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O crédito imobiliário deve ser um dos
carros-chefe do Bradesco no próximo ano, impulsionado pela
taxa básica de juros estimada a 12% e um PIB em 3,7%, de
acordo com a perspectiva de Jean Philippe Leroy,
superintendente executivo do departamento de Relações com o
Mercado do Bradesco. Aliás, foi principalmente no segmento de
crédito e de seguros que o Bradesco atingiu um resultado
bastante confortável no primeiro semestre de 2006, com lucro
líquido de R$ 3,1 bilhões.
Mas a elevação no crédito trouxe um problema, a inadimplência. O aumento da inadimplência preocupa os analistas, especialmente no segmento de pessoas físicas, que passou de 7,6% para 8,8% no primeiro semestre de 2005 em relação ao igual período de 2006. O Bradesco se justifica comparando-se a outros bancos, cujo percentual é maior. Porém, como a carteira de crédito expandiu R$ 59 bilhões em junho de 2005 para R$ 88 bilhões em junho deste ano, qualquer aumento de inadimplência é cuidadosamente avaliado. O aumento no crédito deveu-se à aceleração da atividade econômica, aumento da renda, queda do desemprego e financiamento à exportação para as grandes empresas. Só o financiamento ao consumo cresceu 47,3% e atingiu R$ 32,3 bilhões, principalmente de veículos. Recentemente o Bradesco anunciou a antecipação da amortização de um ágio de R$ 2,1 bilhões em uma operação muito bem vista pelos analistas. O que seria amortizado nos próximos dez anos foi adiantado para o terceiro trimestre de 2006, o que trará impacto no resultado da empresa em R$ 1,3 bilhão, mas irá recuperar nos próximos semestres. Com o intuito de expandir ainda mais a base de 16,6 milhões de clientes, o Bradesco fez importantes transações no semestre, como a parceria com a American Express Company, no final de junho, pela qual o Bradesco assumiu suas operações de cartões de crédito e atividades correlatas no Brasil, onde terá o direito de exclusividade de no mínimo 10 anos para emissão de cartões de crédito da linha Centurion, que inclui os cartões Green, Gold e Platinum; a aquisição do Banco BEC S/A ao Bradesco, em maio; e as parcerias com a GBarbosa, uma das principais redes de varejo do Nordeste, para administrar o Cartão de Crédito Private Label Credi-Hiper, em junho e, em julho, com a Cooperativa de Consumo (COOP), maior cooperativa da América Latina, para o lançamento e gestão do Cartão Private Label Coop Fácil. Em setembro firmou com a Panvel Farmácias, líder no setor farmacêutico no Rio Grande do Sul, parceria para o lançamento dos cartões Private Label Panvel e Panvel Clube do Aposentado, com a previsão de emitir cerca de 50 mil cartões até o final do ano. |
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Comparação de Resultados(R$ em mil) |
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O Bradesco divulgou o resultado referente ao 2T06 em linha com a nossa projeção, confirmando o cenário positivo de expansão da sua carteira de crédito, com a manutenção do elevado patamar da sua rentabilidade sobre o patrimônio (33,4%). O banco continua a registrar excelentes indicadores operacionais, principalmente no que diz respeito ao controle de custos e expansão das receitas, como indicadores de eficiência e de cobertura, contribuindo para a formação do lucro líquido. A Margem Financeira Gerencial Ajustada do 2T06 somou R$ 4,951 bilhões, com retração de R$ 24 milhões frente à margem do 1T06, de R$ 4,975 bilhões. Essa queda pode ser explicada pelo aumento de R$ 65 milhões com operações que rendem juros, motivado pelo incremento do volume médio dos negócios e menor resultado de Tesouraria, e Títulos e Valores Mobiliários, com retração de R$ 89 milhões, impactado pela volatilidade nos mercados. A carteira de crédito do Bradesco cresceu 5% na comparação trimestral, ou R$ 4,2 bilhões, atingindo R$ 88,6 bilhões, em linha com o crescimento registrado pelo Sistema Financeiro Nacional (SFN). Na comparação com o mesmo período de 2006, o crescimento da carteira de crédito foi de 27%, ou R$ 18,9 bilhões. Na Pessoa Física (PF) o volume da carteira registrou crescimento de 39,9% (R$ 10,8 bilhões) na comparação da base anual para R$ 37,5 bilhões, representando 42,4% do total da carteira, ante 38,5% no 2T05. Deve-se a evolução no período, a maior demanda por crédito pessoal e financiamento de veículos. Pessoa Jurídica (PJ): ao final do 2T06, o volume financeiro da carteira PJ somou R$ 25 bilhões. A carteira cresceu 18,9% (R$ 8,1 bilhões) no ano, em decorrência do aumento das operações de Capital de Giro, Financiamento a Exportação e Repasse do BNDES. No trimestre, o crescimento foi de R$ 2,4 bilhões, ou 4,9%. Com crescimento anualizado de 29%, o volume de crédito para o segmento de pequenas e médias empresas alcançou os R$ 25,9 bilhões, refletindo o cenário positivo da expansão econômica. A provisão da carteira de crédito somou R$ 5,8 bilhões, representando 6,6% da carteira, contra os 6,3% verificados no 1T06 e de 6,4% no 2T05. A inadimplência correspondeu a 4,2% da carteira de crédito, com crescimento de 0,4% contra os 3,8% do 1T06. Reforçamos a nossa recomendação de COMPRA para as ações do Bradesco. Acreditamos que seus múltiplos em bolsa ainda não refletem a melhoria dos seus fundamentos verificados no trimestre, bem como a expectativa na continuidade da melhoria dos mesmos. Projetamos preço-alvo de R$ 106,42 por ação para dezembro de 2006, o que representaria um upside de 44%. As ações estão classificadas como Top picks, cujo potencial de valorização no curto prazo é superior aos dos seus pares setoriais.
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Jean Philippe Leroy, superintendente executivo do departamento
de Relações com o Mercado do Bradesco
Se o resultado do 2T06 melhorou é porque cada um dos nossos cinco pilares (crédito, seguros, serviços, TVM e captações) contribuiu favoravelmente para o todo chegar a este resultado. Houve um resultado crescente e melhora em todas as receitas, aliado a uma boa gestão sobre os custos. Isso foi bom tanto para os acionistas quanto para o banco que reinvestiu parte do seu resultado no crescimento. O nervosismo internacional que aconteceu no primeiro semestre não trouxe impacto ao Brasil, tanto é que a taxa de câmbio e o risco-país ficaram muito parecidos. Com relação a eleição, observamos que independente de candidato todas as reformas e as prioridades são convergentes. Por isso achamos que o PIB deve crescer na faixa de 3,7% em 2007, sendo indiferente o presidente que estará no poder. Trabalhamos com uma taxa de juros a 12% a.a. até o final do próximo ano, mantendo uma perspectiva bastante favorável ao crescimento do crédito e à queda da inadimplência. Em particular estamos esperançosos no aumento das carteiras de crédito imobiliário. Até o final do ano a Bradesco Corretora de Porto Alegre abrirá uma sala de ações com home broker reformulado, onde serão recebidos investidores pessoas físicas que terão acesso a informações de mercado e vão poder fazer seus próprios negócios. Queremos, com isso, apoiar o crescimento de investimentos no mercado de capitais que deve aumentar ainda mais com a queda dos juros. Elaborado e editado pela jornalista Flávia
Pollo
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Atendendo a instrução
CVM nº 388 de 30/04/2003, o analista entrevistado pelo Acionista.com.br
declara que: | ||||||||||||||||||||||||