Indicadores de Mercado
 

Indicadores de Mercado
O Portal Acionista apresenta, semanalmente, tabela atualizada da evolução do Ibovespa, do volume diário de negócio, da cotação do dólar comercial americano e do Risco Brasil com breve comentário sobre as variações ocorridas no período. O gráfico representa a variação relativa     dos respectivos índices, tendo como base os índices do dia 28/12/2006 para a série de indicadores relativos ao período 2007/2014.




Acesse aqui a tabela fonte dos gráficos

Variação Percentual dos Indidicadores do Mercado
Período Ibovespa US$ R.Brasil
12 Meses (6,38) 11,1 28,0
Ano 0,70 (5,8) (5,3)
Mês 2,9 (2,1) (4,9)
Semana 1,5 (1,0) (1,4)

Comentários

Semana de 07 Abril a 11 Abril
                                                                             Panorama Difuso na Bolsa

Carlos Dix Silveira - Economista

Persistem no mercado notícias negativas sobre o andamento da nossa economia. As fontes dessas notícias estão espalhadas nas mais diferentes mídias e baseadas em análises de especialistas e renomadas entidades internacionais. Não se trata, portanto, de meras críticas de cunho político partidário. Mais certo interpretá-las como uma análise da política econômica hoje adotada. O governo, ultimamente, vem creditando esse desfile de críticas à oposição. Na verdade, poucos políticos, sejam da situação ou da oposição, tem condições de emitir uma análise tecnicamente isenta da realidade nacional. Aliás, esse despreparo é também causa dos desvios provocados por muitos projetos aprovados no congresso que aumentam, insensatamente, a já exagerada despesa pública. Especialmente, em ano eleitoral, a situação luta para se manter no poder, e, a oposição, a tirá-la do governo, ambos a qualquer custo, geralmente, a nosso custo, a custo dos contribuintes e das futuras gerações.

A inflação é um dos temas quentes da semana. Consta na última ata de reunião do Copom, divulgada quinta-feira, 10, que as decisões futuras serão definidas “com vistas a assegurar a convergência tempestiva da inflação para a trajetória de metas”. Em outras palavras: a inflação continua persistente apesar do esforço solitário do Banco Central para trazer o IPCA para o centro da meta (4,5%). Sozinha, a taxa de juros não tem sido um instrumento eficaz para reduzir a inflação que já bordeja o teto de 6,5%, e certamente vai superá-la no auge da campanha eleitoral. O IPCA acumulado nos últimos doze meses chegou a 6,15% em março. Nos três primeiros meses de 2014, está em 2,18%. De abril a dezembro deste ano, caso a inflação seja igual a média do mesmo período de 2013, que foi de 0,425% ao mês, o IPCA de 2014 será de 6,15%. Caso a inflação média do período ABR/DEZ seja igual a media dos últimos doze meses, de 0,499%, a inflação do ano fechará em 6,86%, atropelando o teto da meta. Considerando que a inflação do primeiro trimestre deste ano foi superior a do mesmo período de 2013 (1,94%), e, ainda, que este ano teremos o agravante das eleições e o inevitável ajuste dos preços congelados, administrados pelo governo (combustíveis e energia), a inflação tende a estourar o teto da meta (6,5%). O otimismo do Ministro da Fazenda não mais influencia ninguém. Pelo contrário, deixa o mercado perplexo, ainda mais depois da divulgação de que o governo já cogita em não mexer nos preços represados de combustíveis e energia, para não agravar a inflação e, paralelamente, proteger a campanha da reeleição. A herança para 2015 será de ajustes (leia-se recessão) complicados (combustíveis e energia elétrica, entre outros) para correção dos erros do governo.

