Recebíveis e debêntures dividem preferência das empresas para capital de giro
26 de dezembro de 2005


Os Fundos de Direitos Creditórios (FIDCs) estão sendo cada vez mais utilizados por empresas de médio e grande porte para a obtenção de capital de giro, uma vez que podem ser emitidos com prazos de até quatro anos. Por conta disso, estão concorrendo mais com os financiamentos de crédito de curto prazo - como os descontos de duplicatas - do que com as debêntures. A avaliação é do sócio-diretor da Oliveira Trust, Mauro Sérgio Oliveira. Segundo ele, as debêntures, por sua vez, recebem a preferência das corporações nas captações de longo prazo. “Somente concorrem com os recebíveis quando são empregadas para ampliar o caixa”, afirmou.

Por conta deste cenário, Oliveira avalia que por enquanto será difícil o volume de FIDCs superar a quantidade de debêntures no mercado primário. Isso porque os fundos considerados de grande porte somam cerca de R$ 300 milhões e apenas uma emissão de debêntures consegue atingir a casa dos bilhões. “Não é fácil montar um grande fundo. Como as agências de rating são muito exigentes, é difícil que um FIDC consiga ter títulos de qualidade elevada o suficiente para obter uma classificação acima de A”, explicou Oliveira. Além disso, como o mercado é novo, não há demanda por papéis de um fundo abaixo de A. “A evolução da curva de aprendizado tende a alterar isto”, afirmou.

Os FIDCs seguem regras bem rígidas com uma regulamentação própria editada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Os descontos dos títulos, por exemplo, são seguidos de renovação na medida em que são cobrados. “Podem ser utilizados para capital de giro de financeiras, fundo industrial, comercial ou bancos”, destacou Oliveira. A Sadia reduziu seu endividamento líquido em maio deste ano (2005) em R$ 140 milhões com a criação de um fundo formado por recebíveis da própria empresa.

Por meio das debêntures, as empresas também podem captar recursos de uma só vez e utilizam o dinheiro para cumprir seus objetivos, que em geral são de longo prazo. “A debênture já foi usada na falta de alternativa de obtenção de recursos para reforçar o caixa”, lembrou Oliveira.

A questão é que, para emitir uma debênture no mercado, a companhia precisa abrir o capital, fazer uma emissão grande de papéis e ter credibilidade no mercado financeiro. “É um produto interessante para grandes companhias abertas que já têm procedimento de governança corporativa”, ressaltou Oliveira. A debênture pode ser usada para investimentos em novas unidades e ao mesmo tempo para que a empresa fomente o negócio.

Já os recebíveis proporcionam uma alternativa ao financiamento bancário, que devido às altas taxas de juros praticadas, ficou proibitivamente caro para o universo de companhias menores. Os FIDCs também têm se mostrado como uma alternativa para bancos e financeiras de diversificação das fontes de captações.



 
Mercado Secundário por Papéis - Consolidado BOVESPA FIX e SOMAfix
Ano Debênture Notas Prom. CRI** FIDC***
Volume - R$ Neg. Volume - R$ Neg. Volume - R$ Neg. Volume - R$ Neg.
2001                 41.790.624,20      51                  -        -                            -        -                              -        -  
2002               338.818.384,91     126                  -        -                            -        -                              -        -  
2003               405.195.025,34     119                  -        -          50.194.275,69      10                            -        -  
2004            1.413.463.319,30     144                  -        -         267.252.248,57    121         421.034.515,75    132
2005*               318.477.940,07     132                  -        -         670.948.277,71      98         943.243.911,71    328

Total

           2.517.665.731,68

    572                  -        -         988.394.801,97

   229

     1.364.278.427,46

   460

* Até 30 de  novembro de 2005.   **Negociação a partir de 16 de janeiro 2004   ***Negociação a partir de 16 de janeiro 2004
Fonte: Bovespa


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por Larissa Mamouna

Editado pela Jornalista Ana Borges
26/12/05

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