Uma anta fêmea, da espécie Tapirus terrestris, com um ano de idade e
pesando 67 quilos, foi doada pela Companhia Energética de São Paulo
(CESP) para a Usina Hidrelétrica Itaipu. A anta estava há um ano no
Centro de Conservação de Fauna Silvestre que a CESP mantém no
município de Ilha Solteira (SP). O animal foi deixado sob guarda da
CESP pela Polícia Ambiental, que o achou recém-nascido, solitário,
com 10 quilos, em uma fazenda no município de Mirandópolis (SP).
Depois de passar meses em cativeiro, essa anta fêmea não pôde mais
voltar à natureza. No cativeiro, o animal fica dependente de
alimentação oferecida pelo tratador e tem dificuldades de sobreviver
na natureza. O animal de vida livre apresenta um comportamento
diferente porque sabe se defender, procura refúgio e não se aproxima
do homem.
O objetivo da doação da CESP para Itaipu é colaborar com a
conservação da fauna, já que a espécie é considerada ameaçada de
extinção no estado de São Paulo. A anta doada irá se juntar a outros
dois machos e uma fêmea da mesma espécie que vivem no refúgio
biológico daquela empresa, em Foz do Iguaçu.
Transportadora de energia
O Tapirus terrestris é um animal herbívoro que pode pesar mais de
300 quilos na idade adulta. A gestação é de apenas um filhote. Na
natureza, em circunstâncias favoráveis, pode viver até 13 anos. Em
cativeiro, o tempo de vida pode se prolongar, porque há mais
proteção e amparo. A espécie é considerada um importante
transportador de energia. Suas fezes depositadas carregam energias
que são aproveitadas por outros animais, como os peixes, colaborando
com a manutenção do ecossistema.
A anta integra a lista de espécies ameaçadas de extinção no
Estado. De acordo com a Secretaria Estadual do Meio Ambiente, há 435
espécies de vertebrados ameaçadas de extinção no território
paulista. A lista tem três categorias de ameaça: criticamente em
perigo (CR), em Perigo e vulnerável. A categoria das antas é
vulnerável. As ameaças à anta ocorrem em parte pelos impactos
ambientais, pelo desequilíbrio ecológico e pelo fator predatório,
ocasionado quase sempre pelo homem.
30.000 visitantes por ano
O Centro de Conservação de Fauna Silvestre de Ilha Solteira,
implantado em 1979, ocupa uma área de 18 hectares, naquele
município. Abriga, em média, 50 espécies da fauna regional,
características da Floresta Estacional Semidecídua (mata de
planalto), da Savana Arbórea Densa (cerradão) e do Cerrado, tipos de
vegetação nativa predominantes na Bacia Hidrográfica do Alto Paraná.
O centro desenvolve pesquisas, manejo e reprodução de diversas
espécies ameaçadas como onça-pintada, jaguatirica, gato-do-mato,
lobo-guará, cervo-do-pantanal, tamanduá-bandeira, mutum e
jacaré-do-papo-amarelo, entre outros.
A CESP mantém ainda em cativeiro um casal de antas que ainda não
reproduziu. A fêmea é oriunda do resgate de fauna da área de
enchimento da Usina Hidrelétrica Sérgio Motta (Porto Primavera), no
rio Paraná. Ela foi capturada em março de 2000, com um mês de vida e
40 quilos. Hoje, com oito anos, pesa 200 Kg. O macho foi capturado
no resgate de fauna da Usina Hidrelétrica Três Irmãos, no rio Tietê,
em setembro de 1999. Chegou ferido, com dois meses de vida e 70
quilos de peso. Hoje, pesa cerca de 150 Kg.
O trabalho realizado pela CESP no centro de fauna, além de
colaborar para a conservação de várias espécies, é extremamente
importante para a manutenção e o equilíbrio do ecossistema. O centro
recebe cerca de 30.000 visitantes por ano. O endereço é avenida
Brasil, s/n, Ilha Solteira, telefone (18) 3742-2916. A visitação
pública pode ser feita nos fins de semana. Há agendamento para
escolas e pesquisadores nos dias úteis.
Compromisso com a biodiversidade
Além do centro em Ilha Solteira, a CESP mantém dois outros
centros de fauna: o Centro de Conservação de Aves Silvestres de
Paraibuna (SP) e o Centro de Conservação do Cervo-do-Pantanal, em
Promissão (SP). Esse trabalho da CESP demonstra o compromisso da
Empresa com a conservação da biodiversidade nas regiões onde atua. A
CESP desenvolve planos de conservação e manejo in situ (ambiente
natural) e ex situ (cativeiro ou laboratório) das espécies mais
afetadas por seus empreendimentos. Entre esses planos, há o
monitoramento de aves e primatas na Usina Porto Primavera e os
programas de conservação para o cervo-do-pantanal e de duas espécies
de onça, pintada e parda.