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17 de agosto de 2010

Projetos inovadores são cada vez mais alinhados aos conceitos de sustentabilidade


O momento brasileiro é a melhor oportunidade que as empresas já tiveram para inovar, segundo o co-presidente do Conselho de Administração da Natura e do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (IEDE), Pedro Passos, durante palestra na Federação das Associações Comerciais e de Serviços do Rio Grande do Sul (Federasul) no final do mês de julho. O país está desenvolvendo uma política ambiental mais séria, os consumidores estão mais conscientes, a indústria está à procura de uma eficiência energética maior e a proporção de energia renovável no país está crescendo, enumera Passos.

A constatação de que inovar e ser sustentável hoje no Brasil é possível através de condições econômicas nunca antes vividas é de um executivo que faz parte da primeira empresa brasileira que se reinventou para vencer a concorrência em nível mundial. Para isso, criou uma nova forma de produzir e um negócio inovador. A Natura utiliza matérias-primas de fontes naturais as quais ela só tem acesso porque desenvolveu uma rede própria de fornecedores em comunidades locais. Somente na produção de uma de suas linhas de produtos, a Ekos, a empresa envolve mais de duas mil famílias da região Amazônica. Além disso, procura parcerias que podem tornar seu negócio mais sustentável quando escapa ao seu expertise, como no caso das embalagens para os seus produtos.

A partir do final deste ano, a Braskem fornecerá embalagens feitas com o seu novo “plástico verde”. A companhia é um exemplo daquelas que começam a se preocupar em desenvolver soluções mais sustentáveis para seu negócio. Neste trimestre, inicia a produção de 200 mil toneladas de “Polietileno (PE) verde”, uma resina produzida a partir de cana-de-açúcar, 100% renovável, que contribui para a redução do efeito estufa. Ela tem a mesma aplicabilidade da resina tradicional e pode ser produzida nas mesmas unidades em que são feitas as resinas tradicionais. Até agora, 80% do volume inicial já está comercializado para empresas brasileiras e estrangeiras. Estima-se que a demanda pelo “plástico verde” pode ser três vezes superior ao volume que será produzido inicialmente pela Braskem.

Parceria é o segundo nome para inovação

O trabalho de organismos de pesquisa tem sido fundamental para o desenvolvimento de inovações no Brasil e fazem parte da estratégia de países bem sucedidos nesta área, observa Pedro Passos, da Natura.

A Braskem está em busca da produção, também através da cana-de-açúcar, do Polipropileno (PP), resina da qual é a terceira maior produtora. Para essa nova empreitada, conta com o conhecimento da Novozymes, líder mundial na produção de enzimas industriais, e da Unicamp (SP). Os resultados iniciais são esperados para um prazo mínimo de cinco anos, de acordo com a relações com investidores da Braskem, Roberta Varella.

A Tractebel Energia mantém parcerias com diversas destas instituições para realização de seus projetos¹. Um dos mais inovadores em âmbito mundial está sendo realizado com o Instituto de Pós-Graduação e Pesquisa em Engenharia (COOPE/RJ). Até o final do ano deve entrar em operação o protótipo para geração de energia através de ondas do mar no Ceará.

De acordo com o diretor de produção de energia da Tractebel, José Carlos Cauduro Minuzzo, tecnicamente, a inovação em nível mundial é todo sistema de conversão da energia contida na onda do mar para a energia potencial. Como ainda é um protótipo e algo assim nunca antes foi realizado, ainda não é possível compará-lo a outros geradores de energia. A idéia que se tem é que esse conversor, realizado em um mar onde a regularidade das ondas é favorável, com uma altura considerada média, pode gerar energia durante o ano todo. O estudo inicial prevê a instalação de dois módulos de bombeamento de água com capacidade de geração de até 100 mil watts de eletricidade, o suficiente para acender mais de 1.600 lâmpadas comuns de 60 watts.  

¹ Para realizar projetos de pesquisa através de parcerias com Instituições de Pesquisa e Empresas de Base Tecnológica a empresa procura, principalmente, instituições que estejam próximas aos empreendimentos, capacitando a comunidade de entorno e facilitando a aplicabilidade da pesquisa. Destacam-se as instituições do Sul do Brasil, tais como UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), UNISUL, UNIOESTE, UNESC, UFSM (Universidade Federal de Santa Maria), UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), LACTEC, REASON, etc. Hoje, com a expansão de seu parque gerador para as regiões Norte, Nordeste e Sudeste, a empresa vem atuando em parceria com outros estados, como é o caso da COPPE no Rio de Janeiro.
 



Elaborado e editado pela jornalista Grazieli Inticher Binkowski
 

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