Outra notícia, também significativa, é a de que sopram ventos desfavoráveis da Ásia. O Primeiro-ministro chinês anuncia que, pela primeira vez em dez anos, o PIB deve crescer menos que a meta do governo, de 7,5%. O crescimento da economia chinesa, desde 1998, tem superado a meta anual. Indicadores revelam retração da indústria este ano. O governo declara que não tomara medidas de impacto para reverter a situação atual. "Em lugar disso nos concentraremos em desenvolvimento saudável de médio e longo prazo" declara o Primeiro-ministro Li Keqiang. Dados oficiais demonstram que as exportações caíram 6,6% em março e 18,1% em fevereiro. As importações, por sua vez, caíram 11,3%, maior queda em um ano. O impacto dessa desaceleração será sentido ao redor do mundo, especialmente nos países produtores de commodities, soja e minério de ferro no caso do Brasil, que no ano passado exportou para a China 19% de tudo o que foi vendido para o exterior, dobro do exportado para os EUA, nosso segundo parceiro. Portanto, não se duvida que a desaceleração chinesa afetará o ritmo do nosso crescimento. Estudo recente do FMI e do BID coincidem na conclusão de que quase 30% da desaceleração recente do PIB brasileiro em relação à média observada entre 1998-2013, que foi de 3,1% a.a., adveio da desaceleração chinesa. O Ibovespa já acusou esta alteração no ritmo comercial chinês.

A Petrobras permanece frequentando as páginas policiais dos principais noticiários do país, escritos e televisionados. Novos capítulos e detalhes de malfeitos praticados por apadrinhados políticos na petroleira são diariamente revelados. A luta entre situação e oposição para instalar uma CPI específica para a Petrobras ou uma genérica, que investigue o passado e o presente de muitos governos, continua ocupando espaço na mídia. O valor das ações da empresa acompanha o tobogã das notícias. Baixa com novas falcatruas descobertas, sobre com a queda das intensões de votos na reeleição presidencial. O modelo de gestão pública hoje aplicado no país dificulta a administração eficaz das empresas estatais. A diferença entre a empresa privada e a empresa pública é que aquela é controlada pelo governo, e esta por ninguém, como dizia Roberto Campos.

Tendo este cenário como pano de fundo, a Bovespa fechou a semana com alta de 1,5%, no acumulado do mês, de 2,9%, e no do ano com 0,7%. Nos últimos 12 meses o Ibovespa acumula queda de 6,38%. Na contramão das principais bolsas mundiais, o resultado positivo da bolsa foi estimulado pelas ações da Petrobras, especialmente depois que o governo anunciou que estuda aumentar a proporção de álcool na gasolina de 25 para 27%. Esta medida, na interpretação do mercado, poderá reduzir o custo de importação do combustível. O panorama no mercado de ações tende a se manter difuso enquanto a política econômica não demonstrar uma atitude clara e positiva para resolver os problemas que o país enfrenta.

*Período referente as oscilações mais fortes das bolsas mundiais.






A evolução da taxa de câmbio reflete a instabilidade da nossa economia, conforme variação do dólar médio semanal demonstrado no gráfico a seguir:


A variação do preço do petróleo, uma das commodities mais influentes na participação da crise financeira mundial, esta demonstrada no gráfico a seguir:


Semana de 31 Março a 04 Abril
                                                                        Projeto Prioritário é a Reeleição

Carlos Dix Silveira - Economista

Novo ânimo na bolsa entusiasma investidores arredios e os leva a voltar aos pregões com mais ímpeto. O início da semana foi promissor. O Ibovespa de segunda-feira, aos 50.415 pontos, fecha o mês de março com alta de 7,05% após quatro meses de quedas. Aliás, foi o melhor março desde 2010, quando a alta foi de 7,18%. O acumulado do ano caiu para 2,12%. O dólar acompanhando na contramão a ascensão da bolsa, fechou março em expressiva baixa, aos R$2,269. O retorno do investidor estrangeiro ao mercado ficou evidente com o saldo líquido de mais de R$ 2 bilhões. Segundo interpretação de muitos analistas, as eleições passaram a fazer parte das preocupações dos investidores. Se o rebaixamento da nota da S&P e o bilionário enrosco da refinaria de Pasadena não interferiram nas mesas de operação da bolsa, certamente a pesquisa CNI/Ibope, revelando a queda na avaliação positiva do governo, foi recebida com entusiasmo pelo mercado financeiro.

