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Desempenho
25 de setembro de 2006

O crédito imobiliário deve ser um dos carros-chefe do Bradesco no próximo ano, impulsionado pela taxa básica de juros estimada a 12% e um PIB em 3,7%, de acordo com a perspectiva de Jean Philippe Leroy, superintendente executivo do departamento de Relações com o Mercado do Bradesco. Aliás, foi principalmente no segmento de crédito e de seguros que o Bradesco atingiu um resultado bastante confortável no primeiro semestre de 2006, com lucro líquido de R$ 3,1 bilhões.

Mas a elevação no crédito trouxe um problema, a inadimplência. O aumento da inadimplência preocupa os analistas, especialmente no segmento de pessoas físicas, que passou de 7,6% para 8,8% no primeiro semestre de 2005 em relação ao igual período de 2006. O Bradesco se justifica comparando-se a outros bancos, cujo percentual é maior. Porém, como a carteira de crédito expandiu R$ 59 bilhões em junho de 2005 para R$ 88 bilhões em junho deste ano, qualquer aumento de inadimplência é cuidadosamente avaliado. O aumento no crédito deveu-se à aceleração da atividade econômica, aumento da renda, queda do desemprego e financiamento à exportação para as grandes empresas. Só o financiamento ao consumo cresceu 47,3% e atingiu R$ 32,3 bilhões, principalmente de veículos.

Recentemente o Bradesco anunciou a antecipação da amortização de um ágio de R$ 2,1 bilhões em uma operação muito bem vista pelos analistas. O que seria amortizado nos próximos dez anos foi adiantado para o terceiro trimestre de 2006, o que trará impacto no resultado da empresa em R$ 1,3 bilhão, mas irá recuperar nos próximos semestres.

Com o intuito de expandir ainda mais a base de 16,6 milhões de clientes, o Bradesco fez importantes transações no semestre, como a parceria com a American Express Company, no final de junho, pela qual o Bradesco assumiu suas operações de cartões de crédito e atividades correlatas no Brasil, onde terá o direito de exclusividade de no mínimo 10 anos para emissão de cartões de crédito da linha Centurion, que inclui os cartões Green, Gold e Platinum; a aquisição do Banco BEC S/A ao Bradesco, em maio; e as parcerias com a GBarbosa, uma das principais redes de varejo do Nordeste, para administrar o Cartão de Crédito Private Label Credi-Hiper, em junho e, em julho, com a Cooperativa de Consumo (COOP), maior cooperativa da América Latina, para o lançamento e gestão do Cartão Private Label Coop Fácil. Em setembro firmou com a Panvel Farmácias, líder no setor farmacêutico no Rio Grande do Sul, parceria para o lançamento dos cartões Private Label Panvel e Panvel Clube do Aposentado, com a previsão de emitir cerca de 50 mil cartões até o final do ano.
 
Mercado de Ações


Devido ao consolidado balanço do Bradesco, a recomendação dos analistas é de compra, com upside de aproximadamente 40% até o final do ano.

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Destaques

Comparação de Resultados(R$ em mil)

 
  2T05 2T06

Variação %

Resultado Operacional 2.146,46 2.090,06 (2,6)
Lucro  Líquido 1.415,87 1.602,13 13,2
Patrimônio Líquido 17.448,45 21.460,69 23,0
Fonte: Bovespa      
 

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Opinião do Mercado
Rafael Quintanilha, analista de investimento da Ágora Corretora

O Bradesco divulgou o resultado referente ao 2T06 em linha com a nossa projeção, confirmando o cenário positivo de expansão da sua carteira de crédito, com a manutenção do elevado patamar da sua rentabilidade sobre o patrimônio (33,4%). O banco continua a registrar excelentes indicadores operacionais, principalmente no que diz respeito ao controle de custos e expansão das receitas, como indicadores de eficiência e de cobertura, contribuindo para a formação do lucro líquido.

A Margem Financeira Gerencial Ajustada do 2T06 somou R$ 4,951 bilhões, com retração de R$ 24 milhões frente à margem do 1T06, de R$ 4,975 bilhões. Essa queda pode ser explicada pelo aumento de R$ 65 milhões com operações que rendem juros, motivado pelo incremento do volume médio dos negócios e menor resultado de Tesouraria, e Títulos e Valores Mobiliários, com retração de R$ 89 milhões, impactado pela volatilidade nos mercados.

