Resultados de quase 20 anos de pesquisas e
estudos sobre biologia, ecologia e manejo do cervo-do-pantanal na
bacia do Alto Paraná, realizados com recursos da Companhia
Energética de São Paulo (CESP), foram apresentados no seminário
técnico, realizado pela Empresa, em Araçatuba (SP), nos dias 29 e 30
de maio. Todo o conteúdo técnico discutido deverá, em breve, fazer
parte de uma publicação especial.
O evento, que também comemora o Dia Mundial do Meio Ambiente,
contou com a participação de cerca de 60 pesquisadores e gestores de
meio ambiente de 17 instituições que discutiram assuntos polêmicos
como as atuais deficiências de unidades de conservação e a falta de
legislação sobre várzeas, entre outros.
Os pesquisadores identificaram riscos e medidas necessárias para
a conservação do cervo-do-pantanal. As pesquisas deverão identificar
e avaliar as áreas de várzea que compõem o habitat da espécie e
trazer mais informações, como a identificação de áreas para
recuperação ambiental e implantação de corredores por onde os cervos
possam se dispersar.
Estabelecer padrões de identificação legal de várzeas, mapear de
forma detalhada as várzeas remanescentes na bacia do Alto Paraná,
nos estados de São Paulo, Paraná e Mato Grosso do Sul, e
potencializar o trabalho de educação ambiental com as comunidades
são medidas que devem envolver os pesquisadores desde já.
As recomendações para o manejo e conservação do cervo-do-pantanal
em áreas dos estados de São Paulo, Mato Grosso do Sul e Paraná foram
elaboradas pelos pesquisadores com base em outras informações
expostas no evento, como demografia, habitats, genética e sanidade.
Visita técnica ao Centro de Conservação do Cervo-do-Pantanal
O encerramento do evento aconteceu com a visita técnica ao Centro
de Conservação do Cervo-do-Pantanal, em Promissão (SP).
Pesquisadores do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos
Recursos Naturais Renováveis (Ibama), da Empresa Brasileira de
Pesquisas Agropecuárias (Embrapa), entre outros, conheceram o maior
plantel mundial dessa espécie em cativeiro. Atualmente esse Centro
abriga cerca de 40 indivíduos nascidos em cativeiro e descendentes
dos animais resgatados durante a construção da Usina Hidrelétrica
Três Irmãos.
O Centro é aberto para visitação pública monitorada desde agosto
de 1998 e está localizado na margem esquerda do rio Tietê junto ao
Bolsão do Ribeirão dos Patos. Ocupa uma área de 764,37 hectares.
Além do cervo-do-pantanal, o local também é refúgio de diversas
espécies migratórias e da região. Há ocorrências de exemplares de
nossa fauna destacando-se as aves tachã e cardeal do banhado; o
jacaré-do-papo-amarelo; o lobo-guará, e o tamanduá-bandeira.
Maior cervídeo brasileiro
O cervo-do-pantanal é o maior cervídeo da fauna brasileira e vive
nas várzeas dos grandes rios de vários países da América do Sul. A
espécie é considerada vulnerável no País e criticamente ameaçada de
extinção no estado de São Paulo. As alterações em seus habitats, as
doenças e a caça são as principais ameaças à conservação da espécie.