Entrementes, após dois meses de fechamento negativo da balança comercial, março registrou um tímido superávit de encabulados US$ 112 milhões, menor saldo desde 2001. O primeiro trimestre encerra com déficit de US$ 6,1 bilhões, o maior já registrado desde o início da série em 1994, e superior ao déficit do mesmo período do ano passado, de US$ 5,2 bilhões. Também neste quesito o governo está devendo resultado. A crise financeira da Argentina, nosso terceiro maior parceiro comercial, e a estagnação da União Europeia, outro player importante, respondem pelas dificuldades que o país enfrenta no comércio com o exterior. O movimento do governo em busca de novos mercados e de acordos bilaterais é muito lento e não faz parte da agenda prioritária da política externa ideologizada que hoje se pratica.

Ainda quarta-feira o Copom, comitê de política econômica do BC, elevou a taxa Selic de 10,75% para 11% por decisão unânime de seus membros. Com o aumento decretado o país passa ter a maior taxa de juros do mundo. É evidente a preocupação do BC com a tendência da inflação. O ano eleitoral e as dificuldades políticas do governo e de seus candidatos é mais um agravante. O comunicado do comitê declara: “O Comitê irá monitorar a evolução do cenário macroeconômico até sua próxima reunião para então definir os próximos passos na sua estratégia de política monetária”. O próprio banco, após as medidas que vem adotando, parece não acreditar que o IPCA convirja para o centro da meta, 4,5%, tão cedo. As recentes projeções do RTI – Relatório Trimestral de Inflação, indicam uma inflação de 6,1% no fim deste ano contra 5,6%, no RTI de dezembro último. Investidores de todos os matizes enfrentam, diariamente, o impacto de tais notícias no comportamento da bolsa. O Ibovespa é o termômetro da confiança no desempenho dos governos. A volatilidade do índice indica que a confiança não é o forte do governo.

Enquanto isso, refluindo das profundezas do pré-sal, barris de petróleo contaminado poluem, ainda mais, o cenário dos malsucedidos projetos da Petrobras. Antes tão assídua nas páginas econômicas, hoje presença constante nas deprimentes páginas de política e de polícia. O mercado global assiste, perplexo, inconsequentes discussões sobre a empresa. Primeiro, uma injustificável briga fraticida no congresso para aprovação de comissão de inquérito proposta pela oposição. O governo, por seu turno, tenta impedir o trabalho de qualquer tipo de comissão mas, para confundir o eleitorado, propõe outras duas mais amplas, com objetivo de investigar também escândalos de trens e metrôs vinculados a próceres da oposição. Segundo, a Polícia Federal que já investigava a compra da refinaria de Pasadena e a denúncia de pagamento de propina de uma fornecedora holandesa, instaura um terceiro inquérito para apurar a venda de uma refinaria na Argentina. Terceiro, além da PF, o Tribunal de Contas e o Ministério Público Federal investigam essas nebulosas negociações. Sem entrar no mérito das justificativas inverossímeis de tais contratações, o que sobra, na realidade, é um cenário extremamente constrangedor para o governo e uma desvalorização inconsequente da maior empresa brasileira. Conforme análise publicada pela imprensa, no período 2010/2014 a Petrobrás desvalorizou 67%, contra 10% da Exxon Mobil e 20% da Chevron, entre outras; em 2013 a empresa apresentou a menor rentabilidade do setor, 6%; a relação dívida/geração de caixa da companhia é de 3,6 quando a média das dez maiores é de 0,9; a dívida líquida disparou de US$ 37 bilhões em 2010 para US$ 94 bilhões em 2013. Petróleo e energia, importantes setores econômicos na mão do governo, estão passando por uma crise de gestão cada vez mais grave. O Ibovespa repercute esses lamentáveis resultados nos pregões da bolsa. A imagem do país sucumbe nesse lodaçal de incompetência.

A primeira semana de abril fechou com o Ibovespa em alta de 2,64%. No acumulado do ano o índice apresenta queda de (0,83%), e no dos últimos doze meses, de (6,53%). A perspectiva de evolução dos índices da bolsa é muito complexa e desanimadora. A política econômica e o processo de gestão do governo se complementam para implantar um projeto de reeleição. Essa parece ser a agenda prioritária que tem como meta, efetivamente, a vitória nas urnas. Não se vê nenhum esforço efetivo para mudar a caótica situação política e econômica do Brasil.

