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Desempenho

23 de outubro de 2007

Se não bastasse o ano considerado perdido para todo o setor aéreo, a Gol deve terminar 2007 pior do que começou. A incorporação da “Nova” Varig ainda não terminou, e o reflexo das necessidades do sistema aéreo continua impactando negativamente o desempenho da empresa. Mas, apesar disso, os fundamentos da companhia continuam os mesmos, e a expectativa de crescimento do setor, diante de uma demanda ainda reprimida, também.

Mas ainda assim, para o curto prazo, o cenário é negativo. Os resultados esperados para o 3T07 também. Para esse trimestre, a Ativa Corretora aguarda uma melhora na rentabilidade por assento oferecido (RASK) e a manutenção no custo operacional da empresa (CASK). Esses indicadores farão com que o yield (valor pago por passageiro por cada km viajado) da Gol apresente significativa melhora. Porém, tal benefício deve ser, em parte, proveniente de fatores externos (baixa do dólar) e não terá um impacto mais positivo nas contas da companhia, devido à piora na taxa de ocupação, que ainda se encontra em um nível muito ruim. Na avaliação da Ativa, os resultados que serão divulgados na quarta semana de outubro serão marginalmente negativos para a Gol e demonstram que o setor aéreo ainda tem um longo caminho pela frente até se recuperar da crise recente.       

Por outro lado, em relação aos resultados de 4T07, o mercado espera uma sinalização de que 2008 possa ser um período de recuperação, para só em 2009, a empresa entregar resultados favoráveis. A Ativa Corretora considera que o guidance revisado pela Gol para os resultados de 4T07 e do consolidado do ano contribuirá para o mercado avaliar melhor os efeitos da crise do setor. Um dos aspectos importantes destacados nas metas da empresa foi a queda na taxa de ocupação da companhia, o que gerou aumento de custo por assento, e conseqüentemente,  representa uma piora na margem operacional no ano. Mas, de maneira geral, os números esperados pela Gol para o 4T07 demonstram uma expectativa de melhora em relação ao 2T e 3T, abrindo caminho para uma recuperação do setor, mas que ainda se mostra um pouco distante, conforme conclui a Corretora. 

 

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Mercado de Ações

O papel da Gol vai continuar penalizado pela má perspectiva atual do setor aéreo. Não há indicativos que poderiam influenciar na melhora das cotações. Por outro lado, na visão do mercado foi importante a demonstração de interesse pelo setor que o Governo Federal teve durante o ápice do caos aéreo, após o acidente com o avião da TAM. Por outro lado, na prática não houve mudanças ainda, nem sequer, internas. Ou seja, no que diz respeito à administração Federal, o caos continua o mesmo.   

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Destaques
 
GOL R$ Milhões 2T06 2T07 Variação %
Ebitda 221,60 72,20 (67,4)
Receita Operacional Líquida 844,00 1.151,50 36,4
Lucro Líquido ajustado

106,70

35,00 (67,2)
Patrimônio Líquido 1.757,56 2.551,09 45,1
Fonte: Bovespa e site empresa    

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Opinião do Mercado

Eduardo Puzziello - Analista Fator Corretora

O aspecto mais importante do desempenho da Gol que deve ser acompanhado nos próximos meses é o tratamento que a empresa vai dar à incorporação da Varig nos seus balanços. Outros pontos que também influenciarão seus resultados é o alto preço do petróleo e a estrutura de custo da companhia. As altas do barril de petróleo também tem efeito negativo. O custo de querosene representa 40% dos custos da Gol. Além disso, toda essa estrutura é relevante. A Gol não tem tanta gordura para queimar, como a concorrente TAM, que consegue demonstrar redução nos custos. Por isso, também é fundamental acompanhar como a Cia está diluindo seu custo fixo - a forma como utiliza as aeronaves, as reduções de tarifas. E isso tem relação com os indicadores de rentabilidade da empresa, como o yield e o load factor (Taxa de ocupação dos aviões medida pelo número de assentos) - que foi muito ruim em setembro -. Por isso, a Gol terá que fazer muita força para não perder rentabilidade. Portanto, não é uma missão fácil.

