O economista explica que na medida em que a rentabilidade dos títulos públicos recua, as instituições financeiras destinam mais recursos para as operações de crédito. As menores taxas praticadas pelos bancos públicos também servem como forma de pressionar os bancos privados a diminuírem suas taxas. Por isso a tendência é de uma queda continuada das taxas de juros.

O saldo total da carteira de crédito do Bradesco subiu de R$ 53 bilhões no acumulado do semestre de 2003 para R$ 58,4 bilhões no mesmo período de 2004. Isso significa um aumento de 10,2%. Do total, as pessoas físicas corresponderam por uma evolução de 23,6%, saindo de R$ 14,4 bilhões até junho de 2003 para R$ 17,8 bilhões até junho de 2004. O crédito para as grandes empresas passou de R$ 23,1 bilhões para R$ 24,3 bilhões, aumento de 5,2%. O segmento outras empresas avançou de R$ 15,5 bilhões para R$ 16,3 bilhões, aumento de 5,2%. O avais e finanças passou de R$ 5,6 bilhões em 2003 para R$ 6,8 bilhões em 2004.

Já a carteira total do Itaú cresceu 9,3%. O acumulado do semestre em 2003 era de R$ 44,6 bilhões e no mesmo período de 2004 ficou em R$ 48,7 bilhões. O segmento pessoas físicas saltou de R$ 9,7 bilhões para R$ 13,9 bilhões, avanço de 44%. Em relação ao crédito para micro, pequenas e médias empresas o aumento foi muito expressivo, de 126%, saindo de R$ 4,1 bilhões para R$ 9,2 bilhões. Tal subida compensou a queda de crédito em 8% para grandes empresas e de 9% para créditos mobiliários. Mesmo com o recente alerta sinalizado pelo Copom em relação a possibilidade de aumento da Selic nos próximos meses devido às pressões inflacionárias e à valorização do petróleo, o banco Itaú se mantém otimista. "Se a Selic subir, haverá um impacto no ritmo de operações de crédito, mas não no curto prazo, pois a demanda por crédito está muito aquecida", explica o vice-presidente e diretor de relações com investidores do Itaú, Alfredo Setúbal. Ele aposta em um crescimento do PIB brasileiro em aproximadamente 4%, e salienta que as conseqüências de uma possível elevação da taxa básica de juros brasileira apenas será sentida a partir de 2005.

Enquanto não se configura um quadro pessimista para a economia brasileira, e a estimativa majoritária ainda é a de recuperação do PIB em 4,0% até o final de 2004, a população aproveita o momento favorável. O crescimento de vendas no País é visível, impulsionado pelo aumento no número de empregos, aliado ao crédito com taxas mais baixas e prazos alongados. De janeiro a julho de 2004 houve um aumento no setor de máquinas e equipamentos de 22,4% ante ao igual período de 2003. O segmento faturou R$ 24,1 bilhões no período, operando com capacidade de 80,6% e as projeções apontam para uma expansão de 21% nas vendas até o final do ano. O salto mais alto ficou com as vendas de máquinas injetoras plásticas, que cresceu 56% nos seis primeiros meses do ano. No mesmo intervalo de tempo as máquinas gráficas tiveram incremento de 36% e as agrícolas de 27%.

O consumo de máquinas pelas empresas brasileiras tende a continuar em trajetória ascendente e a expectativa é de que até o final de 2004 a demanda deva atingir US$ 12 bilhões, após ter ficado estagnada em US$ 3 bilhões nos anos 2000, 2001 e 2002. Mas as exportações também são grandes impulsionadoras para a economia brasileira, já que no primeiro semestre avançaram 33% e totalizaram US$ 3,5 bilhões. No varejo foi verificada uma alta de 12,8% nas vendas. A balança comercial reflete os bons indicadores do país. Nos primeiros sete meses do ano, o superávit acumulado é de R$ 52,796 bilhões, equivalente a 5,59% do PIB. O previsto para o final do ano é que se atinja R$ 1,677 trilhão.

De acordo com o Sindicato da Indústria de Resinas Sintéticas no Estado de São Paulo, o consumo de produtos do setor petroquímico deu um salto de 11% quando comparado com o de 2003. A estimativa é de avanço em aproximadamente 7% até o final do ano puxado pelos setores automobilístico, têxtil, varejo e construção civil, além dos segmentos de linha branca, eletroeletrônicos e embalagens.

A Secretaria de Comércio Exterior (Secex) relatou que a importação de bens de capital cresceu 32,77% nos primeiros oito meses de 2004, e a de matérias-primas e insumos aumentou 26,7%. Ambos produtos correspondem a 73% do total das importações brasileiras. No igual período do ano passado, a compra de bens de capital caiu 15,1% e a de matérias-primas e insumos avançou apenas 7%. Apenas alguns exemplos que corroboram a projeção de que a economia brasileira irá crescer até o final do ano e experimentar uma relação amistosa entre consumidor e instituições financeiras.
 
 

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