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Investimentos

Cenário macroeconômico favorece valorização do Global 40
13 de outubro de 2005

A combinação da busca pela separação entre as funções de política fiscal e monetária, atribuindo-as ao Tesouro Nacional e ao Banco Central, com uma inflação controlada, balança comercial positiva e risco-país em baixa devem dar mais espaço para que os títulos emitidos pelo governo da dívida externa brasileira prossigam em valorização nos próximos meses. No momento, o mercado financeiro aposta no Global 40, uma vez que os C-bonds serão recomprados pelo Tesouro Nacional no próximo dia 17 de outubro.
Os estrangeiros estão mais confiantes no País, o que eleva a demanda pelos títulos brasileiros. A agência de classificação de risco, Moody's anunciou a melhora na avaliação de risco dos papéis brasileiros. A nota atribuída subiu de B1 para Ba3, o que deixa o Brasil três níveis abaixo do chamado "grau de investimento", classificação de papéis considerados pela comunidade internacional como "investimento prudente". Esta é a melhor nota concedida pela agência desde março de 1989, quando o país tinha a classificação Ba1. Outras duas grandes agências de classificação de risco, a Standard & Poor's e a Fitch, que atribuem notas BB- aos papéis do Brasil, também devem melhorar a avaliação.
“Todas as classificações têm perspectiva “positiva”, o que sinaliza a possibilidade de novos upgrades. A Moody´s afirma que há sinais de uma “mudança nos fundamentos do setor exportador” e que o forte crescimento das exportações vem provocando redução nos indicadores de solvência externa”, diz o relatório do Banco Bradesco. A Moody´s declarou que a vulnerabilidade do País diminuiu com a melhora do perfil da dívida e a estabilidade na condução da política econômica. Investidores consideram que as agências estão “atrasadas” na classificação brasileira.
O cenário externo, no entanto, ainda preocupa. A tendência sinalizada pelo Federal Reserve (Fed), o banco central norte-americano, é de que irá ocorrer a continuidade dos aumentos dos juros dos Fed Funds. Quanto maior a taxa praticada nos EUA, tidos como porto seguro para o investidor, menos atrativos ficam os mercados emergentes. Os treasuries de 10 anos Segundo a ata do Fed, o furacão Katrina fez crescerem pressões inflacionárias “já consideráveis” e disseram que mais elevações das taxas de juros seriam necessárias, à luz da ameaça crescente de inflação. A ata da reunião mostra que, mesmo com a elevação da taxa dos Fed Funds em 25 pontos base adotada naquele encontro, osparticipantes sentiram que mais apertos monetários seriam necessários.
Recompra de C-Bonds
O C-Bond foi por muitos anos o título brasileiro com mais liquidez no mercado internacional, e o segundo de maior peso no cálculo do EMBI+. Vem sendo substituído gradativamente pelo A-bond (Amortizing Bond) com o objetivo de melhorar a imagem nacional com os investidores estrangeiros. É que o primeiro papel, emitido em 1994 ao valor de US$ 7,4 bilhões, está fortemente associado à moratória. Sua recompra vai envolver um gasto de US$ 1,1 bilhão e está garantida em contrato.
Segundo relatório do Banco Central, no primeiro semestre de 2005 o valor de mercado do C-Bond oscilou em torno de 101% de seu valor de face e, devido à sua grande liquidez, refletia quase instantaneamente variações na percepção de risco dos investidores em relação à economia brasileira. Dentre suas características está o vencimento em 2014; prazo de carência (não-pagamento de principal) até 2004, quando passou a pagar amortizações semestrais; cronograma crescente de taxas de juros até 2001, quando foram fixados em 8% a.a.; parte dos juros capitalizados nos primeiros seis anos; sem garantia de principal ou de juros.
O ingresso do A-bond no mercado, por sua vez, teve início em julho deste ano. Uma operação que exigiu do Tesouro Nacional aportes de US$ 4,5 bilhões. Em contrapartida ao gasto, o governo conseguiu o alongamento do prazo de vencimento de abril de 2014 para janeiro de 2018, o que deu uma folga futura para o seu caixa. Segundo o economista da Global Invest, Jason Vieira, desde então, o Global 40 tem ganhado destaque nas negociações. “Sua demanda deve aumentar nos próximos meses, visto que o valor de face do A-Bond deverá andar de lado em médio e longo prazo e o papel vai demorar a se firmar no mercado”, explicou. O A-Bond caracteriza-se por ter amortização semestral a partir de julho de 2009 e juros de 8% a.a. pagos semestralmente a partir de janeiro de 2006.
O Global 40 é um título negociado em dólar. Sua emissão teve início em 17 de agosto de 2000 com vencimento em 17 de agosto de 2040. A taxa de juros ficou fixada em 11% ao ano.

 

Equipe Técnica Acionista.com.br
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Editado pela Jornalista Ana Borges
13/10/05

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