Recomendação: EM REVISÃO. No longo prazo, é atrativa.


Planner Corretora - Equipe de Análise

A Gol acompanha o momento do setor. Não veio com metas favoráveis e resultados bons . Mesmo no 2T07, quando o lucro líquido foi positivo (devido a um ágio - não operacional - equivalente da compra da Varig endividada), os resultados operacionais não foram satisfatórios, o que deve permanecer até o final do ano. Além disso, a Cia tem um problema não relacionado ao setor aéreo, que é sua estrutura de tarifas e custos baixos. A Gol precisa encontrar sua “tarifa de equilíbrio”, com a qual já vinha trabalhando, mas que perdeu quando veio à tona o caos aéreo brasileiro. A empresa tem um público sensível ao preço das tarifas, que é o “passageiro de lazer”. Por isso, se não bastassem as dificuldades em reduzir mais as tarifas diante de momentos em que os custos para a empresas aéreas têm crescido, a concorrente Tam tem encontrado os baixos preços, o que antes era característica da Gol. Nesse aspecto, a concorrência ficou mais acirrada ainda, mesmo porque, a maior parte dos clientes da Tam, os “passageiros de negócios”, não são tão sensíveis a mudanças nos preços das passagens como a maioria dos clientes da Gol.      

Recomendação: O preço do papel está EM REVISÃO. Não é recomendável se posicionar para o curto prazo. Para o longo prazo, não só a Gol, mas todo o setor é interessante para investidores que ficarão com a ação mais de cinco anos.  

 

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Visão da Empresa


A empresa não se manifestou.


Glossário

ASK - Reflete a capacidade da empresa de ofertar assentos por quilômetro transportado.
Available Seat Kilometre Corresponde ao produto da multiplicação da quantidade de assentos disponíveis em todas as aeronaves pela distância dos vôos da Companhia. *

CASK - Custo por ASK.
Quociente da divisão dos custos operacionais totais pela quantidade de assentos disponíveis por quilômetros. O resultado é apresentado em centavos de Reais por assento-quilômetro.

Hub - Centro de distribuição de vôos secundários (podem ser considerados regionais).

Load Factor - Taxa de ocupação dos aviões medida pelo número de assentos.
Medida de aproveitamento das aeronaves. Percentual das aeronaves que estão sendo ocupadas nos vôos, calculada pelo quociente entre RPK e ASK.

RASK - Receita por ASK, ou seja, passageiros transportados por quilômetro.
Quociente da divisão da receita líquida total pela quantidade de assentos disponíveis por quilômetros. O resultado é apresentado em centavos de Reais por assento/quilômetro.

RPK - Indicador que indica os passageiros pagantes por quilômetro transportado.
Revenue Passenger Kilometre. Quantidade de quilômetros voados por passageiro pagante.

Yield - valor pago por passageiro por cada 1km viajado.
Quociente da divisão da receita bruta de transporte de passageiros pela quantidade de passageiros por quilômetros transportados pagos. O resultado é apresentado em centavos de Reais por quilômetros.
OUTROS

Taxa de ocupação de equilíbrio (BELF)
Break-even load factor, ou taxa de ocupação em que as receitas são equivalentes aos custos e despesas operacionais.

Market Share
Participação percentual da empresa na demanda total do mercado (medido em RPKs)

Capacity Share

Participação percentual da empresa na oferta total do mercado (medido em ASKs)

Horas voadas
Tempo de vôo da aeronave computado entre o momento da partida e o corte do motor.

Número de etapas
Número de ciclos operacionais realizados por nossas aeronaves que corresponde ao conjunto de decolagem, vôo e aterrissagem.

Slots
Horas de pousos e decolagens.

FONTE: Empresas Aéreas
 

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redacao@acionista.com.br
Elaborado e editado pela jornalista Grazieli Inticher Binkowski

Atendendo a instrução CVM nº 388 de 30/04/2003, o analista entrevistado pelo Acionista.com.br declara que:
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