- O cenário do ano que vem será caracterizado pela volta dos investimentos
do setor produtivo, fundamentado pelo incremento do crédito. A
estrategista da Corretora Ativa, Mônica Araújo, ressalta que os resultados
do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) dos meses de
setembro e outubro serviram para consolidar a percepção de que a indústria
de transformação, setor que mais sofreu os efeitos da crise, está
recompondo seus quadros. Os resultados no mercado de trabalho, em
conjunção com aumento da massa salarial, da massa salarial ampliada (que
inclui aposentadorias e programas sociais do governo) e das novas medidas
de isenção fiscal, devem assegurar um bom desempenho para o volume de
vendas no varejo.
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O economista-chefe da Consultoria Lopes Filho & Associados, Júlio Hegedus
Netto observa que as vendas do varejo avançando 5% neste ano sinalizam uma
retomada firme da economia. “O 13º salário deve injetar mais R$ 84,8
bilhões na economia, ou seja, 2,8% do PIB, mesmo que 26% deste total seja
usado para o pagamento de dívidas”. De acordo com o economista, outros
aspectos presentes em 2009 ainda devem agregar à economia em 2010. Entre
eles estão o retorno da confiança do consumidor, os programas sociais do
governo Lula, reajustes acima da inflação do salário mínimo, a isenção
fiscal para linha branca, automóveis, construção civil e móveis, a renda
real em recuperação e a preservação do emprego. Além disso, ele destaca o
segmento de alimentos, que vem sustentando esta retomada do varejo, já que
representa 60% do índice que compõem a cesta da Pesquisa Mensal do
Comércio (PMC).
De acordo com o estudo divulgado pelo departamento econômico do Grupo
Santander no Brasil, também contribuem as quedas de spread cobrados pelos
bancos e da inadimplência. “O consumo e os investimentos devem acelerar em
2010, respectivamente 6,0% e 8,0%”, segundo o economista Cristiano Souza.
Os juros não preocupam. A expectativa do Santander é que o índice de
inflação se mantenha na meta em 2010, ou seja, 4,5%, mesmo com a provável
subida da Selic no segundo semestre. A expectativa é que ela feche o ano a
10,75%.
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Como aproveitar este cenário no mercado financeiro?
A Corretora Ativa espera um mercado mais cauteloso, com um pouco mais de
volatilidade, mas consolidando um viés de longo prazo, que no final de
2010 deve resultar em um Ibovespa a 82 mil pontos. Para o economista da
Lopes Filho, a Bovespa pode passar de 90 mil pontos em 2010. O câmbio deve
se manter em baixa. A produção industrial deve avançar 8% em 2010, depois
de recuar mais de 7% em 2009.
No terceiro trimestre, nove dos 25 setores da Bovespa melhoraram a margem
operacional na relação anual, e mostraram equilíbrio durante o segundo
semestre deste ano. De acordo com a Ativa, os destaques foram
Sucroalcooleiro, Aviação, Construção Civil, Consumo, Petróleo, Shopping
Center, Tecnologia, Telefonia Móvel, Serviços Financeiros. “A expectativa
é que o desempenho corporativo no 4T09 mostrará forte recuperação também
sobre 3T09, acima da sazonalidade. Acreditamos em recuperação quase
generalizada, com destaque para setores voltados ao mercado interno. A
indústria e as commodities também deverão mostrar sinais consistentes”,
justifica a estrategista.
Diante disso, para 2010, a Corretora Ativa aponta como preferência as
empresas Positivo e TOTVS, a construtoras MRV, PDG e Brookfield, a AmBev,
a Guararapes e a Lojas Americanas, a BRMalls, a Randon, a WEG, a Açúcar
Guarani e a Cosan, a VALE e a Usiminas, a OHL e a Visanet. Conforme
Mônica, a performance dessas empresas só não será melhor devido ao câmbio,
que está reduzindo o impacto na receita em reais dos produtos exportados.
O que os gráficos mostram?
A tendência de alta do mercado acionário brasileiro é observada pelo
analista gráfico do Itaú Securities, Márcio Lacerda. A própria correção de
800% do Ibovespa desde o início do governo Luiz Inácio Lula da Silva, com
um dólar em movimento de alta, é um sinal de que o mercado permanece em um
canal de alta de longo prazo. A expectativa de Lacerda é que o Ibovespa
alcance os 114 mil pontos no final de 2010. “Desde o final de outubro,
ápice da crise, o Ibovespa deve valorizar 114%”. Segundo o analista, esse
ganho ainda é pequeno, se compararmos a proporção da retomada do índice em
momentos de alta volatilidade ou queda do mercado, como o período
pré-eleitoral do governo Lula, ou a quebra do Real em 2000, quando em um
ano e meio a bolsa subiu 330%.
A visão do analista técnico e sócio da Enfoque Informações Financeiras,
Fausto de Arruda Botelho, é diferente. Para ele, o importante é ficar
atento aos próximos 30% ou 40% de ganho ou baixa da Bolsa. Isso significa
observar a tendência de curto prazo para o mercado acionário brasileiro,
que é de realização, na visão do analista. “A linha do meio do gráfico do
Ibovespa que está num canal de alta já está quase ultrapassando os topos
do canal, ou seja, os preços máximos das ações”, explica. A sugestão do
especialista é ter um carteira de ações em um prazo entre cinco e dez anos
– tempo histórico que o mercado demora para voltar para cima da parte do
canal - e trabalhar com ordens de spot, ou seja, patamares de venda dos
papéis, para não realizar os lucros com preços muito abaixo do que se
poderia ter conseguido.
Expectativa de expansão da economia