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Nova queda da Selic redesenha cenário da Renda Fixa

16 NOV, 2016 / Jornalista Responsável: Grazieli Binkowski /

No próximo dia 30, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reúne novamente – e são poucas as dúvidas de que vem mais um corte nos juros por aí. A trajetória de queda na taxa Selic redistribui as peças no tabuleiro de investimentos no Brasil. Depois de um ano mantida em 14,25%, foi reduzida em outubro para 14% – e a expectativa do mercado é que feche o ano entre 13,5% e 13,75%, mesmo com a turbulência nos mercados após a eleição de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos. O impacto do corte da Selic nas aplicações de renda fixa é imediato.

“Até agora, os investidores estavam acostumados a buscar Tesouro Selic, Fundo DI, CDB e obtinham uma rentabilidade bruta acima de 1% ao mês sem grandes dificuldades ou riscos. Esse cenário vai mudar drasticamente nos próximos 12 ou 18 meses”, projeta Guilherme Moraes, planejador financeiro certificado pelo Instituto Brasileiro de Certificação de Profissionais Financeiros (IBCPF). “Retornos sem risco acima de 1% ao mês serão coisa do passado”, sentencia.

A Renda Fixa se tornou o xodó do investidor brasileiro em um cenário de inflação alta e Selic indexando boa remuneração – muito superior à da poupança, por exemplo. Para completar, a BM&FBovespa afundou nos últimos anos, levando quem estava com apetite de risco a buscar opções mais seguras. Com isso, a migração para papéis seguros foi gigantesca: em outubro, a Renda Fixa atingia mais de quatro milhões de investidores e movimentava mais de R$ 2,7 trilhões, conforme a Cetip.

“Agora, o investidor terá de sair da zona de conforto e experimentar outros investimentos para tentar aumentar o seu retorno, como fundos de renda fixa-crédito, que remuneram acima de 100% do CDI, ou fundos estratégia-Macro. Investir em Tesouro Selic ou fundo DI ainda é indicado, mas para aquela reserva financeira de emergência”, acrescenta Moraes.

O desafio será buscar rentabilidade líquida (considerando descontos com Imposto de Renda e taxas de administração) superior à inflação. Na opinião de Vitor Hernandes, agente do mercado financeiro e consultor de investimentos, essa tarefa poderá ser facilitada em razão do gradativo afrouxo da pressão sobre os preços. “Se a taxa Selic está sendo reduzida, é porque a inflação começa a entrar nos eixos. Portanto, mesmo com rentabilidade menor, o Tesouro Selic será beneficiado nesse cenário, pois o ganho real (acima da inflação) tende a ficar maior”, afirma. Ele prevê uma migração de quem aplica em títulos atrelados à Selic para os que remuneram conforme a inflação (índices como IGP-M e IPCA).

A mudança de expectativas também influencia na escolha de títulos pré-fixados (cuja remuneração é definida na compra do título) ou pós-fixados (que pagam uma taxa acumulada até o vencimento do título, definida por índices de inflação ou a Selic). “Existem títulos pré-fixados sendo vendidos a 11,5% ao ano para 2019. Nesse caso, se a Selic cair para um nível abaixo de 10,75% (alguns relatórios de grandes instituições apontam para 10% em 2017), o investidor será recompensado. O juro real ainda está bastante atrativo, pois a inflação também está em queda”, complementa Guilherme Moraes.

Reinaldo Domingos, educador financeiro do Instituto Dsop, afirma que a Renda Fixa continua interessante para quem investe em CDBs pós-fixados, fundos DI, Letras Financeiras do Tesouro (LFT) e os títulos negociados via Tesouro Direto. Ele alerta que as regras para a poupança permanecem. “Para quem aplica na Caderneta da Poupança, a queda na Selic não trará mudanças em seus rendimentos, pois, se a Selic for maior ou igual a 8,5% ao ano, a poupança paga sempre 0,5% ao mês mais Taxa Referencial (TR)”, afirma.

Ao contrário da caderneta de poupança, boa parte das opções de renda fixa sofre desconto de imposto de renda. No caso do CDB, por exemplo, há incidência de IR em tabela regressiva, ou seja, a cobrança do imposto diminui com o passar do tempo, variando de 22,5% a 15%. Já as letras de crédito (LCI e LCA) são isentas de IR para o investidor pessoa física. A isenção de IR não acarreta obrigatoriamente em rentabilidade final superior, ou seja, ao comparar os investimentos, é importante considerar o rendimento líquido de imposto.

Como ficam os investimentos (Rentabilidade Líquida Anual)

Atual (14%) Previsão Dez/16 (13,5%) Previsão Dez/17 (10,75%)
CDB (95% DI) 10,9% 10,5% 8,6%
LCI/LCA (90% DI) 12,5% 12,1% 9,8%
FUNDO (T.A 1% a.a) 10,5% 10,1% 8,1%
TESOURO (LTN) 12,1% 11,6% 9,3%
POUPANÇA (TR 0,12%) 7,7% 7,7% 7,7%