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Um ano depois do epicentro da crise financeira mundial, o cenário
interno deve ser considerado estável para investidores de títulos
públicos brasileiros. A terceira nota Investment Grade, recebida
recentemente pelo país da Agência de classificação de risco Moodys,
aumenta a credibilidade brasileira junto ao mercado internacional.
Conforme o assessor de investimentos da Prosper Corretora, Carlos
Eduardo de Carvalho, este dado, aliado aos dados de atividade econômica
como nível de capacidade instalada e de atividade industrial, mostra uma
recuperação lenta e gradual da atividade econômica, e trouxe os juros
para patamares menores, principalmente no curto e médio prazo. No
entanto, há um componente de risco que deve ser levado em consideração:
pressão inflacionária.
Segundo o operador sênior da Umuarama Corretora, André Malett, a própria
curva de juros (no mercado futuro) e o patamar de preços mais baixos de
retorno dos papéis pré-fixados atrelados à taxa básica de Juros (Selic)
demonstram essa estabilidade. “No auge da crise, eles pagavam altas
taxas, mas também oscilavam muito”. Desde o início do ano, títulos como
LTN, LFT e NTN-F, com rentabilidade atrelada a juros, eram as mais
recomendadas para compra. Hoje, e para fazer jus à denominação de
aplicação mais conservadora do mercado, esses títulos públicos, que
também estão pagando menos, e passaram por um período de vendas, não
valem o risco que representam.
O consultor e escritor, Gustavo Cerbasi, também considera o cenário
estável. No entanto, adverte que para se prevenir contra o pior,
proteger-se contra o desequilíbrio, é possível defender-se contra a
variação da inflação, comprando títulos com juros pós-fixados. “Por mais
que os títulos pré-fixados possam sugerir algum ganho diferenciado em
caso de queda nos juros, a opção por este tipo de papel só faz sentido
quando a queda nos juros é mais evidente”, justifica. O pior para
Cerbasi é explicitado pelo assessor de investimento da Prosper
Corretora. Carvalho justifica a possibilidade de mudança deste cenário
de maior estabilidade, devido a um aumento da inflação: “com a
capacidade instalada alta, crédito mais fácil e aumento no consumo,
seria esperado que o Banco Central, através da política monetária, venha
a aumentar os juros de forma a conter a escalada inflacionária (neste
caso, por demanda)”.
O mercado já dá sinais desta preocupação, conforme lista Carvalho, e
explica como age essa volta inflacionária no mercado de juros. “A
inflação é caracterizada por operações de swap de IGP-M (devido a falta
de liquidez em NTN-C), pelas quais investidores procuram ficar "ativos"
neste indexador e papéis como NTN-B, que estão atrelados ao IPCA”.
Mallet, da Umuarama, observa que, nas últimas semanas do mês de
setembro, os próprios títulos públicos já refletem a possibilidade de um
aumento nos juros e estão pagando mais. Devido a um aumento
inflacionário, o Governo aumentaria a Selic dos atuais 8,75%, que também
já vem sendo precificado pelos juros futuros.
No entanto, a instabilidade que representa esse cenário não compensaria
o risco dos investimentos em títulos pré-fixados em juros. Na visão do
diretor de fundos do Banrisul, Luiz Gonzaga Veras Mota, não há
fundamentos para esperarmos, neste momento, uma alta futura da inflação
em patamares relevantes. Por isso, a perspectiva de Mota é de não
elevação da taxa de juros, no entanto, também nenhum recuo do patamar
atual. “A inflação deve ficar neste patamar, a não ser que tenhamos algo
como uma seca, uma crise agrícola, para que haja uma pressão de preços
nos alimentos. Além disso, alguns países vêm e devem elevar sua taxa de
juros. E isso pode refletir numa migração de recursos investidos no
Brasil”, justifica.
Uma das opções mais interessantes de título públicos neste momento para
o diretor do Banrisul seria a LTN indexada em IPCA, com vencimento para
2045. Ou seja, um título de longo prazo, mas que já está praticamente
escasso no mercado, pois há papéis destes pagando entre 5% e 13% de
rentabilidade ao ano. O assessor da Prosper explica que os riscos podem
ser menores para quem estiver posicionado nos papéis mais longos, pois é
provável que o deslocamento da curva longa seja um pouco menor do que na
curta. No entanto, é importante que o investidor tenha em seu portfólio
papéis de liquidez, se não quiser sofrer com a incerteza, caso o fato
acima se concretize, destaca Carvalho.
Gustavo Cerbasi alerta que o investidor em títulos públicos deve ter em
mente duas situações diferentes sempre: primeiro, considerar sua
necessidade de liquidez e, segundo, levar em consideração o prazo para
atingir seus objetivos. “Quem visa investir em títulos públicos para
constituir uma reserva de emergência, deve optar pelos títulos de
vencimento de curto prazo (menos de um ano) e preferencialmente
vinculados à taxa Selic (LFTs). E quem investe com objetivos de prazo
maior, entre um ano e cinco anos, deveria optar por papéis que visam à
proteção contra inflação, como as NTN-B e C – inflação”. De acordo com o
consultor, esses papéis trazem diferenciais principalmente se o cenário
de crescimento da economia se confirmar, pois o mesmo deve gerar
pressões inflacionárias decorrentes do aumento do consumo.
Mallet compartilha também da opinião dos especialistas, e caracteriza
como mais confortáveis para o investidor papéis pós e indexados à
inflação, como a LFT. “Ele rende a Selic, independe do que ocorrer no
cenário, e ainda segue a curva de juros”. Para o operador da Umuarama,
os pré-fixados podem ser penalizados daqui para frente. Por isso, neste
momento, não seria interessante comprar um deles. Carvalho, da Prosper,
menciona as pré-fixadas LTN (atreladas ao DI) como uma opção. Assim como
as NTN-B e NTN-C (ou swap de IGP-M), cuja rentabilidade é dada pela
inflação, também títulos pré-fixados. No entanto – e isso faz a
diferença – de longo prazo.
Para quem investe de forma defensiva, optando por pós-fixados e pelo
acompanhamento da inflação, está protegido contra riscos significativos
se o papel for mantido em carteira até seu vencimento. O risco de perda
do ganho previsto está se o investidor precisar revender o título antes
do vencimento e o momento for de turbulência econômica, com outros
títulos mais interessantes disponíveis. Cerbasi lembra que o risco para
quem compra pré-fixados (LTN e NTN-F), está na alta dos juros, que
derrubam a rentabilidade dos prefixados. Por isso, este último tipo de
papel é considerado mais especulativo.
Títulos Públicos, dados, definições e simulador
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