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Ayala Ben-Yehuda
Novas Tecnologias, Estratégias de Preço,
Progresso do Dial Up na América Latina.
Numa região em que você pode adquirir um DVD pirateado de alta
qualidade por uns trocados num engarrafamento de trânsito,
conseguir fazer com que as pessoas paguem mais de 2 dólares por um
download de música em telefone celular parece uma venda difícil.
Entretanto, as operadoras de telefonia e a gravadoras estão
apostando que preços mais flexíveis, marketing agressivo, redes
mais rápidas e uma seleção mais ampla de músicas venham a
ajudá-las a colocar mais faixas no ar na América Latina.
As duas principais operadoras regionais, a Movistar da Telefónica
e a America Movil, já possuem faixas plenas disponíveis para venda
em alguns países desde 2007, mas conseguir fazer com que o negócio
de telefonia móvel decole vem sendo uma tarefa em desenvolvimento.
A Warner e a EMI são as únicas gravadoras principais que vendem
faixas plenas nas lojas Ideas Music Stores, da America Movil,
muito embora a Universal tivesse declarado que estava aguardando
assinar um contrato para vender faixas plenas através das lojas
Ideas Telcel, no México, em breve.
A Movistar começou a promover faixas plenas das quatro principais
gravadoras com maior intensidade em 2008 e planeja lançar redes de
terceira geração em toda a América Latina em 2009.
"A telefonia 3G não é nada sem um conteúdo", diz Mosin Cabezas,
chefe do setor de conteúdo para a América Latina. "Nós investimos
muito na rede e nós, como operadora, queremos tirar o melhor
proveito dela por meio de nossos serviços e desenvolver estes
serviços para gerar mais receita."
A Movistar está contando com a resposta às lojas de música
modernizadas, que possuem uma interface mais amigável, como as que
a empresa lançou recentemente no México e na Colômbia. Ao mesmo
tempo em que implementa suas redes 3G na região, a Movistar irá
oferecer faixas plenas em todos os lugares, da América Central à
Venezuela e ao Uruguai. (A America Movil também as vende em pelo
menos nove países).
A Movistar está experimentando mexer com preço e marketing através
da Sello Movistar, uma gravadora que vai apresentar artistas
"indie" de vários países latino-americanos. Estes artistas serão
selecionados dentre os perfis lançados no artistasmovistar.com,
sendo escolhidos para auxílio em turnês, promoção através das
lojas de música digitais e patrocínio da Movistar.
A Movistar diz que a receita regional dos downloads de música
(incluindo tudo, desde toques de telefone a faixas plenas) cresceu
de 20% a 30% entre 2007 e 2008.
Embora a Nokia não tivesse confirmado em entrevista se planeja
implantar sua loja Nokia Music Store no México no ano que vem,
recentemente introduziu dois novos modelos de telefones musicais
no México compatíveis com a loja, em preparação para o lançamento.
Juan Paz, chefe do setor de pesquisa da consultoria de mídia
digital Music Ally, diz que a receita por downloads de música para
telefones móveis cresceu consideravelmente em relação ao passado,
apresentando "gigantesco potencial". Entretanto, comparada com os
ringtones "representa ainda um fluxo muito limitado de receitas.
Poucas pessoas compreendem como o sistema funciona, de modo que um
marketing de grande alcance - e caro - será necessário." Da mesma
forma, os preços que terão que atrair mais do que os ricos da
região.
No entanto, as gravadoras e as operadoras estão apostando na
mudança dos hábitos de consumo. "Trata-se mais de criar o hábito e
ter mais aparelhos com recursos (avançados)", diz Sergio Lopes, VP
de Marketing e Desenvolvimento Digital da EMI para a América
Latina. O diretor de novas mídias da Warner para a América Latina,
Alfonso Perez-Soto, diz que a gravadora espera crescimento
"exponencial".
Ambos dizem que os preços de download - que variam amplamente de
país para país e dependem do fato dos custos de transmissão
estarem incluídos, bem como se o download é pré-pago ou cobrado
posteriormente - não representam o principal fator em conseguir
vender as faixas transmitidas. "O que é importante é que a
navegação é fácil, que tem uma boa estratégia de marketing", diz
Perez-Soto, acrescentando que os preços devem refletir a diferença
, no mundo físico entre a linha da frente e os títulos do
catálogo.
No entanto, as gravadoras não estabelecem preços - e sim as
operadoras, dependendo das condições econômicas de cada país, da
receita média por usuário e da concorrência. Na Colômbia, uma
faixa da loja da America Movil, a Ideas Comcel, lançada no início
de 2008, saía a cerca de $2.45 no início de janeiro.
Felippe Llerena, diretor executivo da iMusica, do Brasil, que
opera a retaguarda das lojas Ideas Music Store por toda a região,
espera que os preços de transmissão venham a cair, especialmente
quando as rápidas redes 3G venham a dominar e as operadoras
recebam pela transmissão de dados pela 3G como parte de um plano
geral, ao invés de por download.
No Brasil, "a maioria das pessoas que possuem computadores tem
acesso à banda larga e vem pirateando música de graça. Além disso,
temos a outra parcela da população que nunca acessou qualquer
computador e que agora possui um telefone celular com uma loja de
música dentro dele. Sendo assim, tornam-se nossos melhores
consumidores."
"Além de melhorar as ofertas das lojas de telefonia móvel, Llerena
construiu um negócio à volta das marcas pagando os downloads
online e distribuindo-os pelos consumidores através de códigos PIN
dentro de seus produtos. Llerena diz que ele vai trazer esta
estratégia para a telefonia móvel em breve "As pessoas ficarão
dispostas a pagar pela música novamente, contando que não percebam
estar pagando pela música.", diz ele. "Nós temos que seduzir o
consumidor novamente".
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