Semana de 24 Março a 28 Março
                                                                     Nota Baixa na Sabatina da Semana

Carlos Dix Silveira - Economista

A semana começou com presságio desanimador. O que parte do mercado esperava desde junho do ano passado, aconteceu. A situação fiscal difícil, a perspectiva de baixo crescimento nos próximos anos, a queda de qualidade das contas externas e a trajetória ascendente da inflação, levaram a Standard & Poor’s a reduzir a nota de avaliação do Brasil de “BBB” para “BBB-“. Pesaram, também, as dificuldades do setor de energia e o risco que o julgamento do processo envolvendo a poupança pode trazer ao equilíbrio do sistema financeiro. Embora continue na faixa de grau de investimento, a redução da nota não ajuda, nesta conjuntura, a imagem do país embaçada por uma política fiscal leniente com os gastos do governo e uma apertada política monetária que mantem constantes aumentos da taxa de juros para frear a inflação. A agência demonstra, sem dúvida, desconfiar da capacidade do governo de cumprir suas promessas na área fiscal e da confusa política econômica praticada nos últimos tempos. Alguns analistas entendem que este rebaixamento, há tempos esperado, já esta precificado e, portanto, o Ibovespa não deve sofrer alteração significativa. A taxa de juros de financiamentos externos, podem, quem sabe, sofrer alguma alteração. O rebaixamento pode até ser positivo para nossa economia se o governo corrigir seus erros e analisar os problemas apontados pela S&P. Respondendo a uma pergunta da Folha de São Paulo, quarta-feira, sobre se a agência poderia rebaixar o Brasil de novo, Lisa Shineller, Diretora da S&P, respondeu: “Não podemos dizer que não vamos. Com uma perspectiva estável, estamos olhando os riscos de elevação e de rebaixamento. Quais são os riscos de uma elevação? Se tivermos uma política macroeconômica mais consistente, iniciativas para melhorar o resultado fiscal, um crescimento mais significativo, isso pode levar a uma elevação. Por outro lado, podemos rebaixar o rating se houver deterioração forte dos indicadores fiscais e um abandono da política macroeconômica pragmática.
Mas isso não está no nosso cenário agora.”

A S&P rebaixou, na esteira da medida anterior, a nota de treze instituições financeiras brasileiras: Caixa Econômica Federal, Itaú Unibanco, BNDES, Bradesco, Banco do Brasil, Santander Brasil, Itaú BBA, HSBC Brasil, Banco Citibank, Banco do Nordeste, Sul América Companhia Nacional de Seguro e Allianz. A exposição dessas empresas decorrente do envolvimento com a área pública e do risco direto que correm com a decisão do judiciário no processo da poupança, motivaram a ação da agência.

Continuando com notícias negativas, o Banco Central divulgou, segunda-feira, redução na previsão de superávit da balança comercial do ano, de US$10 bilhões para US$8 bilhões em razão da queda na estimativa de exportação, de US$ 255 bilhões para US$ 245 bilhões, enquanto mantida a projeção das importações em US$ 245 bilhões. Houve, também, alteração nas previsões sobre transações de bens e serviços, viagens internacionais e investimentos estrangeiros diretos. O Boletim Trimestral do Banco Central, divulgado quinta-feira, acrescenta novos complicadores na evolução da nossa economia. A previsão de inflação para 2014 passa de 5,6% para 6,1% na estimativa do banco. A projeção do mercado é de 6,2%. A chance de estourar o limite da meta de 6,5%, este ano, é de 38%. O reajuste dos preços administrados, gasolina, óleo, energia elétrica e transporte, que o governo, insensata e demagogicamente, vem represando há tempos, será inevitável nos próximos meses. O IPCA encerrando 2014 em 6,1% emplaca o terceiro ano em alta, pois em 2013 foi de 5,9% e em 2012, de 5,8%. Atingir o centro da meta de 4,5%, esta cada vez mais longe. Analistas preveem novos aumentos da taxa SELIC nos próximos meses. A projeção do PIB de 2014, outro indicador importante para o país, no mesmo boletim, passou de 2,3% para 2,1%. O mercado tem trabalhado com um crescimento da ordem de 1,9% em 2014.

