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Junho começa com a recuperação do volume financeiro na bolsa de valores de São Paulo. O montante de R$ 2,107 bilhões atingido no segundo dia deste mês não acontecia deste o dia 13 de abril, quando o volume na Bovespa foi de R$ 3,5 bilhões, e esteve distante da média diária de abril de R$ 1,1 bilhão. O retorno, porém ainda fraco, de investidores estrangeiros ao País, e o anúncio do aumento das taxas de juros nos EUA, de apenas 0,25 ponto percentual no último mês, acalmaram os brasileiros. A certeza de que o cenário econômico nos EUA não vai bem foi reforçada pelo banco central daquele país, o Federal Reserve (Fed), que deve continuar reajustando as taxas de juros. Porém, os resultados negativos foram abaixo das expectativas dos analistas brasileiros, como o crescimento do PIB norte-americano, de 3,5%. Além disso, de acordo com a Projeção Consultoria, a expectativa de que o Banco Central poderá interromper o ciclo de aumentos dos juros, devido ao baixo crescimento da economia nacional no primeiro trimestre do ano (0,3% do PIB), sustenta a recuperação da Bovespa desde os últimos dias do mês de maio. O analista Ricardo Borges da Projeção Consultoria, no entanto, sugere uma trajetória não tão otimista para o mercado financeiro. "O mercado de ações cairá brevemente porque os juros estão muito altos". A afirmação deve ser confirmada porque, segundo o analista, hoje é mais vantagioso aplicar em investimentos atrelados a taxas de juros (a Selic está em 19,75% ao ano). O investidor procura opções que rendam mais. Além disso, os próprios empresários deixam de captar recursos no mercado financeiro. Eles optam por investimentos corrigidos por taxas de juros. Seguindo a tendência dos brasileiros, os investidores estrangeiros retiram capital do País desde janeiro deste ano. O saldo de recursos estrangeiros manteve-se negativo em maio, mas melhorou em relação a abril e março. A saída líquida atingiu de R$ 709,1 milhões no mês passado. O movimento acompanhou a alta dos juros norte-americanos. Outro fator é o reajuste do preço do barril de petróleo. O sétimo aumento consecutivo da commodity reitera dúvidas em relação ao crescimento dos EUA. De acordo com o sócio da Global Invest Sérgio Damiani, para os brasileiros é importante definições quanto à política dos juros norte-americanos. "O que interessa agora é saber qual é a velocidade que o Fed vai subir as taxas de juros nos EUA. Sabe-se que a elevação das taxas não vai ser brusca, essa expectativa já foi dissipada". Conseqüência disso é o otimismo já verificado no mercado brasileiro, segundo Damiani, o que pode aumentar o número de aplicações em ações no País. De acordo com o consultor Ricardo Guerses da Open Investimentos, a recuperação do mercado financeiro já está acontecendo em relação às baixas do início do ano. Para junho, Guerses sugere que 20% da carteira de investimentos seja feito em Bolsa. Em abril, esse percentual era de 12%. As opções de aplicação com rentabilidade atrelada a taxas de juros DI, ocupavam 60% da carteira teórica indicada pelo consultor em abril. No primeiro trimestre, o CDI (Certificado de Depósito Bancário) foi o investimento que mais rendeu e, segundo Inácio Ponchet, gestor do banco Credit Suisse First Boston, é o maior competidor do mercado de ações. Para o mês de junho, na estratégia de investimento de Guerses, o DI deve ocupar apenas 30% das intenções de investimentos. Para o segundo semestre, Guerses prevê melhora para ativos atrelados à renda variável. Cenário Nacional A estimativa de aumento do PIB que, no início do ano, era de 5,1%; agora são menores que 4%. Apesar de superávits da balança comercial, a desvalorização do cambio também contribui para contínua queda no giro financeiro da bovespa. No mês passado, o giro foi de R$ 1,16 bilhões, frente a R$ 2,06 bilhões em fevereiro. Com o real se valorizando em relação à moeda norte-americana, os exportadores já sentem as perdas nas vendas. A aposta em papéis, principalmente, em títulos da dívida pública brasileira, também fica menor. O governo norte-americano tende a aumentar os juros do País, a fim de combater aspectos negativos do enfraquecimento do dólar. A diminuição de dinheiro dos estrangeiros no Brasil, que rumam para os EUA, contribui para o aumento do Risco Brasil. A dúvida quanto ao pagamento da dívida do setor público é iminente e prejudica a imagem brasileira no exterior. Conseqüentemente, teme-se a recessão da economia. Além de cenário econômico incerto, a política brasileira também preocupa o mercado externo. Damiani garante que esse aspecto está muito atrelado ao desempenho das ações. O consultor da Global Invest compartilha da mesma opinião da Projeção Consultoria. Ambos reiteram a influência negativa da descoberta de corrupção na Empresa de Correios e Telégrafos (ECT). Dúvidas quanto ao processo de instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar tais denúncias e as conseqüências da CPI dos Correios têm tido influência negativa nos movimentos da Bovespa, segundo boletins diários da Projeção Consultoria nas últimas semanas. |
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