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Perspectivas de indicadores macroeconômicos reforçam alta da Bolsa

A manutenção de tendência positiva para o mercado acionário brasileiro é compartilhada pelos analistas de uma maneira geral, e é acompanhada de indicadores macroeconômicos nacionais considerados saudáveis. A alta de 80% do Ibovespa desde o período mais crítico da crise mundial não indica um 2010 de realização para a Bolsa, no entanto, as projeções de valorização do Ibovespa variam. Por outro lado, as expectativas para o crescimento da economia, da taxa de juros, do patamar da inflação, inadimplência e renda praticamente não diferem uma da outra.

O cenário do ano que vem será caracterizado pela volta dos investimentos do setor produtivo, fundamentado pelo incremento do crédito. A estrategista da Corretora Ativa, Mônica Araújo, ressalta que os resultados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) dos meses de setembro e outubro serviram para consolidar a percepção de que a indústria de transformação, setor que mais sofreu os efeitos da crise, está recompondo seus quadros. Os resultados no mercado de trabalho, em conjunção com aumento da massa salarial, da massa salarial ampliada (que inclui aposentadorias e programas sociais do governo) e das novas medidas de isenção fiscal, devem assegurar um bom desempenho para o volume de vendas no varejo.

O economista-chefe da Consultoria Lopes Filho & Associados, Júlio Hegedus Netto observa que as vendas do varejo avançando 5% neste ano sinalizam uma retomada firme da economia. “O 13º salário deve injetar mais R$ 84,8 bilhões na economia, ou seja, 2,8% do PIB, mesmo que 26% deste total seja usado para o pagamento de dívidas”. De acordo com o economista, outros aspectos presentes em 2009 ainda devem agregar à economia em 2010. Entre eles estão o retorno da confiança do consumidor, os programas sociais do governo Lula, reajustes acima da inflação do salário mínimo, a isenção fiscal para linha branca, automóveis, construção civil e móveis, a renda real em recuperação e a preservação do emprego. Além disso, ele destaca o segmento de alimentos, que vem sustentando esta retomada do varejo, já que representa 60% do índice que compõem a cesta da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC).

De acordo com o estudo divulgado pelo departamento econômico do Grupo Santander no Brasil, também contribuem as quedas de spread cobrados pelos bancos e da inadimplência. “O consumo e os investimentos devem acelerar em 2010, respectivamente 6,0% e 8,0%”, segundo o economista Cristiano Souza. Os juros não preocupam. A expectativa do Santander é que o índice de inflação se mantenha na meta em 2010, ou seja, 4,5%, mesmo com a provável subida da Selic no segundo semestre. A expectativa é que ela feche o ano a 10,75%.

Como aproveitar este cenário no mercado financeiro?
A Corretora Ativa espera um mercado mais cauteloso, com um pouco mais de volatilidade, mas consolidando um viés de longo prazo, que no final de 2010 deve resultar em um Ibovespa a 82 mil pontos. Para o economista da Lopes Filho, a Bovespa pode passar de 90 mil pontos em 2010. O câmbio deve se manter em baixa. A produção industrial deve avançar 8% em 2010, depois de recuar mais de 7% em 2009.

No terceiro trimestre, nove dos 25 setores da Bovespa melhoraram a margem operacional na relação anual, e mostraram equilíbrio durante o segundo semestre deste ano. De acordo com a Ativa, os destaques foram Sucroalcooleiro, Aviação, Construção Civil, Consumo, Petróleo, Shopping Center, Tecnologia, Telefonia Móvel, Serviços Financeiros. “A expectativa é que o desempenho corporativo no 4T09 mostrará forte recuperação também sobre 3T09, acima da sazonalidade. Acreditamos em recuperação quase generalizada, com destaque para setores voltados ao mercado interno. A indústria e as commodities também deverão mostrar sinais consistentes”, justifica a estrategista.

