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Desempenho

27 de abril de 2009

A previsão de crescer 2,7% o faturamento líquido em 2009 vem muito abaixo de 2008. Mas diante do cenário, o guindance foi recebido de forma positiva. Esse montante, previsto em R$ 2,6 bilhões, virá em grande parte das vendas no mercado externo, acredita a maior parte do mercado. No mês de fevereiro, a Marcopolo produziu um ônibus especial para os governantes do Oriente Médio. Em março, venceu uma licitação na África do Sul que inclui 143 ônibus urbanos, em parceria com a Scania. E em abril vendeu 58 ônibus para o Chile. No quarto trimestre do ano passado, a receita no exterior caiu 10% em relação a 2007, refletindo o pior momento da crise mundial.

Para 2009 as notícias não poderiam ser melhores. As operações com as fábricas de Dharwad, na Índia e de Suez, no Egito, irão começar, sem mencionar o efeito de um câmbio valorizado, com um dólar claramente mais baixo. Portanto, para este ano, são essas notícias que seguram o desempenho. A operação indiana através da joint venture com a Tatá Motors – dona de 50% do mercado indiano – já inicia com uma licitação ganha. A empresa com o grupo GB Buses, do Egito, tem demanda garantida no norte da África e do Oriente.

Tudo isso deixa transparecer que a crise não chegou aos mercados da Marcopolo. No entanto, as operações na Rússia serão reavaliadas, para que não coloquem em risco esse bom desempenho esperado nas unidades internacionais. Neste momento, a companhia está com as unidades paradas nesse país, devido aos graves efeitos da crise mundial. Também por isso, a entrada nos Estados Unidos e no Canadá continuará sendo adiada.

No mercado interno, a produção total da Marcopolo para 2009 deve ficar em 23 mil ônibus - a maioria urbanos, rodoviários e Volares -, montante em linha com o conquistado em 2008. O destaque positivo foi e ainda será a produção dos ônibus Volare, vendidos para o transporte de alunos, através de licitações do Governo Federal. No quarto trimestre do ano passado, a comercialização desses ônibus alcançou 1,3 mil unidades, representando um crescimento de 52,5% num período de um ano. Em 2008, foram mais de 5 mil comercializados. É importante lembrar que esse ônibus é isento de Imposto de Renda (IR), o que o torna com uma rentabilidade melhor ainda. Outra garantia do sucesso e da manutenção da rentabilidade da empresa é a redução nos insumos utilizados na produção dos ônibus e na recomposição de preços que fez no ano passado. A empresa ganha com isso porque, quando fez os reajustes, tinha custos mais elevados do que agora, quando a produção é beneficiada pela redução cambial e pela cotação mais baixa dos principais insumos.

 

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Mercado de Ações

Os papéis da companhia não sofreram tanto como outras da Bovespa e inclusive são um dos que mais ganham no setor de autopeças. A razão é o impacto de certa forma tímido que teve a crise no final de 2008. Mesmo sofrendo esses efeitos mais tarde do que outras empresas – agora no primeiro trimestre de 2009, as ações não sofreram com isso, e também não tiveram o empurrãozinho da redução no IPI. De acordo com a Ativa Corretora, as ações Preferenciais da Marcopolo acumulam alta de 30% no mês de abril (até o dia 24/04), e 35,3% no ano.O papel fechou a R$ 4,29 no último pregão.

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Destaques
Marcopolo/.R$.Milhões 2007 2008 Variação.%
Ativo Totais

2.043,64

2.435,05

19,2

Ebitda

146,50

134,40

(8,2)

Lucro Líquido

216,40

214,20

(1,0)

Receita Líquida

2.101,10

2.532,20

20,5

RL no Brasil

1.231,20

1.553,40

26,2

RL no Exterior

898,90

978,80

8,9

Patrimônio Líquido

590,36

683,51

15,8

ROE (%)

36,65%

31,33%

(14,5)

Fontes: Marcopolo, Relatório Ativa Corretora e Bovespa
ROE - Retorno sobre Patrimônio - calculado pelo Acionista.com.br

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Opinião do Mercado

Antonio Bezerra - Analista Ativa Corretora

A manutenção do guindance de produção e do faturamento da Marcopolo é positiva porque no primeiro trimestre deste ano a companhia viu a produção de veículos e ônibus cair 5,1%, frente a uma queda na sua produção de 2%. Isso representa uma perda de marketshare, mas estão mantendo as metas que haviam anunciado anteriormente, pois a empresa sempre priorizou margem à participação de mercado. Por exemplo, sempre que a participação do mercado estava abaixo de 40%, concediam descontos para recuperar posição. Em 2009, eles conseguiram manter o preços e a posição. Neste ano essa estratégia se mostra ainda mais acertada, visto que conseguiram ter patamares de preços em um cenário de queda de custos de matéria-prima (queda do preço do aço e outras commodities) e com um cambio favorável.