Apesar de tantos complicadores o Ibovespa, nesta semana, teve alta de 6% e de 5,7% no mês. A queda no acumulado do ano caiu para 3,4% e a dos últimos doze meses, 13,1%. O mercado, segundo manifestações de vários analistas, entende que a queda acentuada na aprovação do governo, segundo pesquisa CNI/Ibope, pode representar mudança de governo e consequentemente, animou a bolsa fazendo os investidores voltar aos pregões. Ações de empresas estatais como Petrobras, Eletrobrás e Banco do Brasil apresentaram expressivas altas. O governo, decididamente, esta com seu prestígio em baixa, merecidamente, diga-se. Gestão competente não é aquela que diz que vai fazer a coisa certa, é a que faz o que é preciso. O grande problema do governo no Brasil não é o gigantismo do país, e sim a visão estatizante dos seus dirigentes. O estado é omisso onde deve estar presente e intervém onde não deve. O loteamento político da Petrobras provocou o derrame de petróleo que desta vez, vai poluir grande área do governo e chegar, quem sabe, à esplanada dos ministérios e aos jardins do Palácio. Na sabatina da semana a nota baixa foi geral, salvando-se, felizmente, o desempenho da bolsa.                                                  

Semana de 17 a 21 de Março
Falta de Convicção ou Excesso de Paixão
 
Carlos Dix Silveira - Economista

Antigo problema da Petrobras volta à cena política e complica, ainda mais, o desempenho das ações da mais importante empresa governamental. Os acionistas estrangeiros, antes do velho-novo imbróglio, preocupados com a demora no reajuste dos preços dos combustíveis e com a governança da Petrobras, já tinham decidido propor a substituição do empresário Jorge Gerdau, da representação dos acionistas preferenciais, há treze anos no conselho de administração da empresa e substituí-lo por candidato menos chegado ao governo. Até a próxima assembleia geral ordinária, em 2 de abril, muita água há de rolar por baixo dessa ponte. A desastrada aquisição da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, em 2006, que, conforme se divulga agora, foi autorizada pelo Conselho de Administração com base em um parecer “técnica e juridicamente falho” e em “informações incompletas” (Palavras da Senhora Presidente). Este será mais um tema para apimentar a agenda da próxima assembleia. Segundo pesquisa do jornal Financial Times, o valor de mercado da Petrobras, nos últimos cinco anos, caiu da 12ª para a 120ª posição, entre as maiores companhias do mundo. O mercado já havia precificado o prejuízo do malogrado investimento de Pasadena. O valor da ação preferencial, sexta-feira, ficou estável em R$14,02. Em janeiro de 2011, estava cotada em R$ 29,00. Só este ano o valor da ação já caiu 18%.

A Polícia Federal está investigando suspeita de evasão de divisas, propinas, subornos e outros tantos procedimentos peculiares aos negócios governamentais nos últimos tempos. A falta de transparência na gestão de órgãos estatais é fruto da impunidade da nossa leniente legislação, eivada de artifícios prorrogativos, reforçada pela ocupação generalizada de representantes partidários despreparados na administração dessas instituições. O resultado não poderia ser diferente. A desconfiança do setor empresarial privado em relação ao Estado, e o desinteresse deste àquele, por razões verdadeiras ou imaginárias, cria o cenário de insegurança e incompreensão que se vive hoje no país. Resultado: a iniciativa privada não assume seu papel no desenvolvimento do país e o governo não proporciona condições favoráveis para o investimento privado. O mercado repercute.

Conforme ranking de logística (compreendendo procedimentos alfandegários, infraestrutura, prazos de entrega e rastreamento) elaborado pelo Banco Mundial, publicado esta semana, o Brasil em 2012 ocupava a 45ª posição. Este ano o Brasil caiu para a 65ª posição, atrás de Argentina, Chile e os companheiros do BRICS, entre 160 países pesquisados, liderados por Alemanha, Holanda, Bélgica e Reino Unido. Isto explica nossa competitividade e a falta de critério nos investimentos do governo. Ou não?

