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14 janeiro de2009
Recessão técnica é
o estado que está sendo atribuído à economia brasileira nas últimas
semanas. Ele é explicado pela certeza de um primeiro trimestre (1tr)
ruim, conseqüência da queda de crescimento do PIB nacional no terceiro
trimestre de 2008 e de queda também no quarto trimestre. A boa noticia é
que o cenário nada positivo pode estar sendo antecipado pelo mercado. O
gerente de mesa de operações da Geraldo Correa Corretora, Sandro
Fernandes, acredita que a primeira reação dos investidores aos maus
resultados das empresas esperados para o 1tr09 levará a bolsa aos 32 mil
ou 34 mil pontos, abaixo dos 37.550 que fechou 2008. “No entanto, ele
será um ótimo ponto de compra, uma excelente oportunidade”, acredita
Fernandes.
Para o gerente, após essa queda, a bolsa começará a antecipar uma
melhora na economia, e deveremos ver um mercado menos volátil. A
estimativa de Fernandes não é compartilhada pelo diretor da Consultoria
Projeção e analista gráfico Ricardo Borges. “Eu não sei o que ocorrerá
este ano. Acredito que a Bolsa tem 50% de chance de cair e 50%, de
subir. Mas a alta, se vier, será no fim do segundo semestre”, argumenta.
O cenário de alta volatilidade de curto prazo e de recessão técnica da
economia nacional, de certa forma, não parecem influenciar a visão do
sócio e do diretor da Humaitá Investimentos, Frederico Mesnik e Marcio
Maciel de Almeida Macedo. “Mesmo dia da alta volatilidade no curto
prazo, o fato dos lucros das empresas virem positivos ao longo do ano, o
Ibovespa tem chances de subir entre 10% e 15%”, afirmam.
O operador da TOV Corretora, Décio Pecequilo, também se considera um
otimista com o mercado, e acredita que o índice pode subir até 55 mil
pontos. Seu argumento é justificado através de uma pesquisa feita por
ele que demonstra que o ciclo “mais perfeito” de alta do Ibovespa, como
caracteriza, começou em 3 de janeiro de 2003 e terminou em 20 de maio do
ano passado, quando atingiu 73.566 pontos. Ou seja, durou 25 anos, porém
não consecutivos, contra 16, de baixa. O otimismo é justificado pelo
recente histórico do Ibovespa, que tem apenas 41 anos, pela maneira
diferenciada como o Brasil entrou nesta crise, muito diferente de outros
períodos, e pelas projeções de organismos internacionais, como o Banco
Mundial e o Fundo Monetário Internacional (FMI), que entendem que o país
vai crescer mais que o restante do mundo neste ano.
Enquanto o cenário ainda parece não indicar tendência definida, como
aponta a análise gráfica da Consultoria Projeção, outra dúvida também
divide o mercado: como se posicionar em renda variável. Ricardo Borges
não recomenda ter nenhuma parcela aplicada na Bovespa para investidores
que ainda não estão ou têm poucos investimentos e experiência. “Para
aqueles que entendem bem sobre bolsa, oportunidades momentâneas têm
aparecido tanto na compra como na venda de ações, entretanto seriam
apenas para especular”. A opinião do analista parece um dos poucos
consensos neste momento sobre cerca de um terço dos investidores da
Bovespa, isto é, 500 mil pessoas físicas.
A especulação não combina com a bolsa é o recado que poderia se entender
do cuidado com que os profissionais consultados falam sobre o
investimento. Necessariamente, não é isso, mas é o recado de que bolsa é
para o longo prazo. Para o operador da TOV, a indicação para os clientes
é de não realizar os prejuízos, ou seja, não se desfazer das posições
neste momento. Para o sócio e o diretor da Humaitá, o investidor só verá
resultado dentro de três e seis anos. Por isso, a parcela investida em
renda variável deve ser daqueles recursos que ele não precisara ocupar
neste período. Para Pecequilo, cerca de 30% da carteira pode estar em
bolsa, mas a dica para aqueles iniciantes, que operam com valores
pequenos, entre R$ 5 mil e R$ 10 ml, é não fazer uma grande diluição do
capital.
O gerente da Geraldo Correa, Sandro Fernandes, lembra da necessidade do
perfil do investidor ser observador. “A parcela para montar uma carteira
de investimentos em bolsa seria de 40% do capital, 30% em renda fixa e o
restante em imóveis, mas quando a pessoa atingir uma certa idade, como
55 anos, deveria diminuir sua parcela de risco, e colocar 25% em bolsa”,
explica. A parcela investida também varia de setor para setor. Para
Fernandes, neste momento, quando uma pessoa decide investir no mercado
de ações, ela deve procurara alocar 50% do capital investido nos setores
de energia, saneamento e telecomunicações,que são bons pagadores de
dividendos; 30% em empresas de primeira linha. E 20% em small caps.
“Geralmente dão excelentes retornos aos seus acionistas”, justifica.
Para Mesnik e Macedo, da Humaitá Investimentos, o importante é avaliar
primeiramente as empresas, não os setores ou o próprio desempenho (e
momentâneo) da economia. Observar os itens que indicam retorno sobre
cada real investido pela empresa e sobre o capital empregado retratam se
vale a pena aplicar empresas até agui. “Para avaliar o que podemos
esperar de uma empresa daqui para frente é importante observar o nível
de endividamento e a estrutura de capital da companhia”, observam.
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