Diante disso, para 2010, a Corretora Ativa aponta como preferência as empresas Positivo e TOTVS, a construtoras MRV, PDG e Brookfield, a AmBev, a Guararapes e a Lojas Americanas, a BRMalls, a Randon, a WEG, a Açúcar Guarani e a Cosan, a VALE e a Usiminas, a OHL e a Visanet. Conforme Mônica, a performance dessas empresas só não será melhor devido ao câmbio, que está reduzindo o impacto na receita em reais dos produtos exportados.

O que os gráficos mostram?

A tendência de alta do mercado acionário brasileiro é observada pelo analista gráfico do Itaú Securities, Márcio Lacerda. A própria correção de 800% do Ibovespa desde o início do governo Luiz Inácio Lula da Silva, com um dólar em movimento de alta, é um sinal de que o mercado permanece em um canal de alta de longo prazo. A expectativa de Lacerda é que o Ibovespa alcance os 114 mil pontos no final de 2010. “Desde o final de outubro, ápice da crise, o Ibovespa deve valorizar 114%”. Segundo o analista, esse ganho ainda é pequeno, se compararmos a proporção da retomada do índice em momentos de alta volatilidade ou queda do mercado, como o período pré-eleitoral do governo Lula, ou a quebra do Real em 2000, quando em um ano e meio a bolsa subiu 330%.

A visão do analista técnico e sócio da Enfoque Informações Financeiras, Fausto de Arruda Botelho, é diferente. Para ele, o importante é ficar atento aos próximos 30% ou 40% de ganho ou baixa da Bolsa. Isso significa observar a tendência de curto prazo para o mercado acionário brasileiro, que é de realização, na visão do analista. “A linha do meio do gráfico do Ibovespa que está num canal de alta já está quase ultrapassando os topos do canal, ou seja, os preços máximos das ações”, explica. A sugestão do especialista é ter um carteira de ações em um prazo entre cinco e dez anos – tempo histórico que o mercado demora para voltar para cima da parte do canal - e trabalhar com ordens de spot, ou seja, patamares de venda dos papéis, para não realizar os lucros com preços muito abaixo do que se poderia ter conseguido.

Expectativa de expansão da economia

Local

PIB 2009 (%)

PIB 2010 (%)

Mundo

(3,0)

2,5

Argentina

(2,5)

1,5

Brasil

0,6

4,8

China

8,5

10

EUA

(3,4)

1,3

Euro

(2,8)

1,4

Índia

5,4

6,4

Japão

(4,7)

(1,7)

Rússia

(7,5)

1,8

Fonte: Consultoria Lopes Filhos&Associados

Expectativa de Expansão (%) da Economia Brasileira

Comparação Trimestral

Total

Indústria

Serviços

1T2010//1T2009

5,9

7,5

5,3

2T2010/2T2009

5,8

7,2

5,2

3T2010/3T2009

5,8

6,8

5,4

2010/2009

5,5

6,1

5,1

Fonte: Corretora Ativa

Balanço e Expectativa para a Economia Brasileira pós-crise

Indicador

Dez/08

Nov/09

2009*

2010*

Inflação (IPCA 12m %)

5,90

4,14

-

-

IGPM (12m)

9,81

(1,61)

-

-

Inflação 2009 (IPCA)

4,50

4,30

4,35

4,50

Dólar (R$/US$)

2,33

1,72

1,72

1,75

Produção Industrial (PIM 12m)

3,10

(8,90)**

-

-

Capacidade Instalada (CNI)

77,8

82,9

-

-

Risco Brasil

416

223

-

-

Taxa de Juros Básica (Selic) %

13,75

8,75

8,75

10

Balança Comercial (US$ Bi)

-

-

25,0

15,0

CNI – Confederação Nacional da Indústria
*Expectativas Crescimento
** set/09
Fonte: Consultoria Lopes Filho&Associados

Elaborado e editado pela jornalista Grazieli Inticher Binkowski

redacao@acionista.com.br 


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