O Presidente do Banco Central disse esta semana, na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, que “Não há nada que nos condene a não ter uma inflação de 4,5%. Continuamos perseguindo essa meta.” A alta temporária dos preços de alimentos, que prevalece no índice do IPCA, entende a instituição, é decorrente da maior participação do setor serviços na economia em razão da incorporação de 40 milhões de pessoas ao mercado de consumo. A oferta não acompanhou a demanda na mesma velocidade, pressionando os preços e motivando uma inflação persistente. O governo trabalha para aumentar a produtividade, revitalizar e expandir a rede de infraestrutura. O ciclo de aperto monetário, segundo se depreende, fica em aberto, já que, segundo declarações da mesma autoridade, “em momentos como o atual, a política monetária deve se manter especialmente vigilante, de modo a minimizar riscos de que níveis elevados de inflação persistam no horizonte relevante para a política monetária.” O último boletim Focus, do Banco Central, aponta para uma inflação, medida pelo IPCA, da ordem de 6,11% este ano. Essa projeção era de 6,01% no boletim anterior e de 5,93% há um mês. O Instituto Brasileiro de Economia, da FGV, estima para este ano uma inflação de 6,4%, segundo divulgou esta semana. O IPCA-15, prévia da inflação oficial, subiu 0,73% em março, acima dos 0,70% de fevereiro. Este índice acumula alta de 2,11% no primeiro trimestre e de 5,90% nos últimos doze meses. Alimentação e transportes foram os itens mais significativos do aumento do mês.

Neste cenário conturbado e difuso o Ibovespa, surpreendentemente, teve alta de 5,4% na melhor semana este ano e, de 0,6% no acumulado do mês. No ano acumula perda de 8% e de 17,3% nos últimos doze meses. Na verdade, este cenário tende a se manter incerto e volátil. Os malfeitos se sucedem enquanto as atenções governamentais estão focadas nas eleições. Qualquer apuração responsável pode prejudicar os altos índices de popularidade dos seus candidatos. Aos adversários e críticos do governo falta convicção, e aos defensores sobra paixão. A realidade dá lugar à fantasia. E o mercado de ações se deprime.

Semana de 10 a 14 de Março
                                                                       Quaresma: penitência e orações
Carlos Dix Silveira - Economista

A semana começou, inesperadamente, com uma notícia muito negativa. A China, nosso segundo maior parceiro comercial, anunciou déficit comercial da ordem de US$ 23 bilhões, em fevereiro, na contramão das expectativas de analistas econômicos que estimavam um resultado positivo. A expressiva queda nas exportações pode indicar alguma vulnerabilidade setorial do país, e, consequentemente prejudicar as exportações de seus principais parceiros, nós especialmente. As quedas no preço das ações de companhias exportadoras, no pregão de sexta-feira última, anteciparam-se ao anúncio, assim, também, aconteceu em várias bolsas internacionais. Isto comprova que o mercado, ao contrário do governo, sempre esta atentivo ao que ocorre na economia dos seus parceiros principais. A meta de crescimento do PIB chinês, neste ano, é de 7,5%, pouco menor do que o PIB de 2013, de 7,7%, mas diferente do desempenho dos últimos anos.

O Brasil, respeitadas as proporções, também registrou déficit comercial nos primeiros dois meses do ano, da ordem de US$ 6,2 bilhões. Um dos fatores preocupantes desse déficit é o desempenho das exportações industriais. A Argentina, destino de quase 20% das nossas exportações, em especial de automóveis, enfrenta grave crise financeira. Isto vai agravar, ainda mais, o volume de nossas exportações. A política externa do nosso governo, como há muito se constata, imobilizada pelas regras do Mercosul, não investe em novos acordos comerciais com os EE.UU e o mercado europeu. Presa às regras do paralisado Mercosul, o Brasil não tenta uma reforma do acordo firmado em 1991, por meio do Tratado de Assunção, para desemperrar o comércio internacional, seguindo o exemplo de Chile, México, Peru e Colômbia que atuam juntos na Aliança do Pacifico. Essa miopia está custando caro à indústria nacional. A exportação para os EE.UU. caiu de 28% para 15% do total exportado. O mesmo acontece no intercâmbio com os europeus e com alguns outros parceiros latino-americanos. A China, por sua vez, só importa produtos primários como minério e soja e enfrenta agora percalços econômicos.

