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29 de abril de 2010

Ações de reestruturação e grandes obras de geração são os destaques da Eletrobras

A holding Eletrobras, constituída por 15 companhias atuantes entre os segmentos de distribuição, geração e transmissão de energia, começa 2010 com marca nova, um problema antigo solucionado, focando em uma grande obra de energia nuclear e vencendo um dos leilões mais esperados e controversos dos últimos anos, o da Usina Hidrelétrica de Belo Monte. Durante reunião de Apimec-Sul, o gerente de relações com investidor, Arlindo Castanheira, detalhou os destaques e os resultados de 2009 alcançados pelo grupo.

A redução que sofre o patrimônio líquido da holding é em função da aprovação da distribuição dos dividendos de reserva, uma das pendências mais preocupantes para a companhia. Foram valores não pagos aos acionistas durante nove anos entre 1979 e 1998. O montante de R$ 887 milhões, que com correção, totalizará R$ 10,328 milhões, será pago às ações ordinárias e preferenciais em quatro parcelas, com vencimento em junho de cada ano. O primeiro pagamento foi feito em fevereiro deste ano.

De acordo com Castanheira, a companhia pretende, no longo prazo, avançar em outras questões de governança. Nos próximos anos, espera migrar do Nível 1 para o 2. Para isso, tem metas a cumprir: garantir o pagamento de Tag Along, ter dois membros independentes no Conselho de Administração e uma câmara de arbitragem.

Algumas novas legislações foram citadas pelo gerente como estímulo à reformulação institucional. A Lei 11.943 simplifica as licitações e cria o Fundo Garantidor. Esse mecanismo possibilita que o Governo deposite suas ações de participação nas estatais para garantir a construção de usinas. A Lei 12.111, que ainda não está regulamentada, deve influenciar positivamente no balanço final da Eletrobras. Ela regulamenta os sistemas isolados. Um efeito dela será a definição do preço da energia nuclear sem subsídios. Isso gerava prejuízo para a subsidiária Furnas. A partir dessa lei, todos os consumidores pagarão pela produção de energia ou óleo, e não a holding, que acabava ficando com a conta do subsídio.

O projeto de Angra III é um dos destaques dado pela Eletrobras, que ainda tem 87% da matriz hidrelétrica. Somente 5% é destinada à energia nuclear, 7% à produção de óleo e gás, e 1% à carvão. Angra ficará pronta em cinco anos de meio, no Rio de Janeiro, e terá uma capacidade instalada de 1.350 MW. A capacidade total da holding é de 39.453 MW. Outra obra em andamento é do Complexo de Tapajós (AM), com uma capacidade instalada de 10.682 MW. De acordo com o gerente de relações com investidor, essa obra lança uma forma diferenciada para as usinas nos próximos anos: uma metodologia semelhante a uma plataforma de petróleo. Reduz os custos e não se criam cidades no entorno do local.

A tecnologia e a inovação ambiental da Usina de Belo Monte, na qual à Eletrobras participa através da Chesf, que integra o consórcio vencedor do leilão, também foram destacados durante a apresentação. A usina será a terceira maior em geração de MW por quilômetro quadrado no Brasil, gerará 18 mil empregos diretos e 80 mil indiretos. A forma como ela será construídas, através de cinco pontos, inclui a requalificação urbana da cidade de Altamira, no Pará. Quase 60 planos ambientais beneficiarão outros nove municípios da região, segunda Arlindo Castanheira.

Este projeto terá uma energia assegurada de 1.496 MW médios, através de uma capacidade instalada de quase 11.500 MW. Os investimentos por parte da Chesf ainda não foram divulgados. O capex anunciado pela holding para o segmento de geração está na ordem de R$ 30 bilhões. Em transmissão, o valor de é superior a R$ 10 bilhões.
 

Confira os Resultados 4T09



Elaborado e editado pela jornalista Grazieli Inticher Binkowski

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