- Investimentos
BM&F aposta na internet para pessoa física
Por Ana Borges, de São Paulo
22 de setembro de 2004
A Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) quer atingir o pequeno investidor. Até
o final do ano, as pessoas físicas poderão negociar via internet
mini-contratos de Ibovespa futuro e de boi através da plataforma WebTrading. O
sistema permite ao cliente inserir as ofertas em seu nome utilizando o site de
sua corretora.
O objetivo é atingir a pessoa física, no entanto, nem todos poderão usar o
WebTrading na primeira fase do projeto. A bolsa também não quer fazer com que
os investidores migrem dos contratos normais para operarem com o mini. “O
sistema é voltado à pessoa física que quer operar com derivativo mas não tem
acesso a este mercado”, afirma Teixeira. Na primeira fase, as corretoras serão
cadastradas e recebem cerca de 100 senhas para oferecer aos clientes com
perfil para negociar através do WebTrading. A divulgação para chamar novos
investidores deve ocorrer numa segunda fase. Para as corretoras, o custo
operacional também será baixo em relação ao recebimento e execução de ordens e
controle de riscos. Para reduzir o risco o cliente deve depositar uma margem
antes da operação com o objetivo de liquidar possíveis ajustes negativos,
custos e demais obrigações.. “A condição pré-margem visa reduzir o risco do
sistema e tornar as operações mais baratas”, explica o diretor técnico da
BM&F, Marco Aurélio Teixeira..
Os preços dos mini-contratos serão monitorados no pregão para que sejam
equilibrados com os contratos normais. A BM&F também deve se utilizar da
figura dos arbitradores, cerca de 20 investidores profissionais que vão gerar
liquidez ao mercado. O arbitrador terá custos especiais e tratamento de margem
distinto, pois irá operar tanto nos contratos minis como nos correspondentes
contratos padrões. “O cliente arbitrador pode operar nos dois mercados e
arbitrar a diferença entre os minis e os contratos normais que acabarão
forçosamente a convergir para o mesmo patamar”, observa.
Os ativos oferecidos pela internet não podem oscilar muito para não permitir
que o investidor perca demais. Ao mesmo tempo contratos de juros que oscilam
pouco não valem a pena para pequenos investimentos. A idéia de negociar minis
através da internet é de baratear os custos da operação, que devem ficar fixos
em R$ 3,00. Os mini-contratos equivalem a 10% do tamanho dos contratos
negociados na BM&F. Hoje o Ibovespa futuro vale R$ 0,30, enquanto o de boi
equivale a 33 arroubas. Outro ponto positivo é a facilidade do entendimento.
“Não adianta colocarmos contratos complexos como o de opções e cupom cambial,
por exemplo. “Num primeiro momento vamos ver a performance do sistema para
avaliarmos se vai ser possível oferecer o futuro de dólar ou não. Por enquanto
só iremos colocar futuros com volatilidade adequada e que podem ser liquidados
financeiramente”, explica Teixeira.
Atualmente existem apenas dois contratos minis na BM&F: o de dólar, que
negocia cerca de 2.500 contratos diários e o fracionário de índice, com
negociação de 15 mil por dia. A idéia de negociar mini-contratos de futuro
através da internet foi uma resposta das bolsas mundiais ao crescimento da
Nasdaq que conquistou uma parcela grande de investidores que operavam com o
futuro devido ao custo menor. Na BM&F o contrato mini de índice Bovespa é o
mais utilizado pelas pessoas físicas. Como o retorno para as corretoras não
era compatível com esse tipo de operação, as negociações acabaram migrando
para o meio eletrônico.
anaborges@acionista.com.br
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