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Perfil e prazo de investimentos definem se o título em inflação será pré ou pós-fixado
   05 de outubro de 2009



Um ano depois do epicentro da crise financeira mundial, o cenário interno deve ser considerado estável para investidores de títulos públicos brasileiros. A terceira nota Investment Grade, recebida recentemente pelo país da Agência de classificação de risco Moodys, aumenta a credibilidade brasileira junto ao mercado internacional. Conforme o assessor de investimentos da Prosper Corretora, Carlos Eduardo de Carvalho, este dado, aliado aos dados de atividade econômica como nível de capacidade instalada e de atividade industrial, mostra uma recuperação lenta e gradual da atividade econômica, e trouxe os juros para patamares menores, principalmente no curto e médio prazo. No entanto, há um componente de risco que deve ser levado em consideração: pressão inflacionária.


Segundo o operador sênior da Umuarama Corretora, André Malett, a própria curva de juros (no mercado futuro) e o patamar de preços mais baixos de retorno dos papéis pré-fixados atrelados à taxa básica de Juros (Selic) demonstram essa estabilidade. “No auge da crise, eles pagavam altas taxas, mas também oscilavam muito”. Desde o início do ano, títulos como LTN, LFT e NTN-F, com rentabilidade atrelada a juros, eram as mais recomendadas para compra. Hoje, e para fazer jus à denominação de aplicação mais conservadora do mercado, esses títulos públicos, que também estão pagando menos, e passaram por um período de vendas, não valem o risco que representam.


O consultor e escritor, Gustavo Cerbasi, também considera o cenário estável. No entanto, adverte que para se prevenir contra o pior, proteger-se contra o desequilíbrio, é possível defender-se contra a variação da inflação, comprando títulos com juros pós-fixados. “Por mais que os títulos pré-fixados possam sugerir algum ganho diferenciado em caso de queda nos juros, a opção por este tipo de papel só faz sentido quando a queda nos juros é mais evidente”, justifica. O pior para Cerbasi é explicitado pelo assessor de investimento da Prosper Corretora. Carvalho justifica a possibilidade de mudança deste cenário de maior estabilidade, devido a um aumento da inflação: “com a capacidade instalada alta, crédito mais fácil e aumento no consumo, seria esperado que o Banco Central, através da política monetária, venha a aumentar os juros de forma a conter a escalada inflacionária (neste caso, por demanda)”.


O mercado já dá sinais desta preocupação, conforme lista Carvalho, e explica como age essa volta inflacionária no mercado de juros. “A inflação é caracterizada por operações de swap de IGP-M (devido a falta de liquidez em NTN-C), pelas quais investidores procuram ficar "ativos" neste indexador e papéis como NTN-B, que estão atrelados ao IPCA”. Mallet, da Umuarama, observa que, nas últimas semanas do mês de setembro, os próprios títulos públicos já refletem a possibilidade de um aumento nos juros e estão pagando mais. Devido a um aumento inflacionário, o Governo aumentaria a Selic dos atuais 8,75%, que também já vem sendo precificado pelos juros futuros.


No entanto, a instabilidade que representa esse cenário não compensaria o risco dos investimentos em títulos pré-fixados em juros. Na visão do diretor de fundos do Banrisul, Luiz Gonzaga Veras Mota, não há fundamentos para esperarmos, neste momento, uma alta futura da inflação em patamares relevantes. Por isso, a perspectiva de Mota é de não elevação da taxa de juros, no entanto, também nenhum recuo do patamar atual. “A inflação deve ficar neste patamar, a não ser que tenhamos algo como uma seca, uma crise agrícola, para que haja uma pressão de preços nos alimentos. Além disso, alguns países vêm e devem elevar sua taxa de juros. E isso pode refletir numa migração de recursos investidos no Brasil”, justifica.


Uma das opções mais interessantes de título públicos neste momento para o diretor do Banrisul seria a LTN indexada em IPCA, com vencimento para 2045. Ou seja, um título de longo prazo, mas que já está praticamente escasso no mercado, pois há papéis destes pagando entre 5% e 13% de rentabilidade ao ano. O assessor da Prosper explica que os riscos podem ser menores para quem estiver posicionado nos papéis mais longos, pois é provável que o deslocamento da curva longa seja um pouco menor do que na curta. No entanto, é importante que o investidor tenha em seu portfólio papéis de liquidez, se não quiser sofrer com a incerteza, caso o fato acima se concretize, destaca Carvalho.


Gustavo Cerbasi alerta que o investidor em títulos públicos deve ter em mente duas situações diferentes sempre: primeiro, considerar sua necessidade de liquidez e, segundo, levar em consideração o prazo para atingir seus objetivos. “Quem visa investir em títulos públicos para constituir uma reserva de emergência, deve optar pelos títulos de vencimento de curto prazo (menos de um ano) e preferencialmente vinculados à taxa Selic (LFTs). E quem investe com objetivos de prazo maior, entre um ano e cinco anos, deveria optar por papéis que visam à proteção contra inflação, como as NTN-B e C – inflação”. De acordo com o consultor, esses papéis trazem diferenciais principalmente se o cenário de crescimento da economia se confirmar, pois o mesmo deve gerar pressões inflacionárias decorrentes do aumento do consumo.


Mallet compartilha também da opinião dos especialistas, e caracteriza como mais confortáveis para o investidor papéis pós e indexados à inflação, como a LFT. “Ele rende a Selic, independe do que ocorrer no cenário, e ainda segue a curva de juros”. Para o operador da Umuarama, os pré-fixados podem ser penalizados daqui para frente. Por isso, neste momento, não seria interessante comprar um deles. Carvalho, da Prosper, menciona as pré-fixadas LTN (atreladas ao DI) como uma opção. Assim como as NTN-B e NTN-C (ou swap de IGP-M), cuja rentabilidade é dada pela inflação, também títulos pré-fixados. No entanto – e isso faz a diferença – de longo prazo.


Para quem investe de forma defensiva, optando por pós-fixados e pelo acompanhamento da inflação, está protegido contra riscos significativos se o papel for mantido em carteira até seu vencimento. O risco de perda do ganho previsto está se o investidor precisar revender o título antes do vencimento e o momento for de turbulência econômica, com outros títulos mais interessantes disponíveis. Cerbasi lembra que o risco para quem compra pré-fixados (LTN e NTN-F), está na alta dos juros, que derrubam a rentabilidade dos prefixados. Por isso, este último tipo de papel é considerado mais especulativo.

Títulos Públicos, dados, definições e simulador


ERRATA:

No quarto parágrafo da matéria:

“A inflação é caracterizada por operações de swap de IGP-M (devido a falta de liquidez em NTN-C), pelas quais investidores procuram ficar "ativos" neste indexador e papéis como NTN-B, que estão atrelados ao IPCA”.

O correto seria, conforme ressalta o assessor de investimentos da Prosper Corretora, Carlos Eduardo de Carvalho:

"Sinais desta preocupação com a inflação são as operações de swap de IGP-M (devido a falta de liquidez em NTN-C), onde os investidores procuram ficar "ativos" neste indexador e papéis como NTN-B, que estão atrelados ao IPCA".
A inflação NÃO é caracterizada por operações descritas acima.

Elaborado e editado pela jornalista Grazieli Inticher Binkowski

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