A carteira de crédito do Bradesco cresceu 5% na comparação trimestral, ou R$ 4,2 bilhões, atingindo R$ 88,6 bilhões, em linha com o crescimento registrado pelo Sistema Financeiro Nacional (SFN). Na comparação com o mesmo período de 2006, o crescimento da carteira de crédito foi de 27%, ou R$ 18,9 bilhões. Na Pessoa Física (PF) o volume da carteira registrou crescimento de 39,9% (R$ 10,8 bilhões) na comparação da base anual para R$ 37,5 bilhões, representando 42,4% do total da carteira, ante 38,5% no 2T05. Deve-se a evolução no período, a maior demanda por crédito pessoal e financiamento de veículos. Pessoa Jurídica (PJ): ao final do 2T06, o volume financeiro da carteira PJ somou R$ 25 bilhões. A carteira cresceu 18,9% (R$ 8,1 bilhões) no ano, em decorrência do aumento das operações de Capital de Giro, Financiamento a Exportação e Repasse do BNDES. No trimestre, o crescimento foi de R$ 2,4 bilhões, ou 4,9%. Com crescimento anualizado de 29%, o volume de crédito para o segmento de pequenas e médias empresas alcançou os R$ 25,9 bilhões, refletindo o cenário positivo da expansão econômica.

A provisão da carteira de crédito somou R$ 5,8 bilhões, representando 6,6% da carteira, contra os 6,3% verificados no 1T06 e de 6,4% no 2T05. A inadimplência correspondeu a 4,2% da carteira de crédito, com crescimento de 0,4% contra os 3,8% do 1T06.

Reforçamos a nossa recomendação de COMPRA para as ações do Bradesco. Acreditamos que seus múltiplos em bolsa ainda não refletem a melhoria dos seus fundamentos verificados no trimestre, bem como a expectativa na continuidade da melhoria dos mesmos. Projetamos preço-alvo de R$ 106,42 por ação para dezembro de 2006, o que representaria um upside de 44%. As ações estão classificadas como Top picks, cujo potencial de valorização no curto prazo é superior aos dos seus pares setoriais.
 

Kelly Trentin, analista de investimento da SLW

No 2T06 o banco teve rentabilidade menor do que o registrado no mesmo período do ano passado, passando de 38,1% para 35% neste semestre, especialmente em função da inadimplência da carteira de crédito que subiu de 6,4% para 6,6%. Os bancos têm adotado o perfil de aumentar o crédito devido ao recuo da taxa de juros, mas, junto a isso, houve um movimento de aumento da inadimplência.

O que destaco na empresa foi a decisão de antecipar as despesas referentes ao ágio pago nas aquisições passadas que somavam um saldo de R$ 2,055 bilhões em junho de 2006. O cronograma previa uma amortização de R$ 449 milhões em 2007, R$ 449 milhões em 2008, R$ 382 milhões em 2009, R$ 348 milhões em 2010 e R$ 192 milhões de 2011 a 2016. Essa decisão fará com que o banco tenha uma perda líquida de impostos de R$1,356 bilhão no 3T06. O Bradesco utiliza a estratégia de amortizar trimestre a trimestre esse tipo de ágio, o que causa uma diferenciação entre as outras instituições que amortizam integralmente o ágio quando da efetivação da compra de ativos. O Bradesco afirmou que a decisão de amortizar o saldo existente no balanço do 2T06 não significa uma mudança na política de amortização daqui para frente. Cada caso será analisado em separado.

Em reunião em 18/09, o Bradesco decidiu, além da amortização antecipada, o seguinte:

1. Com o objetivo de recompor o nível de capitalização do banco, que cairá de 11,37% em junho (Tier I) para 10,65% em decorrência da amortização dos ágios, propor aos acionistas aumento do capital social no valor de R$ 1,2 bilhão, mediante a emissão de 21.818.182 novas ações ao preço de R$ 55,00 por ação. Com isso, a Tier I volta ao nível de 11,29%. Os acionistas terão direito a subscreverem 2,22% sobre a posição acionária que cada um possuir na data da assembléia em 05/10/06.

