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As perspectivas de 2010 de um câmbio no patamar entre R$ 1,60 e R$ 1,80, em linha com a variação da moeda norte-americana no Brasil, não revelam questões importantes que justificam a influencia do indicador para a economia. Além de considerar o recente período de crise, a valorização das moedas de países emergentes e a perda de valor da moeda de uma das mais importantes economias mundiais, há variáveis, inclusive políticas, que devem ser observadas. Na visão do operador sênior de cambio da TOV Corretora, Fernando Bergallo, além de sofrer fortes oscilações no ano que vem, o dólar pode ter constantes quedas. “Os períodos eleitorais são sempre marcados por grandes solavancos na moeda, e não há dúvidas de que a possível troca de comando do Banco Central deixará o mercado em alerta”, justifica. A segurança trazida aos investidores internacionais pelo atual presidente, Henrique Meirelles, é um dos elementos que preocupa. O economista da Corretora Geral, Denílson Alencastro também destacou algumas variáveis políticas que estão sendo e continuarão relevantes para a cotação das moedas. Algumas medidas governamentais recentes, como a taxação de 2%, através do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para a entrada de capital estrangeiro no mercado financeiro brasileiro é um dos elementos que estimula a baixa do câmbio. A mudança na balança de pagamentos brasileira é outro fator importante. Impactada pelo crescimento da economia brasileira superior a outros países tradicionalmente exportadores, especialmente após a crise, o saldo das importações está superior ao das vendas ao exterior, resultando em menos dólares para o Brasil, o que contribui para a pressão da cotação da moeda. No ano que vem, economias consumidoras como a norte-americana e a européia continuarão a crescer em um ritmo menor. No entanto, Alencastro aponta para outros efeitos que tem uma tendência oposta. Entre eles estão os eventos nos próximos anos, como a Copa do Mundo e as Olimpíadas, que devem trazer investimentos para o país. A taxa de juros brasileira continua atraente, e muito influente no movimento do fluxo de capitais. O operador da TOV cita outro fator que contribui para a valorização do dólar: a elevação a Investiment Grade do Brasil, pela agência Moody`s. “Alguns fundos só investem em locais que possuam grau de investimento, por trazer uma maior segurança. Podemos citar os fundos canadenses, que por força de seus estatutos, só investem em países com a tríplice recomendação”, explica. De acordo com Bergallo, até o final do ano, o Brasil deve receber entre US$ 20 e US$ 30 bilhões. O cenário atual, especialmente, após a crise do ano passado, do qual faz parte a nova realidade da balança de pagamentos brasileira, tem implícito riscos ao mercado, na visão do economista da BGC Liquidez, Alfredo Barbuti. Ele ressalta que hoje, o fluxo da moeda estrangeira no Brasil é muito dependente dos investidores de ação. Neste ano, UR$ 32 bilhões, frente a US$ 3 bilhões da balança comercial e UR$ 8 bilhões através de operações de renda fixa. Barbuti lembra que os agentes financeiros são mais concentrados e procuram um retorno rápido das suas aplicações. E a esse fator, se agregam outros, frente aos quais o economista ressalta o risco de escassez de dólar no mercado brasileiro. De alguma forma, esses valores deverão voltar aos seus países de origem, como por exemplo, através de lucros ou dividendos. “Outro problema da desvalorização do dólar é que não é tão fácil transferir a perda do valor do dólar como um ganho para o real”, contextualiza. O economista destaca que medidas governamentais no sentido de segurar essa queda têm sido freqüências não só no Brasil. Outros países, como China e Japão, também atuam nesse sentido, já que não sustentariam suas economias com uma moeda tão valorizada.
Elaborado e editado pela jornalista Grazieli Inticher Binkowski |
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