Copasa tem receita garantida por contrato de longo prazo

 
f

Uma empresa com fonte de receita garantida por contrato de longo prazo, assim é a Copasa. A companhia, concessionária de água e esgoto no estado de Minas Gerais, tem 73% de suas receitas oriundas de documentação com renovação prevista para acontecer depois de 2025. No curto prazo, o cenário é ainda mais estável, entre 2012 e 2013, o percentual vinculado às concessões chega a 91%, conforme destacou a Diretora Financeira e de Relações com Investidores, Paula Vasques Bittencourt. A  executiva, que apresentou os resultados do primeiro trimestre em reunião da Apimec-Sul em Porto Alegre, mostrou um crescimento de 10,2% (um salto de R$ 598 milhões no primeiro trimestre de 2011, para R$ 659 milhões, nesse ano). O resultado, explicou, adveio de um aumento de 4% no volume faturado e refletiu, também, o reajuste tarifário médio de 7,02% aplicado em 2011.

O crescimento das receitas, quando analisado pelo tipo de concessão, mostra um avanço concentrado na geração de receita nas áreas de concessão de coleta e tratamento de esgotos: 27,7%, enquanto a receita advinda do fornecimento de água cresceu 4,5%. “Tratamos, de acordo com os dados de março, um total de 60% dos esgotos coletados. Temos em operação 122 Estações de Tratamento de Esgoto e outras 79 estão em obras”, destacou a executiva, que apontou como meta o tratamento de 80% do esgoto das áreas de concessão até o ano que vem.

Segundo Paula, o EBITDA e o lucro líquido permaneceram praticamente estáveis no primeiro trimestre, em comparação com o mesmo período de 2011. O EBITDA passou de R$ 297 milhões para R$ 294 milhões, já o lucro líquido foi de R$ 130 milhões para R$ 124 milhões. Os resultados, ponderou, foram afetados por fatores não recorrentes, como despesas atreladas ao Programa de Demissão Voluntária que está em andamento.

Outro fator destacado pela diretora financeira foi a característica do endividamento. Do total de R$ 3,359 bilhões que a empresa tem em financiamentos, 82,4% (R$ 2,767 bilhões) são de longo prazo – o que tornam a TJLP (usada em 48% dos financiamentos) e a TR (que corrige 37% dos compromissos) os principais indexadores da dívida da companhia. A composição tende a se aproximar da média histórica de 90% em títulos de longo prazo, com a quitação de uma nota promissória no próximo mês, detalhou ela.

Ao detalhar os investimentos futuros, Paula Bittencourt destacou que a falta de regulação faz com que a companhia planeje seus atos ano a ano. Entretanto, ela indicou que para a manutenção e conservação dos sistemas de água e esgoto em operação são necessários cerca de R$ 300 milhões ao ano. O crescimento vegetativo demanda R$ 100 milhões anuais.  A expansão da área de concessão, do tratamento de esgoto e o investimento nas concessões obtidas canalizam R$ 250 milhões a cada ano.

“Os recursos são equacionados com financiamentos já contratados e a liberar, conforme o andamento das obras, de R$ 1 bilhão, junto ao BNDES e à Caixa Econômica Federal e de 100 milhões de euros contratados com o KFW - banco alemão de desenvolvimento”, afirmou a executiva. Para esse ano, o investimento previsto (Capex) totaliza R$ 850 milhões, dos quais R$ 154 milhões foram realizados no primeiro trimestre, período chuvoso em Minas Gerais.

A companhia está presente em 624 municípios mineiros, em 232 com concessões de água e esgoto e em 392 somente com abastecimento de água. A população atendida com fornecimento de água aumentou, no primeiro trimestre de 2012 3,4% (chegou a 13,7 milhões de pessoas) e 7,2% no tratamento de esgoto (alcançando 8,4 milhões no final de março). O estado tem, ainda, 229 cidades onde os serviços são feitos pelas próprias prefeituras.

“O plano de expansão 2011- 2013 prevê a conquista da concessão de esgoto em 31 municípios com população superior a 15 mil habitantes onde a Copasa tem a concessão de água (quatro foram assinadas, três já estão autorizadas pelas Câmaras de Vereadores e 24 seguem em negociação); e em 93 municípios com menos de 15 mil habitantes (oito já assinadas, 41 autorizadas e 44 em negociação). Além disso, está prevista a negociação das concessões em 31 municípios, com população superior a 15 mil habitantes, onde a empresa ainda não está presente.

 

*Editado e Publicado em 26/06/2012

 
Reportagem Clarisse de Freitas e Supervisão de Conteúdo Grazieli Binkowski

* Este artigo expressa a opinião do seu autor. O Acionista.com.br não se responsabiliza e nem pode ser responsabilizado pelas informações dadas no artigo ou por eventuais prejuízos de qualquer natureza em conseqüência do uso destas informações.