2. A fim de possibilitar o exercício integral dos direitos de subscrição no aumento do capital proposto, sem a necessidade de desembolso por parte dos acionistas, o banco decidiu antecipar a declaração e pagamento de JSCP complementar ao resultado de 2006 que seria declarado em novembro de 2006 e pago no início de 2007, no montante de R$ 1,391 bilhão. Na prática, o acionista de Bradesco receberá os mesmos dividendos que teria direito se o banco não tivesse decidido fazer a amortização integral do ágio, o que resultará num lucro menor. No entanto, o dividendo antecipado será usado pelos acionistas para a subscrição de ações anunciada, portanto, o valor líquido recebido será menor do que o inicialmente previsto. Por outro lado, a base de dividendos e JSCP futuras será maior, uma vez que haverá redução de despesa sobre amortização, conforme cronograma previsto anteriormente, aumentando a base de cálculo para a distribuição de proventos aos acionistas. A compensação para os acionistas desta “perda” inicial é o direito de subscrever ações a um valor cerca de 25% abaixo do preço atual de mercado das ações da instituição (fechamento de 18/09 de R$ 73,50 por ação). Avaliamos a decisão como positiva e recomendamos a subscrição das ações no aumento de capital.

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Visão da Empresa
Jean Philippe Leroy, superintendente executivo do departamento de Relações com o Mercado do Bradesco

Se o resultado do 2T06 melhorou é porque cada um dos nossos cinco pilares (crédito, seguros, serviços, TVM e captações) contribuiu favoravelmente para o todo chegar a este resultado. Houve um resultado crescente e melhora em todas as receitas, aliado a uma boa gestão sobre os custos. Isso foi bom tanto para os acionistas quanto para o banco que reinvestiu parte do seu resultado no crescimento.

O nervosismo internacional que aconteceu no primeiro semestre não trouxe impacto ao Brasil, tanto é que a taxa de câmbio e o risco-país ficaram muito parecidos. Com relação a eleição, observamos que independente de candidato todas as reformas e as prioridades são convergentes. Por isso achamos que o PIB deve crescer na faixa de 3,7% em 2007, sendo indiferente o presidente que estará no poder. Trabalhamos com uma taxa de juros a 12% a.a. até o final do próximo ano, mantendo uma perspectiva bastante favorável ao crescimento do crédito e à queda da inadimplência. Em particular estamos esperançosos no aumento das carteiras de crédito imobiliário.

Até o final do ano a Bradesco Corretora de Porto Alegre abrirá uma sala de ações com home broker reformulado, onde serão recebidos investidores pessoas físicas que terão acesso a informações de mercado e vão poder fazer seus próprios negócios. Queremos, com isso, apoiar o crescimento de investimentos no mercado de capitais que deve aumentar ainda mais com a queda dos juros.

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Elaborado e editado pela jornalista Flávia Pollo

Atendendo a instrução CVM nº 388 de 30/04/2003, o analista entrevistado pelo Acionista.com.br declara que:
I – As recomendações expressas pelo analista entrevistado e publicadas pelo Acionista.com.br, refletem única e exclusivamente suas opiniões pessoais, e que foram elaboradas de forma independente e autônoma, inclusive em relação à instituição à qual esteja vinculado, se for o caso;
II – O analista entrevistado não mantém vínculo com qualquer pessoa natural que atue no âmbito das companhias cujos valores mobiliários foram alvo de análise no relatório divulgado;
III – A instituição à qual o analista entrevistado pelo Acionista.com.br está vinculado, quando for o caso, bem como os fundos, carteiras e clubes de investimentos em valores mobiliários por ela administrados não possui participação acionária direta ou indireta, igual ou superior a 1% (um por cento) do capital social de quaisquer das companhias cujos valores mobiliários foram alvo de análise no relatório divulgado, ou está envolvida na aquisição, alienação e intermediação de tais valores mobiliários no mercado;
IV – O analista entrevistado não é titular, direta ou indiretamente, de valores mobiliários de emissão da companhia objeto de sua análise, que representem 5% (cinco por cento) ou mais de seu patrimônio pessoal, ou esteja envolvido na aquisição, alienação e intermediação de tais valores mobiliários no mercado;
V – O analista entrevistado pelo Acionista.com.br ou instituição à qual esteja vinculado não recebe remuneração por serviços prestados ou apresenta relações comerciais com qualquer das companhias cujos valores mobiliários foram alvo de análise no relatório divulgado, ou pessoa natural ou pessoa jurídica, fundo ou universalidade de direitos, que atue representando o mesmo interesse desta companhia; e
VI – A remuneração do analista entrevistado ou esquema de compensação do qual é integrante não está atrelada à precificação de quaisquer dos valores mobiliários emitidos por companhias analisadas no relatório, ou às receitas provenientes dos negócios e operações financeiras realizadas pela instituição a qual está vinculado, se for o caso.

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