O baixo crescimento do nosso país tem a ver, também, com o importante aumento do peso do setor primário, enquanto o setor industrial vem perdendo participação no PIB desde 1985, caindo de 27,5% para aproximadamente 13%, hoje, quase a mesma de 1956, de 13,8%. O número de empregos do setor industrial é hoje semelhante ao de 2001.

O IBGE divulgou, quarta-feira, o IPCA de fevereiro de 0,69%, superior aos 0,55% de janeiro. No ano a inflação acumulada é da ordem de 1,24% e nos últimos doze meses, de 5,68%. O próprio Banco Central, na última ata do Copom, admite, em outras palavras, que a inflação está pressionada e assim se manterá nos próximos meses. A taxa Selic tende, portanto, a se manter em viés de alta. A alta do dólar, das tarifas de transporte, do custo do setor educacional, entre outras, acaba contaminando a taxa de inflação. É incerto o rumo da inflação neste ano eleitoral. Outro agravante é os preços administrados pelo governo, tais como, combustíveis, transporte e energia. O erro da política governamental em combater a inflação, congelando o preço dos combustíveis e das tarifas de energia, já provocou o desastre financeiro da Petrobras e o desequilíbrio do setor elétrico.

Aliás, quinta-feira, o Ministro da Fazenda, em reunião com os responsáveis pelo setor elétrico, anunciou que o rombo das distribuidoras é da ordem de R$12 bilhões. O governo aportará R$ 4 bilhões e os consumidores dividirão R$ 8 bilhões a serem desembolsados em 2015, isto é, depois das eleições para não eletrocutar seus candidatos. Como R$ 4 bilhões aportados pelo governo saem do Tesouro, na realidade, nós, contribuintes e consumidores pagaremos integralmente o rombo pelo imprevidente desconto-presente oferecido, ano passado, pela Presidência da República, com muita pompa e propaganda.

O Ibovespa fechou com queda de 2,8%, na semana; de 4,5%, no mês; de 12,7% no acumulado do ano e de 21,5%, nos últimos doze meses. O péssimo desempenho da bolsa aliada à desvalorização da moeda provocaram perdas expressivas nas companhias nacionais e afastaram, ainda mais, nossas principais empresas das líderes multinacionais. A Petrobras, por exemplo, perdeu 34% do seu valor de mercado, depois de figurar entre as dez maiores do mundo. Hoje ocupa o 121º lugar, avaliada em US$ 74 bilhões. A imagem internacional da petroleira, felizmente, vai sobrevivendo, embora com algumas cicatrizes. A Petrobras esta semana foi ao mercado internacional captar US$ 8 bilhões. Os bancos ofereceram US$ 22 bilhões, conforme noticiado pela Thomson Reuters. Bom sinal para a empresa e para o Brasil.

Uma boa notícia, enfim. O Banco Central divulgou, sexta-feira, o IBC-Br de janeiro de 1,26%. Este índice é considerado uma espécie de prévia do crescimento do PIB e reflete um desempenho positivo da indústria e do comércio no primeiro mês do ano. Trata-se apenas de um sinal.
Como estamos no período de quaresma, convém lembrar a todos que é tempo de arrependimento dos investimentos malsucedidos, de repensar o perfil da carteira, de analisar com atenção o atual cenário econômico, de aproveitar bem as oportunidades que esta crise nos proporciona e de fazer orações para que os deuses do mercado, se existirem, nos ajudem nos restantes dias de penitência que a bolsa vem nos fazendo passar. Sem esmorecer, investidor.

Semana de 05 a 07 de Março
                                                                             Semana Cor de Cinzas
Carlos Dix Silveira - Economista

A curta semana pós carnaval teve cara de quarta-feira de cinzas, com gosto de ressaca. O Ibovespa, aos 46.244 pontos, fecha o pregão de sexta-feira quase batendo a pontuação mínima recorde do ano, de 46.148, do primeiro dia de fevereiro. O índice acumula queda de 10,2% no ano e de 21,4% nos últimos 12 meses. Decididamente, a vida do investidor não está fácil. Inúmeros fatores, internos e externos, concorrem para o péssimo desempenho da nossa bolsa.

