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Os Fundos de Direitos Creditórios (FIDCs) estão sendo cada vez mais
utilizados por empresas de médio e grande porte para a obtenção de
capital de giro, uma vez que podem ser emitidos com prazos de até quatro
anos. Por conta disso, estão concorrendo mais com os financiamentos de
crédito de curto prazo - como os descontos de duplicatas - do que com as
debêntures. A avaliação é do sócio-diretor da Oliveira Trust, Mauro
Sérgio Oliveira. Segundo ele, as debêntures, por sua vez, recebem a
preferência das corporações nas captações de longo prazo. “Somente
concorrem com os recebíveis quando são empregadas para ampliar o caixa”,
afirmou.
Por conta deste cenário, Oliveira avalia que por enquanto será difícil o
volume de FIDCs superar a quantidade de debêntures no mercado primário.
Isso porque os fundos considerados de grande porte somam cerca de R$ 300
milhões e apenas uma emissão de debêntures consegue atingir a casa dos
bilhões. “Não é fácil montar um grande fundo. Como as agências de rating
são muito exigentes, é difícil que um FIDC consiga ter títulos de
qualidade elevada o suficiente para obter uma classificação acima de A”,
explicou Oliveira. Além disso, como o mercado é novo, não há demanda por
papéis de um fundo abaixo de A. “A evolução da curva de aprendizado
tende a alterar isto”, afirmou.
Os FIDCs seguem regras bem rígidas com uma regulamentação própria
editada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Os descontos dos
títulos, por exemplo, são seguidos de renovação na medida em que são
cobrados. “Podem ser utilizados para capital de giro de financeiras,
fundo industrial, comercial ou bancos”, destacou Oliveira. A Sadia
reduziu seu endividamento líquido em maio deste ano (2005) em R$ 140
milhões com a criação de um fundo formado por recebíveis da própria
empresa.
Por meio das debêntures, as empresas também podem captar recursos de uma
só vez e utilizam o dinheiro para cumprir seus objetivos, que em geral
são de longo prazo. “A debênture já foi usada na falta de alternativa de
obtenção de recursos para reforçar o caixa”, lembrou Oliveira.
A questão é que, para emitir uma debênture no mercado, a companhia
precisa abrir o capital, fazer uma emissão grande de papéis e ter
credibilidade no mercado financeiro. “É um produto interessante para
grandes companhias abertas que já têm procedimento de governança
corporativa”, ressaltou Oliveira. A debênture pode ser usada para
investimentos em novas unidades e ao mesmo tempo para que a empresa
fomente o negócio.
Já os recebíveis proporcionam uma alternativa ao financiamento bancário,
que devido às altas taxas de juros praticadas, ficou proibitivamente
caro para o universo de companhias menores. Os FIDCs também têm se
mostrado como uma alternativa para bancos e financeiras de
diversificação das fontes de captações.
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Mercado Secundário por Papéis - Consolidado BOVESPA FIX e SOMAfix |
|
Ano |
Debênture |
Notas Prom. |
CRI** |
FIDC*** |
|
Volume - R$ |
Neg. |
Volume - R$ |
Neg. |
Volume - R$ |
Neg. |
Volume - R$ |
Neg. |
|
2001 |
41.790.624,20 |
51 |
- |
- |
- |
- |
- |
- |
|
2002 |
338.818.384,91 |
126 |
- |
- |
- |
- |
- |
- |
|
2003 |
405.195.025,34 |
119 |
- |
- |
50.194.275,69 |
10 |
- |
- |
|
2004 |
1.413.463.319,30 |
144 |
- |
- |
267.252.248,57 |
121 |
421.034.515,75 |
132 |
|
2005* |
318.477.940,07 |
132 |
- |
- |
670.948.277,71 |
98 |
943.243.911,71 |
328 |
|
Total |
2.517.665.731,68
|
572 |
- |
- |
988.394.801,97 |
229 |
1.364.278.427,46 |
460 |
* Até 30 de
novembro de 2005. **Negociação a partir de 16 de janeiro
2004 ***Negociação a partir de 16 de janeiro 2004
Fonte: Bovespa
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