A Companhia Energética de São Paulo (CESP) trabalha em seus planos
de conservação ambiental com 23 espécies das 436 espécies que
constam da lista da fauna ameaçada do estado de São Paulo. A lista
foi divulgada pela Secretaria do Meio Ambiente no mês passado. Das
23 espécies com as quais a CESP tem estudos ou programas, 16 estão
ameaçadas. Dessas, seis são classificadas como criticamente em
perigo; duas estão na categoria em perigo e oito, são tidas como
vulneráveis. Outras cinco espécies constam da lista como quase
ameaçadas e duas estão na relação em que há dados deficientes para a
classificação.
Esses números confirmam a postura da CESP voltada para a
conservação ambiental e que segue critérios de desenvolvimento
sustentável. São resultado também do pioneirismo da CESP, que atua
nessa área há mais de 40 anos.
Situação crítica
Entre as espécies criticamente em perigo está a onça-pintada,
alvo de um programa em parceria com a Pró-Carnívoros e com o
Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPÊ) que objetiva a elaboração de
um plano de manejo da espécie, incluindo a composição de um banco de
material genético. A CESP desenvolveu ainda dois projetos sobre
reprodução dessa espécie.
Também nessa categoria está o cervo-do-pantanal, que conta com
plano de manejo e cadastro genealógico internacional. No Centro de
Conservação do Cervo-do-Pantanal a Empresa atua no monitoramento
demográfico e genético da espécie, entre outros estudos. Há
exemplares também no centro de fauna de Ilha Solteira.
No cadastro internacional são registrados todos os exemplares das
espécies contempladas que estão em cativeiro, em centros
conservacionistas reconhecidos.
O mutum-de-penacho, também em situação crítica, é criado no
Centro de Conservação de Aves Silvestres de Paraibuna desde 2002.
Hoje há 30 filhotes para início dos trabalhos de repovoamento. Outra
ave na mesma classificação é a jacutinga. A CESP iniciou a criação
em Paraibuna em 1997 e já soltou na natureza 58 filhotes. Mais oito
serão soltos ainda neste ano. Mais duas espécies de aves estão nessa
classificação: a arara-canindé e a ema. Há exemplares em Ilha
Solteira.
Em perigo e vulneráveis
Dos animais classificados como estando em perigo pela Secretaria
do Meio Ambiente a CESP estuda a queixada, em Ilha Solteira, e o
jaó, ave cujo plano de manejo está em estudos.
Das espécies consideradas vulneráveis, a CESP trabalha com oito.
O tamanduá-bandeira tem sido reproduzido em Ilha Solteira, onde já
nasceram oito filhotes. Essa espécie possui cadastro genealógico
internacional e conta com um grupo de trabalho que estuda sua
conservação no Brasil. O lobo-guará também tem esse cadastro e um
plano de manejo para sua conservação. A Empresa desenvolveu projeto
sobre estresse e reprodução desse animal em cativeiro.
Há um casal de onças-pardas em Ilha Solteira. Os indivíduos
encontrados na natureza durante os estudos realizados com a
onça-pintada estão sendo contabilizados, mas não há plano de manejo
específico. A CESP mantém em Ilha Solteira um casal de jaguatiricas
e um de gatos-do-mato-pequenos.
Também está vulnerável o macuco, que vem sendo reintroduzido na
natureza pela CESP desde 1989. Já foram soltos 193 exemplares. Ainda
neste ano serão soltos mais 24 filhotes.
O bugio-preto vem se reproduzindo com sucesso em Ilha Solteira e
a espécie conta com plano de manejo. Há um casal de antas no centro
de fauna; ainda jovem, não reproduziu.
Quase ameaçados
O jacu-guaçu, classificado como espécie quase ameaçada, foi
reproduzido no centro de aves em Paraibuna entre 1984 e 2006. Foi
uma das primeiras espécies estudada pela Empresa, que promoveu o
repovoamento dessa espécie na região com a soltura de 427
exemplares. Hoje, está presente nos principais fragmentos florestais
da região e não está mais sendo criado no centro de aves da CESP. A
jacupemba, como o jacu-guaçu, é estudada desde 1984. Já foram
reintroduzidos na natureza 469 filhotes nascidos no centro de aves
de Paraibuna. A espécie continua sendo criada para repovoamento em
outros reservatórios. As duas espécies são estudadas em Paraibuna e
em Ilha Solteira.
O papagaio-verdadeiro reproduziu recentemente em Ilha Solteira.
Nasceram dois filhotes. Dentre as espécies quase ameaçadas a CESP
estuda ainda a paca, com reprodução em cativeiro e nascimento de
três filhotes. Em Ilha Solteira outra espécie que está nessa
classificação pode ser avistada livremente. É a cutia.
Falta de dados
Espécies pouco conhecidas e pouco estudadas foram classificadas
pela Secretaria do Meio Ambiente como tendo dados deficientes. A
CESP trabalha com duas delas. O cachorro-do-mato-vinagre, que conta
com cadastro genealógico internacional, foi alvo de ação pioneira da
CESP, que iniciou a reprodução da espécie na década de 80. Nasceram
em Ilha Solteira 23 filhotes, destinados a vários zoológicos do
País.
A outra espécie dessa categoria é a jibóia. A CESP mantém um
exemplar no centro de fauna de Ilha Solteira.