Entre os fatores internos, esta semana, destacamos a divulgação da ata do COPOM e do resultado da balança comercial de fevereiro, a crescente importação de petróleo, o déficit de energia e a decorrente possibilidade de racionamento, prevista por técnicos e negada peremptoriamente pelo governo.
A ata da reunião do Copom, realizada em fevereiro, divulgada quinta-feira, reafirma um cenário geral de resistência inflacionária mas, acena com um panorama relativamente favorável de combate ao aumento de preços. Resumindo, o cenário descrito pouco difere da ata de janeiro, mas infere que a composição da demanda e da oferta agregada estão mudando, amenizando o efeito inflacionário.

O resultado da Balança Comercial de fevereiro, divulgado quinta-feira, acusa uma exportação da ordem de US$ 15,934 bilhões, uma importação de US$ 18,059 bilhões e um déficit de US$ 2,125 bilhões. No ano, a balança comercial acumula um rombo apreciável de US$ 6,2 bilhões, recorde desde 1993. Contribuíram para este péssimo resultado, especialmente, o saldo negativo da importação de petróleo e derivados, da ordem de US$ 3,6 bilhões. O problema da Petrobras, como há tempos se sabe, decorre da indevida intervenção política na gestão de uma empresa com reconhecida capacidade financeira e operacional, orgulho dos brasileiros. A caótica situação da economia argentina, responsável por 19,4% das exportações brasileiras em 2013. As exportações para os vizinhos no primeiro bimestre do ano caíram 16%. A incomoda dependência que hoje temos com os argentinos é fruto da equivocada política míope do governo petista de desprezar acordos comerciais com os EE.UU. e Europa e insistir parcerias com o falido Mercosul e países regidos por governos ditatoriais de esquerda. Venezuela, Cuba e alguns africanos.

As condições climáticas atuais e a falta de investimento na geração de energia deixam o país muito vulnerável. A possibilidade de racionamento, admitida por reconhecidos técnicos do setor, preocupa o setor industrial e deprime o ânimo do investidor, causando volatilidade nos índices da bolsa. O governo, também preocupado, prefere negar a existência de grave crise de suprimento de energia e a possibilidade de racionamento, sem oferecer uma solução concreta para a solução do problema já que ao reduzir tarifas por decreto, provocou o desequilíbrio financeiros das empresas distribuidoras. O cenário econômico para o investidor fica cada vez mais complexo.
No exterior, a notícia de que a geração de emprego em fevereiro, nos EE.UU., superou as expectativas, veiculada sexta-feira, por problema de fuso horário não conseguiu repercutir positivamente nos mercados asiáticos e europeus. Prevaleceu o impacto negativo gerado pela anunciada desaceleração da economia chinesa e de problemas financeiros de seu setor bancário, e da crise geopolítica da Ucrânia/Rússia.

As bolsas asiáticas na sua maioria encerraram o pregão da semana em queda. A crise da Ucrânia e a expectativa sobre a evolução do emprego na economia americana motivaram esse comportamento. A solução do impasse político ucraniano está nas mãos de Obama e Putin. Ambos já manifestaram intensão de resolver esta crise pela diplomacia. A economia americana emergindo de uma séria crise e a conturbada situação financeira russa, não alimentam grades disputas. O prejuízo maior para as bolsas está na duração da crise.

As bolsas da eurozona também fecharam a semana em queda diante do impasse ucraniano. O crescimento do mercado de trabalho americano, considerado positivo pelos analistas, indica que o FED, banco central americano, continue com o corte gradual do programa de compra de bônus, hoje fixado em US$ 65 bilhões/mês, fato que repercute nas bolsas da região. A queda das principais bolsas europeias foi: Frankfurt (DAX) 2,01; Paris (CAC-40) 1,15%; Milão (FTSE – Mib) 0,98%; e Londres (FTSE-100) 1,12%.

Neste cenário, resta ao investidor esperar que a próxima semana mude a cor cinza por dias mais coloridos, aproveitando, sempre que possível, as oportunidades que a Bovespa oferece. Há ações disponível, hoje, com preço baixo, bons dividendos e tradicional histórico de boa gestão que reduz o risco do investimento.


Produção:
Equipe Técnica Acionista.com.br
Fonte: BOVESPA, Zero Hora, JPMorgan
Atualizado em 14/04/2014

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