Volatilidade trazida pelos subprimes dá oportunidade de ganho com papéis imobiliários

04 de outubro de 2007

As 22 empresas do mercado imobiliário e de construção civil, com ações listadas no Novo Mercado da Bovespa, tiveram impacto negativo com a crise dos subprimes norte-americanos. A maioria dos seus investidores no Brasil são estrangeiros, o que contribuiu para a desvalorização das ações no mês de setembro. Mas pelo mesmo motivo, muitas dessas companhias recuperam as perdas, e acompanham os momentos de euforia do mercado de capitais doméstico, que ultrapassa os 60 mil pontos com o Índice Bovespa (Ibovespa).

As ofertas primárias de ações (IPO) acompanharam o cenário de incremento na demanda e na oferta de crédito de longo prazo, queda de juros e alto déficit habitacional. Quando vieram à bolsa, as empresas estavam (e continuam) com múltiplos (cotações caras) e volatilidade altos. Esses aspectos explicam em parte o quanto é arriscado investir no setor. Mas, mesmo assim, os analistas recomendam ter algumas das empresas em carteira, justamente pelo enorme potencial de crescimento do mercado imobiliário brasileiro. A corretora SLW acredita que a expansão vai durar cerca de cincos anos. Por isso, o interessante seria formar posição durante esse prazo.O comitê da Queluz Gestão de Recursos trabalha com horizonte de longo prazo, e prioriza fornecedoras do setor de construção, como a Gerdau: “uma companhia em expansão e que está com os preços menores”.

No curto prazo, essas ações também são recomendadas. A SLW cita a Gafisa e a Cyrela como empresas melhor posicionadas. Elas fazem parte do Ibovespa, ou seja, estão entre os dez papéis mais negociados. A Umuarama Corretora recomenda, além de Cyrela e Gafisa, a Rossi e a PDG Reality, porque na opinião do gestor Luiz Carlos Pires de Araújo, as empresas têm mais fôlego, irão consolidar o setor e apresentarão bons balanços nos próximos trimestres. Através da análise gráfica, Araújo diz que a Cyrela já recuperou as perdas do último mês, e deve continuar subindo. A Gafisa - uma das mais antigas na Bovespa - está em movimento de recuperação da cotação. A Rossi testa novos topos, e será beneficiada também com um bom segundo semestre. E a PDG Reality está entre uma das mais recomendadas do setor. Araújo acredita que é porque traz no controle o braço imobiliário do Banco Pactual. O papel da PDG também deve começar a recuperar e bater os topos.

A SLW acredita que as companhias brasileiras não sofrerão com o problema do mercado de crédito, enquanto a Bovespa deve continuar tendo impacto com o momento mundial. O único efeito sobre as empresas do setor será sobre a aceitação desses papéis pelos investidores. Para a equipe da Queluz, o setor é bastante difícil de se analisar, além disso ainda há discussão sobre metodologias para projetar retornos. Para a gestora, o investidor deve ter em mente que o setor vai crescer com a economia brasileira; deve estar atento às práticas de governança da empresa, às reuniões Apimec, e ter contato com a administração da Cia. Importante também é entender o papel de cada tipo de empresa no mercado, se é construtora ou incorporadora.

A Umuarama acredita que, se a Bovespa continuar com essa tendência de alta, os papéis do setor acompanharão esse movimento de alta. Por outro lado, se o mercado ficar parado, ou for de realização, a perspectiva é boa para as companhias, mas os investidores deverão optar por ações mais tradicionais na Bovespa, preferência que está em linha com a recomendação dos analistas da Queluz. A projeção gráfica da Umuarama é que “daqui a muito pouco”, o Ibovespa bate os 65 mil pontos, e fica cada vez mais forte. Mas até o final do ano, ainda é difícil de saber que rumo o mercado vai tomar.
 

Rentabilidade da ações do setor imobiliário

Empresas

Na Governaça

SET07 (%)

2007(%)

Abyara

27/07/06

(6,17)

70,00

Agra Incorporação

25/04/07

(12,88)

56,91

Brascan Residencial

23/10/06

(23,82)

(39,74)

BrasilAgro

02/05/06

4,00

30,00

CCDI

31/01/07

(7,33)

(3,45)

Company

02/03/06

(12,23)

35,16

Cremer

30/04/07

(7,11)

14,29

CR2

23/04/07

(10,55)

20,53

Cyrela Brasil Realty

22/09/05

(15,87)

(9,02)

Cyrela Company Pr.

09/08/07

0,00

3,45

Even

02/04/07

(9,64)

35,14

Ezetec

22/06/07

(18,15)

(2,95)

Gafisa

16/02/06

(20,97)

(25,80)

Inpar

06/06/07

(11,54)

4,55

JHSF Participações

12/04/07

(16,16)

15,66

Klabin Segall

09/10/06

(8,87)

3,35

Lopes

18/12/06

(12,93)

7,45

MRV Engenharia

23/07/07

3,56

3,23

Multiplan

27/07/07

(3,18)

(1,17)

PDG Reality

26/01/07

15,99

79,79

Rossi Residencial

05/02/03

(7,95)

61,17

São Carlos

14/12/06

(1,83)

10,49

Tecnisa

12/02/07

(15,55)

(20,74)

Ibovespa

-

-

35.96

 Fonte: Acioni$ta/ Valorização no período, descontando dividendos pagos.
Todas empresas integram o Novo Mercado (NM) da Bovespa, exceto a Multiplan Empreendimentos, que está no Nível 2.

Leia a matérias sobre o
Setor Imobiliário publicada em 09/07/07 no Acioni$ta


Elaborado e editado pela jornalista Grazieli Inticher Binkowski
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