Para os resultados de primeiro semestre, devemos esperar ainda uma queda nas vendas. No segundo semestre, elas devem melhorar. São os ônibus do tipo Volare que vão puxar essa recuperação, a partir das licitações do Governo Federal que devem acontecer. Manter as licitações em período de crise é muito positivo para o país e para a Marcopolo. Além disso, o modelo Volare não tem concorrente. Portanto, a companhia não precisará reduzir preço, o que seria esperado neste momento.

Recomendação: Não tem o preço-alvo.
 


Clodoir Vieira - Analista Corretora Souza Barros

A empresa foi impactada principalmente pela retração de mercado na Rússia. Perde bastante com isso, mas está conseguindo transferir a produção para a Índia e outros países onde atua. No mercado interno ela tem o Programa Caminho da Escola, do Governo Federal, do qual é a possível vencedora na próxima licitação. E esse é um bom estímulo para a companhia, mesmo porque a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) não teve efeito para ela. Em 2009, os resultados devem vir abaixo de outros anos, portanto, ainda deve sofrer com o atual cenário. No entanto, tem condições de passar por esses movimentos, de queda na produção interna e da necessidade de realocação de vendas entre as unidades no exterior. Outro fato que a beneficia é a inegável idade avançada dos ônibus brasileiros. Há necessidade de renovação, e ainda somos um país extremamente dependente do sistema rodoviário.

Recomendação: Nosso preço-justo é de R$ 7,60 para o papel. Está com um bom potencial de valorização.

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Visão da Empresa

Carlos Zignani
Diretor Financeiro e de Relações com Investidor

Estamos atravessando ainda um momento que começou no quarto trimestre de 2008 com bastante dificuldades. Até dezembro do ano passado, a indústria de bens de capital estava bem. A característica do setor é sentir por último os efeitos de uma crise, porque a maior parte das companhias tem seu programa de investimentos e vendas, e mantém. No entanto, a partir de janeiro, as coisas se inverteram. Alguns setores estão se recuperando, mas o nosso está com dificuldades. A produção de chassis para ônibus ficou 23% menor no 1tr09 em relação ao mesmo período do ano passado.

Por outro lado, há notícias excelentes já saindo, como por exemplo, a produção de ônibus, que está excelente, e a confirmação do segundo leilão para ônibus escolares para o segundo semestre, dando continuidade ao processo que começou ainda no final de 2007. No final de janeiro, entregamos 6.660 ônibus referente a essa primeira licitação do Programa Federal Caminhos da Escola. Só essa demanda, eleva em 15% a capacidade de produção brasileira de ônibus desse tipo. Por isso, para o segundo semestre, esperamos ter um mercado diferente, principalmente em razão desse projeto do Governo Federal, no qual as prefeituras participantes são financiadas pelo Bndes. Outra notícia positiva, é a elevação do limite de financiamento do Bndes de 80% para 100% através do Finame.

Outra fonte importante de estímulo é o Ministério das Cidades, que vai destinar mais de R$ 1 bilhão para a renovação da frota urbana, com cerca de 4 mil ônibus. A renovação de concessões das linhas federais de ônibus – entre as principais capitais (Porto Alegre, São Paulo, Rio de Janeiro) deve ocorrer nos meses de junho ou julho. Através da atuação desse segmento estamos retomando mais rápido o bom desempenho. Apesar desses incentivos, não há problemas com falta de crédito para os nossos clientes. Além disso, os passageiros existem. Portanto, os nossos clientes têm passageiros. A única coisa que sentimos é a postergação de alguns investimentos, baseada no próprio andamento da economia brasileira e mundial, que já deveriam estar acontecendo, visto que cerca de 20% da frota rodoviária é mais velha, e deveria ser renovada.

Governança Corporativa: Com ações no Nível 2 de Governança Corporativa, mantém mais de 8 mil acionistas preferencialistas. Mais da metade está no exterior. Do total de ações, 35,9% está no mercado (Free Float). Nos últimos cinco anos, a empresa vem entregando um retorno total (TSR) de 40% todo o ano para esse investidor. O percentual de dividendos pago ficou em torno de 45,6% nesse período. Em 2008, essa parcela foi de 38,4%.


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redacao@acionista.com.br
Elaborado e editado pela jornalista Grazieli Inticher Binkowski

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